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sábado, 4 de agosto de 2018

SINHÔ (JOSÉ BARBOSA DA SILVA ) - 88 ANOS DE SAUDADE


Sinhô em 1926, na ocasião do lançamento do maxixe Pega-Rapaz.
Arquivo Almirante - Museu da Imagem e do Som
Livro Nosso Sinhô do Samba, de Edgard de Alencar.
Arquivo Marcelo Bonavides


Há 88 anos falecia o compositor e pianista SINHÔ (JOSÉ BARBOSA DA SILVA), O Rei do Samba.

José Barbosa da Silva nasceu em 08 de setembro de 1888, na Rua Riachuelo, casa nº 90, no centro do Rio de Janeiro. Sua mãe se chamava Graciliana Silva e seu pai, Ernesto Barbosa da Silva, de apelido Tené, que trabalhava como pintor e decorador de paredes de botequins e de clubes dançantes. A família ainda contava com mais dois filhos, Ernesto (apelidado de Caboclo) e Francisco, filho adotivo.

Sinhô morou também na Rua Senador Pompeu, nº 114, onde era amigo e brincava com os futuros sambistas João da Baiana e Caninha.

Quando estava com dezessete anos, apaixonou-se por Henriqueta Ferreira, portuguesa que era casada. Porém, ela resolveu morar com Sinhô, tendo o casal três filhos: Durval, Odalis e Ida. Mas, em 1914, Henriqueta faleceu, ficando o companheiro viúvo aos 26 anos de idade.

Em 1910, Sinhô já era conhecido como pianista profissional, tocando em várias agremiações musicais dançantes e carnavalescas de seu tempo, como o Rancho Ameno Resedá (que ajudou a fundar em 1907) e a Sociedade Dançante Carnavalesca Kananga do Japão (que seu pai ajudou a fundar e que tinha o estandarte pintado por ele). Em 1989, na novela Kananga do Japão, exibida pela Rede Manchete, Sinhô seria interpretado pelo ator Paulo Barbosa.

Em 1918, ele teve sua primeira composição editada e gravada: o samba Quem são eles?, registrado pelo cantor Bahiano. Essa composição daria início a uma das primeiras polêmicas musicais de nossa música, envolvendo Sinhô, Donga e Pixinguinha.

Em 1920, obteve sucesso com as músicas Papagaio Louro, samba satirizando Ruy Barbosa, e O Pé de Anjo, marcha que satirizava os avantajados pés do irmão de Pixinguinha, o também músico China. As duas músicas foram gravadas em outubro de 1919, juntamente com o samba (também de Sinhô) Alivia esses olhos, por um jovem cantor que já atuava no teatro de revista, porém, gravava seu primeiro disco: Francisco Alves, o futuro Rei da Voz. A gravadora era a Popular, do companheiro de Chiquinha Gonzaga, João Gonzaga, que ficava no quintal da residência do casal.

O Pé de Anjo ainda seria o título do grande sucesso teatral de 1920, na revista homônima estrelada por Otília Amorim e Alfredo Silva, que ainda trazia no elenco Júlia Martins e Henriqueta Brieba.

No final da década de 1910 e ao longo da década de 1920 a popularidade de Sinhô aumentou muito, suas músicas faziam bastante sucesso no teatro de revista e nos discos, sendo interpretadas pelos grandes destaques da época: Eduardo das Neves, Bahiano, Fernando, Gustavo Silva, Pedro Celestino, Aracy Côrtes, Rosa Negra, Francisco Alves, Mário Reis, entre outros.

Com tanto sucesso, a intelectualidade paulistana, representada por Oswald de Andrade, o coroou Rei do Samba em uma solenidade realizada em 1927.

No final dos anos 20, emplacou sucessos conhecidos até hoje, como o samba Jura, imortalizado nos palcos e disco por Aracy Côrtes, que também foi gravado Mário Reis e bem recebido pelo público.

Sinhô sofria de tuberculose e veio a falecer vitimado por uma hemoptise a bordo da Barca Sétima indo para o Rio de Janeiro (na época, ele morava na Ilha do Governador), em 04 de agosto de 1930, pouco antes de completar 42 anos.

Seu velório e enterro foram muito concorridos, sendo registrado pelo poeta Manuel Bandeira, onde estavam presentes os grandes admiradores do compositor: malandros, macumbeiros, prostitutas, seresteiros, baianas vendedoras de doces, artistas de teatro, músicos, entre outros.

Já homenageamos Sinhô em outras ocasiões, confiram:
Sinhô e Suas Intérpretes - http://bit.ly/2LTRpzW
Sinhô, 83 anos sem o Rei do Samba - http://bit.ly/2O7FgUo
Sinhô, 84 anos de Saudade - http://bit.ly/2LOuZzK
Sinhô, 85 anos de Saudade - http://bit.ly/2M0ucLr
Sinhô, 86 anos de Saudade - http://bit.ly/2naJBuI


Para relembrar Sinhô trago 21 gravações de suas composições realizadas entre 1918 e 1931.


QUEM SÃO ELES?
Samba de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Bahiano
Acompanhamento de Conjunto e Coro
Disco Odeon Record 121.445
Lançado em 1918



CONFESSA MEU BEM
Samba Carnavalesco de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de Conjunto
Disco Odeon Record 121.528
Lançado em 1919



DEIXE DESSES COSTUMES
Samba Carnavalesco de de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de Conjunto
Disco Odeon Record 121.529
Lançado em 1919



SÓ POR AMIZADE
Samba Carnavalesco de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 121.530
Lançado em 1919



O PÉ DE ANJO
Marcha Carnavalesca de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravada por Francisco Alves
Acompanhamento do Grupo dos Africanos
Disco Popular Record 1.008, matriz 1008-2
Gravado em outubro de 1919 e lançado em 1929



SAI DA RAIA
Marcha de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravada por Bahiano
Disco Odeon Record 122.492
Lançado em 1923



DOR DE CABEÇA
Maxixe de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Fernando
Acompanhamento do Jazz Band Sul Americano Romeu Silva
Disco Odeon Record 122.760
Lançado em 1925



CANECA DE COURO
Maxixe de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Fernando
Acompanhamento de Coro
Disco Odeon Record 122.783
Lançado em 1925



CABEÇA DE ÁS
Maxixe de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Fernando
Acompanhamento da Jazz-Band Sul Americana
Disco Odeon Record 122.920
Lançado em 1925



ALEGRIAS DE CABOCLO
Toada Sertaneja de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravada por Gustavo Silva
Disco Odeon Record 123.220, matriz 1048
Lançado em 1927



ORA VEJAM SÓ
Samba de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
Disco Odeon Record 123.273, matriz 1097
Lançado em janeiro de 1927



A FAVELA VAI ABAIXO
Samba de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
Disco Odeon 10.096-A, matriz 1441
Lançado em janeiro de 1928



AMAR A UMA SÓ MULHER
Samba Canção Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
Disco Odeon 10.119-B, matriz 1496
Lançado em fevereiro de 1928



QUE VALE A NOTA SEM O CARINHO DA MULHER
Samba de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento de dois violões
Disco Odeon 10.224-A, matriz 1741-I
Lançado em agosto de 1928



JURA
Samba de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Simão Nacional Orquestra
Disco Parlophon 12.868-A, matriz 2071
Lançado em novembro de 1928



JURA
Samba de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.278-A, matriz 2070
Lançado em novembro de 1928



CANSEI
Samba Canção de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.459-B, matriz 2813
Lançado em agosto de 1929



CAUHÃ
Valsa de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravada por Januário de Oliveira
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia 5.215-B, matriz 380671
Lançado em junho de 1930



RECORDAR É VIVER
Canção de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravada por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Henrique Vogeler ao piano
Disco Brunswick 10.078-A, matriz 374
Lançado em agosto de 1930



AMOR DE POETA
Samba Canção de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Henrique Vogeler ao piano
Disco Brunswick 10.078-B, matriz 375
Lançado em agosto de 1930



MEUS CIÚMES
Choro Canção de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Yolanda Osório
Acompanhamento da Orquestra Brunswick
Disco Brunswick 10.149-A, matriz 569
Lançado em 1931










Agradecimento ao Arquivo Nirez
Fonte: dicionariompb.com.br











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