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domingo, 11 de novembro de 2018

EDUARDO DAS NEVES - 99 ANOS DE SAUDADE


EDUARDO DAS NEVES
Jornal do Theatro & Sport, 1919
http://memoria.bn.br


Há 99 anos falecia o cantor e compositor EDUARDO DAS NEVES.



Eduardo Sebartião (sic) das Neves nasceu no Rio de Janeiro em 1874, no bairro de São Cristóvão. Também era palhaço, violonista e letrista.

Trabalhou como guarda-freios da Estrada de Ferro Central do Brasil. Demitido, passou a ser soldado do Corpo de Bombeiros, de onde também foi expulso por frequentar as rodas boêmias com a farda da corporação.

Em 1895, aos 21 anos de idade, iniciou sua carreira artística, se tornando palhaço, violonista e cantor nos circos da cidade, como o Circo pavilhão Internacional (no Parque Rio Branco) e Teatro-Circo François. 

Era conhecido por "Palhaço Negro", Crioulo Dudu" ou "Dudu das Neves", entre outros apelidos. Simpático e carismático, Eduardo também se apresentava em cafés concertos, cantando modinhas, lundus e cançonetas, onde se acompanhava ao violão.

Em 1900, a Livraria Quaresma publicou sua primeira coletânea de versos, provavelmente de seu repertório, intitulada O cantor de Modinhas. Em 1902, essa mesma editora lançou o livro O trovador da malandragem, que fez sucesso por décadas.

Em 1902 compôs a marcha A Conquista do Ar - Santos Dumont, onde homenageava o piloto brasileiro que, um ano antes, havia ganho em Paris o Prêmio Deutsh, por contornar a Torre Eiffel em um dirigível, sendo reconhecido internacionalmente como o maior aeronauta do mundo e inventor do dirigível. Os versos de Eduardo das Neves tornaram-se célebres no Brasil inteiro:

"A Europa curvou-se ante o Brasil
E clamou parabéns em meio tom.
Brilhou, lá no céu, mais uma estrela
Apareceu Santos Dumont".

Ainda em 1903, a marcha foi lançada, pelo cantor Bahiano, em discos Zon-O-Phone.
Ainda receberia umas seis regravações durante a década de 1900.

Eduardo das Neves ainda organizou a serenata em homenagem a Santos Dumont, que foi realizada em 07 de setembro de 1903, um evento de grande importância nos primórdios da MPB. 

Para essa homenagem, ele reuniu alguns dos melhores chorões da época: Quincas Laranjeiras, Sátiro Bilhar, Mário Cavaquinho, Chico Borges, entre outros. 

Novamente, a Livraria Quaresma publicou, em 1905, mais um livro de Eduardo, intitulado Mistérios do Violão. No prefácio, ele escreveu algumas palavras revoltado com as suposições de que ele não era o autor de suas obras: "Porque duvidais, isto é, não acreditais quando aparece qualquer choro, qualquer composição minha que cai no gosto do público e é decorada, repetida por toda a gente e em toda parte, desde nobres salões até pelas esquinas nas horas mortas da noite?" 

Em 1907, começou a gravar seus discos na Casa Edison, onde logo se tornou um dos mais célebres cantores brasileiros. Em várias de suas músicas havia o retrato do cotidiano da cidade, O aumento das passagens, O Bombardeio, A Guerra de Canudos, O Aquidaban, O Minas Gerais...

Aliás, essa última composição, O Minas Gerais, foi composta em homenagem ao encouraçado (navio de guerra) Minas Gerais, nau capitânia da Marinha de Guerra do Brasil. Ele se inspirou na melodia da canção napolitana Vieni sul mar. A música, gravada por ele em 1912, fez muito sucesso. Com o tempo, as pessoas esqueceram que era uma homenagem a um navio e associaram-na ao Estado de Minas Gerais. A nova "homenagem" pegou e até hoje é cantada (e adaptada) em referência ao querido Estado brasileiro.

Eduardo das Neves foi o segundo cantor (o primeiro foi Bahiano) a gravar composições de José Barbosa da Silva, o Sinhô, quando este iniciava sua carreira. Ele registrou os sambas Confessa meu bem, Deixe desses costumes e Só por amizade; este, sua última gravação, realizada em 10 de abril de 1919.

Na madrugada de 11 de novembro de 1919, uma terça-feira, na casa de seu filho Cândido das Neves (que era tipógrafo e trabalhava na Estrada de Ferro Central do Brasil), cercado deste e de sua esposa, na Rua do Senado nº14, Rio de Janeiro, ele falecia. Estava muito pobre.

Segundo o jornal Correio da Manhã, ele fora vítima de um "ataque de gripe", e provavelmente tenha ocorrido depois de uma apresentação, segundo a pesquisadora Martha Abreu. O jornal O Paiz, já indicava que ele fora vítima de uma enfermidade do coração (também segundo o jornal, "adquirida na vida irregular que era obrigado a fazer").
Nessa época, ele voltava a trabalhar no Pavilhão Fluminense, onde estava contratado.

Deixava quatro filhos, dos quais, consegui identificar somente Cândido, Iracema e Laurinda.

Seu filho, Cândido das Neves, seria um de nossos maiores compositores, se destacando nos anos 20 e 30, usando também o pseudônimo de Índio, ou Índio das Neves.





Trago 30 gravações, realizadas entre 1903 e 1915, relativas a Eduardo das Neves, onde ele atua como compositor, sendo interpretado por alguns dos grandes intérpretes do começo do século XX, atuando como cantor e em parceria com outros artistas nas gravações.





Eduardo das Neves Compositor


SANTOS DUMONT
Dobrado de Eduardo das Neves
Gravado por Bahiano
Acompanhamento de piano
Disco Zon – O – Phone X-621
Lançado por volta de 1903



NAIR
Schottisch de Eduardo das Neves
Gravado por Mário Pinheiro
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 40.046, matriz RX-43(RX-34)
Lançado em 1904



SANTOS DUMONT
Dobrado de Eduardo das Neves
Gravado pela Banda da Casa Edison
Disco Odeon Record 40.069, matriz RX-54
Lançado em 1904


RESPOSTA À BARCAROLA
Modinha de Eduardo das Neves
Gravada pelo Barros
Disco Odeon Record 40.222, matriz RX-160
Lançado entre 1904 e 1905



NAIR
Schottisch de Eduardo das Neves
Gravado pela Banda do Corpo de Bombeiros
Disco Odeon Record 40.555
Lançado em 1905



COIÓ SEM SORTE
Modinha de Eduardo das Neves
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 10.126
Lançado em 1907
Obs. Mário Pinheiro anuncia a música como lundu.



MESTRE DOMINGOS (E SUA PATROA)
Dueto de Eduardo das Neves
Gravado pelos Geraldos
Disco Odeon Record 108.337
Lançado em 1909



SANTOS DUMONT
Marcha de Eduardo das Neves
Gravada por João Barros
Acompanhamento de Orquestra
Disco Victor Record 98.871
Lançado em 1909




Eduardo das Neves Cantor

E EU NADA
Lundu de Eduardo das Neves
Gravado por Eduardo das Neves
Disco Odeon Record 108.071, matriz XR-604
Gravado em lançado em 1907



BOLIMBOLACHO
Lundu
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.072, matriz XR-605
Gravado e lançado em 1907



YAYAZINHA (EU TENHO UMA)
Lundu Alegre
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.074, matriz XR-607
Gravado e lançado em 1907



PAI JOÃO
Lundu Alegre de Eduardo das Neves
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.075, matriz XR-608
Gravado e lançado em 1907



ISTO É BOM
Lundu de Xisto Bahia
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de Violão
Disco Odeon Record 108.076, matriz XR-607
Lançado em 1907



O AQUIDABAN
Canção de Eduardo das Neves
Gravada por Eduardo das Neves
Disco Odeon Record 108.079, matriz XR-612
Lançado em 1907



A SOMBRA DA TARDE
Modinha
Gravada por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.121
Lançado em 1910



CATURRITA
Lundu
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.122, matriz XR-655
Lançado por volta de 1910



O MINAS GERAIS
Canção de Cottrau e Eduardo das Neves
Gravada por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.674
Gravado e lançado em 1912



ESTELA
Modinha de Abdon Lira e Adelmar Tavares
Gravada por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.678
Gravado e lançado em 1912



O PESCADOR
Lundu
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.710, matriz XR-1353
Gravado e lançado em 1912



EULINA
Modinha
Gravada por Eduardo das Neves
Disco Odeon Record 108.712, matriz XR-1355
Gravado e lançado em 1912



CHORO DE ARRELIA
Lundu de Eduardo das Neves
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 10.334, matriz R-1662
Lançado em fevereiro de 1913



OS OLHOS DELA
Schottisch de Irineu Almeida e Catullo da Paixão Cearense
Gravado por Eduardo das Neves
Disco Odeon 120.342, matriz XR-1724
Lançado em março de 1913



O LUAR DO SERTÃO
Toada Sertaneja de João Pernambuco e Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Eduardo das Neves
Acompanhamento de Coro
Disco Odeon Record 120.911
Lançado em fevereiro de 1914



JONGO DE PRETOS
Jongo de Freire Jr.
Gravado por Eduardo das Neves
Acompanhamento de Coro
Disco Odeon Record 120.985
Lançado em 1914



O SONHO DOURADO DO MALANDRO
Canção
Gravada por Eduardo das Neves
Acompanhamento do Grupo do Louro
Disco Odeon Record 121.027, matriz N-10
Lançado em 1915




Eduardo das Neves e outros Interpretes

DESAFIO DE DOIS BOIADEIROS
Cômico
Gravado por Mário Pinheiro e Eduardo das Neves
Disco Odeon Record 108.123, matriz XR-656
Lançado em 1908

  

A MULATA E O CRIOULO
Dueto de Lesonrn
Gravado por Isaura Lopes e Eduardo das Neves
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 108.171, matriz XR-704
Lançado em 1908



NUMA CASA DE PASTO
Cômico
Gravado por Nozinho, Mário Pinheiro e Eduardo das Neves
Disco Odeon Record 108.287, matriz XR-847
Lançado em 1910



ESPERA-ME À SAÍDA
Dueto
Gravado por Risoleta e Eduardo das Neves
Disco Odeon Record 108.833, matriz XR-1515
Lançado em 1912



A COCOTE E O MARCHANTE
Dueto de Eduardo das Neves
Gravado por Júlia Martins e Eduardo das Neves
Disco Odeon Record 120.309, matriz XR-1880
Lançado em 1913









Agradecimento ao Arquivo Nirez











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