sexta-feira, 17 de abril de 2020

LINDA BATISTA, A ESTRELA DO BRASIL - 32 ANOS DE SAUDADE


LINDA BATISTA
Arquivo Nirez



Há 32 anos falecia a cantora e compositora LINDA BATISTA, A Estrela do Brasil.


Florinda Grandino de Oliveira nasceu em São Paulo, em 14 de junho de 1919. Era filha de Emília Grandino de Oliveira (D. Neném) e do famoso ventríloquo e cantor Baptista Júnior. Sua mãe era de uma tradicional família paulista. Suas irmãs eram Dyrce (a caçula), a futura cantora Dircinha Batista, e Odette (a mais velha das três), que teria uma curta carreira como cantora.

Seus pais moravam no Rio de Janeiro, no bairro do Catete, porém, sua avó materna, Dona Florinda, fazia questão que seus netos nascessem em sua casa. Desta forma, a menina Florinda (uma homenagem à avó materna) veio ao mundo no bairro paulistano de Higienópolis. Suas irmãs também nasceram nesta mesma casa.

A pequena Florinda foi educada, assim como suas irmãs, nos melhores colégios. Ela fez seu curso primário no tradicional Colégio Sion. Com dez anos de idade, estudou violão com o cantor e violonista Patrício Teixeira, compondo nessa época sua primeira música, Tão Sozinha.

Concluiu o curso ginásio no Colégio São Marcelo, iniciando cursos de contabilidade e de corte e costura.

Em 1930, sua irmã Dircinha iniciava a carreira artística, gravando um disco aos oito anos de idade, pela Columbia. Dircinha, em 1932, apresentava-se na Rádio Cajuti, sendo acompanhada ao violão por sua irmã Florinda, de 13 anos de idade. Elas eram já conhecidas como as Irmãs Batistas, tendo adotado o sobrenome do pai no meio artístico. Florinda adotou o nome artístico de Linda Batista (Baptista na grafia da época).

Linda Batista começou a cantar na Rádio Cruzeiro do Sul em 1935, dividindo o microfone com estrelas do nível de Aracy Côrtes, apresentando-se também em eventos de caridade. Já nesse período, a imprensa já a saúda como cantora e compositora.


A Noite, 31 de agosto de 1935, p.02
http://memoria.bn.br/


Gazeta de Notícias, 21 de julho de 1935, p.17
http://memoria.bn.br/


O Imparcial, 04 de outubro de 1935, p.08
http://memoria.bn.br/


O Malho, 1935
http://memoria.bn.br/

Com a popularidade aumentando, Linda Batista seria eleita Rainha do Rádio em 1936, sendo reeleita rainha por onze anos consecutivos.


O Cruzeiro, 1936
http://memoria.bn.br/


Cinearte, 1936
http://www.bjksdigital.museusegall.org.br/


O Malho, 1936
http://memoria.bn.br/


O Malho, 1936
http://memoria.bn.br/


Rainha do Rádio, A Noite, 30 de janeiro de 1937
http://memoria.bn.br/

Gazeta de Notícias, 12 de fevereiro de 1937, p.08
http://memoria.bn.br/


Linda Batista fez uma bem sucedida excursão pelo Nordeste em 1937, estando em Fortaleza e outras capitais. Ela escreveu suas impressões sobre os lugares que ia conhecendo, sendo algumas delas publicadas na imprensa.

Sua primeira aparição no cinema foi em 1937, no filme da Cinédia O Carnaval de 1937. Em 1938, ela apareceria em Maridinho de Luxo, cantando Cangaceiro. Até 1960, ela apareceria em dezenas de filmes.


Correio da Manhã, 13 de fevereiro de 1937, p.16
http://memoria.bn.br/


Diário Carioca, 13 de fevereiro de 1937, p.10
http://memoria.bn.br/

Uma fato curioso na vida de Linda Batista se deu em 1937. Aos 18 anos incompleto, ou seja, ainda menor de idade, ela se enamorou do jovem Paulo Bandeira de Mello. Os dois fugiram para a Barra de Piraí, sendo o jovem acusado  pela família de Linda de a ter raptado. Os dois seriam obrigados a se casar em 31 de março de 1937, porém o casamento não durou muito.


O Imparcial, 26 de março de 1937, p.09
http://memoria.bn.br/


O Radical 26 de março de 1937, p.05
http://memoria.bn.br/


Diário Carioca, 26 de março de 1937, p.01
http://memoria.bn.br/


A Batalha, 31 de março de 1937, p.05
http://memoria.bn.br/

Sua estreia no disco se deu em 1938, ao lado de Fernando Alvarez, gravando pela Odeon, Churrasco, rumba de Djalma Esteves e Augusto Garcez e Chimarrão, rumba de Djalma Esteves. Ainda em 1938 gravaria, também com Fernando Alvarez, a marcha Oitava Maravilha, da autoria da própria Linda Batista, ano em que estreou nos Shows do Cassino da Urca.

Em 1939, Carmen Miranda, então a mais popular cantora do Brasil, foi para os EUA, onde iniciaria uma vitoriosa carreira internacional. O lugar deixado por Carmen seria, para muitos, ocupado por Linda Batista, cuja popularidade crescia de forma impressionante. Na década de 1940, ela era uma cantora vitoriosa, sendo requisitada no rádio, disco, shows em cassinos, como o Cassino da Urca (onde passou a atuar em 1938), cinema e em excursões, como o Show da Vitória (espetáculos realizados em várias partes do país, durante a II Guerra Mundial).


Gazeta de Notícias, 25 de abril de 1937, p.08
http://memoria.bn.br/


Gazeta de Notícias, 11 de fevereiro de 1937
http://memoria.bn.br/


O Cruzeiro, 1936
http://memoria.bn.br/


O Cruzeiro, 1938
http://memoria.bn.br/

Em 1943, ao deixar a Rádio Nacional, foi para a Rádio Tupi, recebendo dez contos de réis por mês, uma fortuna para a época.

O sucesso e a popularidade de Linda Batista continuaram ao longo da década de 1950, tendo ela lançado vários sucessos também nesse período. Ao longo dos anos 60, 70, novos talentos foram surgindo e a popularidade de Linda Batista foi decaindo. Afinal, infelizmente, em nosso país, ao invés de se valorizar o novo e o veterano a maioria das pessoas e dos meios de comunicação em massa preferem descartar quem está na estrada há mais tempo.

Dessa forma, as Irmãs Batistas foram sendo esquecidas e abandonadas. Felizmente, o cantor e fã José Ricardo as amparou, fazendo o que podia para que elas tivessem o mínimo de dignidade.

Linda Batista faleceu em 17 de abril de 1988, no Rio de Janeiro, pouco antes de completar 69 anos de idade.

Eu tinha 13 anos incompletos na ocasião de sua morte e lembro que pouco antes, em um jornal da televisão, uma reportagem mostrava várias roupas de shows, troféus e medalhas das Irmãs Batistas sendo vendidos, pois Linda, Dircinha e Odette estavam em sérias dificuldades financeiras.


Jornal do Brasil, 19 de abril de 1988












As Irmãs Batistas seriam homenageadas em 1998, no musical Somos Irmãs, de Sandra Werneck, dirigido por Ney Matogrosso. Suely Franco e Nicete Bruno viviam Linda Batista e Dircinha Batista.

No ano de centenário de Linda Batista, em 2019, a atriz e cantora Adriana Quadros lhe prestou uma homenagem com o espetáculo Adriana Quadros homenageia Linda Batista.

Já homenageamos Linda Batista em várias ocasiões, eis algumas:

Linda LINDA!: http://bit.ly/2XFjMnf

LINDA E ROSITA, um memorável encontro: http://bit.ly/2WAP5mu

LINDA BATISTA, 93 anos: http://bit.ly/2IbqSur

LINDA BATISTA e suas impressões do Norte e Nordeste: http://bit.ly/2IAXU65

LINDA BATISTA, A Estrela do Brasil I: http://bit.ly/2IAYqB3

LINDA BATISTA, A Estrela do Brasil II: http://bit.ly/2MLaViH

LINDA BATISTA E SEUS ETERNOS SUCESSOS: http://bit.ly/2ZntYRD

LINDA BATISTA canta LUPICÍNIO RODRIGUES: http://bit.ly/2IbUbg7

LINDA BATISTA INTERPRETA CHIQUINHO SALES: http://bit.ly/2wZymdD

LINDA BATISTA em um QUESTIONÁRIO INDISCRETO: http://bit.ly/2X5Zne2

LINDA BATISTA canta RISQUE: http://bit.ly/2Rbv1kO

LINDA BATISTA – 100 anos: http://bit.ly/2WFaPJk





Fotografias de Linda Batista

Fon Fon, 1935
http://memoria.bn.br/


O Malho, 1936
http://memoria.bn.br/

Carioca, 1936
Arquivo Nirez


Cinearte, 1938
http://www.bjksdigital.museusegall.org.br/


Cinearte, 1939
http://www.bjksdigital.museusegall.org.br/



O Cruzeiro, 1939
http://memoria.bn.br/


O Cruzeiro, 1940
http://memoria.bn.br/



O Radical, 28 de outubro de 1938, p.04
http://memoria.bn.br/



O Radical, 16 de novembro de 1938, p.04
http://memoria.bn.br/



Vídeos sobre Linda Batista


Linda Batosta canta Cangaceiro, 1938



Entrevista com Linda Batista




Linda Batista canta Vai que é Mole, 1959




Documentário sobre Linda Batista




Morte de Linda Batista




Gravações de Linda Batista
1938 - 1944


CHURRASCO
Rumba de Djalma Esteves e Augusto Garcez

Gravado por Fernando Alvarez e Linda Batista
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.631-A, matriz 5868
Gravado em 20 de junho de 1938 e lançado em agosto de 1938



CHIMARRÃO
Rumba de Djalma Esteves
Gravado por Fernando Alvarez e Linda Batista
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.631-B, matriz 5869
Gravado em 20 de junho de 1938 e lançado em agosto de 1938



OITAVA MARAVILHA
Marcha de Linda Batista
Gravada por Fernando Alvarez e Linda Batista
Acompanhamento de Vicente Paiva e Sua Orquestra
Disco Odeon 11.685-A, matriz 51
Gravado em 1938 e lançado em fevereiro de 1939



PASSEI NA PONTE
Marcha Conga de Ary Barroso
Gravada por Linda Batista
Acompanhamento da Orquestra de Louis Cole do Cassino Atlântico
Disco Victor 34.678-A, matriz 52009-1
Gravado em 25 de setembro de 1940 e lançado em novembro de 1940



DANÇA, MAS NÃO ENCOSTA
Samba de Roberto Roberti e Edgard Freitas
Gravado por Linda Batista
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 34.710-B, matriz 52084-2
Gravado em 18 de dezembro de 1940 e lançado em fevereiro de 1941



TUDO É BRASIL
Valsa de Vicente Paiva e Sá Róris
Gravado por Linda Batista
Acompanhamento de Garoto e Seus Garotos
Disco Victor 34.737-B, matriz 52151
Gravado em 13 de março de 1941 e lançado em maio de 1941



EU FUI À EUROPA
Samba Choro de Chiquinho Sales
Gravado por Linda Batista
Acompanhamento dos Diabos do Céu
Disco Victor 34.785-A, matriz S-052241
Gravado em 10 de junho de 1941 e lançado em agosto de 1941



BATUQUE NO MORRO
Samba de Russo do Pandeiro e Sá Róris
Gravado por Linda Batista
Acompanhamento dos Diabos do Céu
Disco Victor 34.814-B, matriz S-052328
Gravado em 13 de agosto de 1941 e lançado em outubro de 1941



SOU PATRIOTA
Samba de José Gonçalves e Arthur Costa
Gravado por Linda Batista
Acompanhamento de Luiz Americano e Seu Regional
Disco Victor 34.921-A, matriz 33436
Gravado em 27 de maio de 1940 e lançado em maio de 1942



AMÉLIA NA PRAÇA ONZE (AMÉLIA NA PRAÇA 11)
Samba Choro Herivelto Martins e Cícero Nunes
Gravado por Linda Batista
Acompanhamento de Luiz Americano e Seu Regional
Disco Victor 34.921-A, matriz S-052484
Gravado em 27 de fevereiro de 1940 e lançado em maio de 1942



DESPERTA BRASIL
Samba de Grande Otelo
Gravado por Linda Batista
Acompanhamento de Luiz Americano e Seu Regional
Disco Victor 80-0000-A, matriz S-052578-3
Gravado em 10 de julho de 1942 e lançado em outubro de 1942



A PÁTRIA ESTÁ TE CHAMANDO
Samba de Grande Otelo
Gravado por Linda Batista
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Regional
Disco Victor 80-0092-A, matriz S-052744-1
Gravado em 02 de abril de 1943 e lançado em julho de 1943



CASA DE CÔMODOS
Samba de Bucy Moreira e Carlos de Souza
Gravado por Linda Batista
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 80-0196-A, matriz S-052964-1
Gravado em 18 de maio de 1944 e lançado em agosto de 1944



TERRA DE IOIÔ
Samba de Russo do Pandeiro e Ari Monteiro
Gravado por Linda Batista
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 80-0196-B, matriz S-052965-1
Gravado em 18 de maio de 1944 e lançado em agosto de 1944



COITADO DO EDGAR
Samba de Benedito Lacerda e Haroldo Lobo
Gravado por Linda Batista
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 80-0248-A, matriz S-078084-1
Gravado em 06 de novembro de 1944 e lançado em janeiro de 1945














Agradecimento ao Arquivo Nirez










Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...