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quinta-feira, 9 de abril de 2020

RELEMBRANDO OLGA PRAGUER COELHO

OLGA PRAGUER COELHO
Carioca, 1936
Arquivo Nirez



Hoje, iremos relembrar a soprano, violonista, compositora e pesquisadora de folclore OLGA PRAGUER COELHO.


Olga Praguer Coelho nasceu em Manaus (AM), em 12 de agosto de 1909.

Iniciou-se na música através de sua mãe.

Sua família foi morar em Salvador no ano de 1920.

Em 1923, passaram a morar no Rio de Janeiro, em um casarão situado à Rua das Laranjeiras.

Olga passou a ter aulas de violão com o cantor e violonista Patrício Teixeira em 1927. Em 1929, ela estudaria sob a orientação do compositor Lorenzo Fernandez, tendo aula de teoria, harmonia e composição.

Patrício Teixeira levou Olga Praguer Coelho em 1928 para a Rádio Clube do Brasil.


OLGA PRAGUER COELHO
O Violão, 1929
Arquivo Nirez

Correio da Manhã, 07 de agosto de 1927
http://memoria.bn.br/



Diário Carioca, 13 de dezembro de 1928, p. 07
http://memoria.bn.br/


Diário Carioca, 20 de dezembro de 1928, p. 06
http://memoria.bn.br/


Revista da Semana, 1928
http://memoria.bn.br/


Para Todos, 1929
http://memoria.bn.br/

Em 1929 ela faria suas primeiras gravações em discos. Pela Odeon, ela registrou a embolada de motivo popular, A Mosca na Moça, e o samba do Norte, Sá Querida, de Celeste Leal Borges. Nessas gravações, Olga seria acompanhada pelos violões de Patrício Teixeira e Rogério Guimarães. Ela ainda gravaria outros discos pela Odeon, com composições, entre outros, de Olegário Mariano e Joubert de Carvalho.

Ela ingressaria, em 1932, no Instituto Nacional de Música, estudando novamente com Lorenzo Fernandez, diplomando-se em 1933. Então, passou a ter aulas de canto com Riva Pasternak e Gabriella Bezansoni.

Em 1935, Olga assinaria um contrato de exclusividade com a Rádio Tupi do Rio de Janeiro e São Paulo.

Ainda em 1935, ela faria muito sucesso em Buenos Aires, na mesma ocasião que Getúlio Vargas visitava o país.


Fon Fon, 1931
http://memoria.bn.br/



Fon Fon, 1931
http://memoria.bn.br/ 


O Cruzeiro, 1931
http://memoria.bn.br/




O Malho, 1931
http://memoria.bn.br/

Em 1936, ela gravaria alguns discos pela Victor, registrando peças datadas do século XVIII e XIX, como Róseas Flores, Virgem do RosárioHei de Amar-te até Morrer, Tirana, de motivo popular e adaptadas por ela própria; e modinhas, e exemplo de O Gondoleiro do Amor, versos de Castro Alves e música de Salvador Fábregas, e A Mulata, de Gonçalves Crespo, adaptada pela própria Olga.

Ainda em 1936, ela gravaria ao lado do tenor mexicano Pedro Vargas, registrando o lamento Canto de Expatriação, de Humberto Porto, e o acalanto Boi, boi, boi, de motivo popular, adaptado por Georgina Erisman. Nesse mesmo ano, o governo Vargas a indicou, como Embaixatriz do Brasil no Congresso Internacional de Folclore, realizado em Berlim, na Alemanha, onde ela teve a oportunidade de assistir às Olimpíadas daquele ano e o grande desprazer de estar perto de Hitler e Goebbels, experiência que ela detestou.


OLGA PRAGUER COELHO e PEDRO VARGAS
Carioca, 1936
Arquivo Nirez


Carioca, 1936
http://memoria.bn.br/


O Malho, 1936
http://memoria.bn.br/


O Malho, 1936
http://memoria.bn.br/
  
Em 1937, ela excursionou pela Europa, tendo aulas de canto com Rosner. Ao voltar, em 1938, apresentou-se no Teatro Cassino, em Copacabana, seguindo para a Bahia, onde foi homenageada.


O Malho, 1937
http://memoria.bn.br/


Em 1939, Olga Praguer Coelho estava em Lisboa, apresentando-se também na Austrália, Nova Zelândia e na África do Sul.

Em Lisboa, ainda em 1939, ela participaria do filme A Varanda dos Rouxinóis, dirigido por Leitão de Barros, cantando Virgem do Rosário. Moreira da Silva também participou desse filme, cantando Acertei no Milhar, porém, os artistas não se encontraram durante as gravações.




Ela se casaria com o poeta Gaspar Coelho, de que se separaria. Em 1944, Olga conheceria o violonista espanhol Andres Segovia, com que passou a viver. Ele lhe dedicou várias transcrições e arranjos de canto e violão. Ela passaria a residir em Nova York, com uma vitoriosa carreira internacional, frequentando a elite musical europeia, conhecendo grandes nomes.

Villa-Lobos era seu admirado e lhe dedicou Bachianas nº 5, feita especialmente para Olga, que contava com o apoio de Dª Mindinha, espoca de Villa-Lobos. Olga estreou essa peça musical com muito sucesso no Town Hall, em Nova York, com Segovia e Villa-Lobos na plateia.


Martha Eggerth, Jan Kiepura e Olga Praguer Coelho
Walkyrias, 1937
http://memoria.bn.br/

No ano de 1956, muitos jornais de diferentes nacionalidades destacaram a beleza de sua arte. Para o Le Figaro, ela “possuía uma bela voz, extraordinária musicalidade a serviço de um repertório único”. Pelo New York Time, recebeu crítica do famoso musicólogo americano Olin Downes, dizendo que “cantando Villa-Lobos, o legendário pássaro uirapuru brasileiro, Olga também toca seus acompanhamentos de guitarra com a maestria que aprendeu de Segovia. Um alcance extraordinário de voz e de repertório. A maior folclorista que este crítico já encontrou”.

Muito respeitada no exterior, Olga Praguer Coelho era pouco lembrada no Brasil. Ela mesmo me dizia que se eu quisesse conhecer sua carreira, encontraria muito material na biblioteca de Washington.

Apesar disso, ela gostava do Brasil e foi aqui que escolhe envelhecer.
Já idosa, passou a viver em um apartamento situado à Rua das Laranjeiras, exatamente no local onde um dia estava o casarão onde morou quando jovem. No hall do edifício havia uma fotografia da casa, fazendo alusão à sua ilustre moradora.


Olga Praguer Coelho
Propaganda do Leite de Rosas
A Noite Illustrada, 1934
Arquivo Nirez

Olga Praguer Coelho
Propaganda do Leite de Rosas
A Noite Illustrada, 1934
Arquivo Nirez


OLGA PRAGUER COELHO
Carioca, 1936
Arquivo Nirez

Por volta de 2004, Olga Praguer Coelho recebeu a medalha e o diploma de Honra ao Mérito por sua contribuição à nossa cultura. A homenagem foi uma iniciativa do então Ministro da Cultura Gilberto Gil, durante a presidência de Luís Inácio Lula da Silva.

Olga Praguer Coelho faleceu em 25 de fevereiro de 2008, aos 98 anos de idade.


OLGA PRAGUER COELHO
Arquivo Nirez



Meu encontro com Olga Praguer Coelho

Eu já mantinha contato por telefone com Olga Praguer Coelho desde o fim da década de 1990. Ficávamos vários minutos, quase uma hora, conversando sobre música, lembranças e artistas. Ela me falára sobre quando defendeu Helena de Magalhães Castro das críticas ferrenhas de Oscar Guanabarino. Também me falava sobre as diferenças das religiões afro-brasileiras pelas regiões do Brasil. Mesmo sendo Católica Apostólica Romana, como dizia, Olga Praguer pesquisava e gravava o que na época se designava por “Macumba”, o que eram cantos de religiões afro-brasileiras.

Em 2005, tive a grata satisfação de conhecer pessoalmente Olga Praguer Coelho. Foi um momento mágico, sem ter medo de parecer piegas com essa afirmação.

Ao ver, frente a mim, aquela senhora de cabelos brancos e porte elegante eu perdi a voz, literalmente. Fiquei de boca aberta e hipnotizado, tendo consciência de que eu estava diante de uma lenda viva da música mundial e que estava fazendo um papel esquisito.

Ela me olhava sem entender nada, sem saber o porquê de minha mudez. Depois, “recuperei os sentidos” e tivemos uma gostosa conversa sobre música popular brasileira e suas personalidades dos anos 20.

Ela mostrou lembrar dos vários idiomas que aprendeu, falando frases em várias línguas e também cantando Óia o Sapo, para mim.

Ainda pude ver a medalha e o diploma de Honra ao Mérito, que ela havia ganhado anos antes do Governo Federal.

Muito educada e atenciosa, ela ainda autografou uma agenda e posou ao meu lado para fotografias.

Foi uma experiência muito feliz!


OLGA PRAGUER COELHO e MARCELO BONAVIDES
Rio de Janeiro, 2005
Arquivo Marcelo Bonavides


OLGA PRAGUER COELHO e MARCELO BONAVIDES
Rio de Janeiro, 2005
Arquivo Marcelo Bonavides



Olga foi uma das principais intérpretes de nossa música brasileira e uma das melhores pesquisadoras/cantoras de nosso folclore. Ao lado de Elsie Houston, Stefana de Macedo, Helena de Magalhães Castro, Amélia Brandão Nery, Celeste Leal Borges e Jesy Barbosa foi uma das pioneiras pesquisadoras e divulgadoras do folclore brasileiro no Brasil e no Mundo ainda nos anos 20 do século passado.




Gravações de Olga Praguer Coelho


A MOSCA NA MOÇA
Embolada Popular
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Violão
Disco Odeon 10.514-A, matriz 3065
Lançado em dezembro de 1929



SÁ QUERIDA
Samba do Norte de Celeste Leal Borges
Gravado por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Violão
Disco Odeon 10.514-B, matriz 3106
Lançado em dezembro de 1929



ROSA ENCARNADA
Canção Uruguaia Popular
Gravada por Olga Praguer Coelho e Oralva
Acompanhamento de Violão
Disco Odeon 10.520-A, matriz 3066
Lançado em janeiro de 1930



ROSAS PORTEÑAS
Zamba Cancion de Eugenio Carrere e Alfredo A. Pelaia
Gravado por Olga Praguer Coelho e Oralva
Acompanhamento de Violão
Disco Odeon 10.520-B, matriz 3105
Lançado em janeiro de 1930



PUNTINHO BRANCO
Popular, com versos de Olegário Mariano
Gravado por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Violões
Disco Odeon 10.586-A, matriz 3064
Lançado em abril de 1930



MORENA
Popular, com versos de Guerra Junqueiro
Gravado por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Violões
Disco Odeon 10.586-B, matriz 3325
Lançado em abril de 1930



VESTIDINHO NOVO
Canção de Joubert de Carvalho
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Violões
Disco Odeon 10.652-A, matriz 3326
Lançado em agosto de 1930



RENÚNCIA
Canção de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Piano e Conjunto
Disco Odeon 10.652-B, matriz 3691
Lançado em agosto de 1930



RÓSEAS FLORES
Modinha Popular, adaptação de Olga Praguer Coelho
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Rogério Guimarães e João Nogueira aos Violões
Disco Victor 34.042-A, matriz 80024-1
Gravado em 29 de novembro de 1935 e lançado em abril de 1936







VIRGEM DO ROSÁRIO
Lundu Popular, adaptação de Olga Praguer Coelho
Gravado por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Rogério Guimarães e João Nogueira aos Violões
Disco Victor 34.042-B, matriz 80025-1
Gravado em 29 de novembro de 1935 e lançado em abril de 1936



CANTIGA INGÊNUA



Canção de Olga Praguer Coelho e Gaspar Coelho
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Pereira Filho e Luís Bittencourt aos Violões
Disco Victor 34.056-A, matriz 80119-1
Gravado em 13 de abril de 1936 e lançado em maio de 1936



BAIANA




Canção Típica da Bahia de Olga Praguer Coelho e Eduardo Tourinho
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento dos Irmãos Carolino com dois Violões
Disco Victor 34.056-B, matriz 80110-1
Gravado em 01 de abril de 1936 e lançado em maio de 1936



SERESTA



Serenata Típica Baiana de Georgina Erisman
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Pereira Filho e Luís Bittencourt aos Violões
Disco Victor 34.071-A, matriz 80118-1
Gravado em 13 de abril de 1936 e lançado em julho de 1936



CASINHA PEQUENINA



Canção Popular
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Pereira Filho e Luís Bittencourt aos Violões
Disco Victor 34.071-B, matriz 80136-1
Gravado em 22 de abril de 1936 e lançado em julho de 1936



HEI DE AMAR-TE ATÉ MORRER



Modinha Popular, arranjo de Olga Praguer Coelho
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Violões
Disco Victor 34.088-A, matriz 80179-1
Gravado em 30 de julho de 1936 e lançado em setembro de 1936



TIRANA



Modinha Popular, arranjo de Olga Praguer Coelho
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento do Conjunto Típico RCA Victor
Disco Victor 34.088-B, matriz 80180-1
Gravado em 30 de julho de 1936 e lançado em setembro de 1936



MURUCUTUTU



Canção de Embalo Popular, arranjo de Olga Praguer Coelho e Gaspar Coelho
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Pereira Filho ao Violão
Disco Victor 34.105-A, matriz 80130-1
Gravado em 17 de abril de 1936 e lançado em novembro de 1936



GONDOLEIRO DO AMOR



Modinha de Salvador Fábregas e Castro Alves
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Violões
Disco Victor 34.105-B, matriz 80181-1
Gravado em 30 de julho de 1936 e lançado em novembro de 1936



MULATA



Modinha do Século XIX de Gonçalves Crespo, adaptação de Olga Praguer Coelho
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento de Pereira Filho e Luís Bittencourt aos Violões
Disco Victor 34.325-A, matriz 80137-1
Gravado em 22 de abril de 1936 e lançado em junho de 1938



ESTRELA DO CÉU



Macumba do Norte, adaptação de Olga Praguer Coelho
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento do Conjunto Típico RCA Victor
Disco Victor 34.325-B, matriz 80182-1
Gravado em 30 de julho de 1936 e lançado em junho de 1938



CANTO DE EXPATRIAÇÃO
Lamento Negro de Humberto Porto
Gravado por Olga Praguer Coelho e Pedro Vargas
Acompanhamento de Conjunto Típico
Disco Victor 34.060-A, matriz 80148-1
Gravado em 28 de abril de 1936 e lançado em julho de 1936







BOI, BOI, BOI
Acalanto Baiano Popular, arranjo de Georgina Erisman
Gravado por Olga Praguer Coelho e Pedro Vargas
Acompanhamento de dois Violões
Disco Victor 34.060-B, matriz 80149-1
Gravado em 28 de abril de 1936 e lançado em julho de 1936


  
MODINHA
Canção Típica Brasileira de Manuel Bandeira e Jayme Ovalle
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento da própria Olga Praguer Coelho ao Violão
Disco Victor 39.144-A, matriz 39144
Gravado em 07 de outubro de 1941 e lançado em janeiro de 1942


  
ESTRELA DO MAR
Macumba de Jayme Ovalle
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento da própria Olga Praguer Coelho ao Violão
Disco Victor 39.144-B, matriz 39144B
Gravado em 07 de outubro de 1941 e lançado em janeiro de 1942



MEU LIMÃO MEU LIMOEIRO
Coco Popular, arranjo de Carolina Cardoso de Menezes e Olga Praguer Coelho
Gravado por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento da própria Olga Praguer Coelho ao Violão
Disco Victor 39.145-A, matriz 39145A
Gravado em 07 de outubro de 1941 e lançado em janeiro de 1942



QUANDO MEU PEITO...
Modinha Popular do Século XIX, arranjo de Olga Praguer Coelho
Gravada por Olga Praguer Coelho
Acompanhamento da própria Olga Praguer Coelho ao Violão
Disco Victor 39.145-B, matriz 39145B
Gravado em 07 de outubro de 1941 e lançado em janeiro de 1942














Agradecimento ao Arquivo Nirez










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