sexta-feira, 1 de maio de 2020

MÚSICAS E TRABALHO


Hoje, 01 de maio, marca a data do Dia do Trabalho.
Trago novamente uma postagem feita em 2012 onde abordo músicas e trabalho.



Em 01 de maio de 1886, em Chicado (EUA), milhares de trabalhadores saíram às ruas para protestar contra as desumanas condições de trabalho e a excessiva carga horária a qual eram submetidos, 13 horas diárias. Isso paralisou o país.

No dia 03, houve um confronto com a polícia, que se intensificou no dia seguinte, com a morte de alguns manifestantes. Esse acontecimento ficou conhecido como a Revolta de Haymarket.

Ao longo dos anos, o dia 01 de maio passou a ser considerado o marco da luta por melhores condições e uma jornada de 08 horas diárias.

A França foi o primeiro país a adotar a data, em 1919, seguida pela Rússia (1920).

No Brasil, a data passou a ser comemorada em 1924, durante o governo de Arthur Bernardes.



Abaixo, duas profissões de outrora.

O acendedor de lampiões que, com o surgimento da iluminação elétrica, veria sua profissão se extinguir.

Uma nova profissão que surgia era a do limpa-trilhos, garantindo que os bondes não descarrilhassem ou encontrassem obstáculos em seu trajeto.

É provável que vários acendedores de lampiões passariam a adotar a nova profissão, limpando os trilhos dos bondes.


Acendedor de Lampião
Nosso Século
Arquivo Marcelo Bonavides


Limpa-Trilhos
Nosso Século
Arquivo Marcelo Bonavides



Escolhi algumas músicas para falar sobre esse dia.
São profissões diferentes, citadas em algumas composições, ou simplesmente a negação da malandragem para abraçar a vida de trabalhador.




ME COMPRA YOYÔ
Cançoneta de Ernesto de Souza
Gravada por Senhorita Odette
Disco Zon - O - Phone X-622
Lançado em 1903

A rotina das Quitandeira é registrada nesta cançoneta de Ernesto de Souza. Desde os tempos da Colônia, as Quitandeiras vendiam frutas e demais comidas em seus tabuleiros pelas ruas das cidades. Geralmente, eram escravas ou ex-escravas que garantiam seu sustento através dessa profissão sendo, muitas vezes, perseguidas pelas autoridades.



A COZINHEIRA
Cançoneta
Gravada por Pepa Delgado
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia Record B-31, matriz 11.626
Lançado em 1912

Pepa Delgado, famosa atriz e cantora das primeiras décadas do século XX, gravou essa cançoneta.
Provavelmente fazia parte de alguma peça e retrata uma cozinheira de mão cheia, sem rival, que sabia preparar todos os quitutes apreciados por seus patrões.



VADIAGEM
Samba de Francisco Alves
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.307-A, matriz 2230
Lançado em janeiro de 1929


VADIAGEM
Samba de Francisco Alves
Gravado por Ignácio Guimarães Loyola
Acompanhamento da Orquestra Typica Pixinguinha-Donga
Disco Parlophon 12.968-A, matriz 2412
Lançado em junho de 1929

Francisco Alves compôs esse samba falando sobre o malandro que abandona a vadiagem para se dedicar ao trabalho. Como prêmio, fora a vida honesta, ele recebe os carinhos de sua mulher. Trago as gravações de Mário Reis e Ignácio Guimarães Loyola.



GARIMPEIRO DO RIO DAS GARÇAS
Samba Canção de João de Barro
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.034-A, matriz 4688
Gravado em 13 de junho de 1933 e lançado em julho de 1933

Este belo samba canção de João de Barro, retrata a lida dos Garimpeiros. De forma romantizada, porém, com tons realistas, a música mostra o sonho e objetivo do profissional, de encontrar pedras preciosas.



SEU CONDUTOR
Marcha de Alvarenga, Ranchinho e Herivelto Martins
Gravada por Alvarenga e Ranchinho
Acompanhamento dos Mosqueteiros da Folia e o Grupo da Odeon
Disco Odeon 11.548-A, matriz 5704
Gravado em 09 de novembro de 1937 e lançado em dezembro de 1937

O Condutor de Bonde é retratado nesta interessante marcha.
Mesmo quando os bondes eram à tração animal, havia o Condutor que o guiava pela cidade. Ao chegarem os bondes elétricos, os Codutores passaram a assumir o mesmo lugar, com algumas mudanças no procedimento de locomover os vagões.



PROFESSORA
Samba de Benedito Lacerda e Jorge Faraj
Gravado por Sílvio Caldas
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto Regional
Disco Odeon 11.608-A, matriz 5595
Gravado em 08 de junho de 1937 e lançado em junho de 1938

Bem cedo os trabalhadores pegavam bondes e trens e iam a seus destinos diários. Entre eles, uma professora que despertou a paixão de um boêmio. Enquanto ela iniciava o dia, indo ao trabalho, ele pegava o mesmo trem, voltando da orgia.



O BONDE DE SÃO JANUÁRIO
Samba de Ataulfo Alves e Wilson Batista
Gravado por Cyro Monteiro
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 34.691-A, matriz 52022-1
Gravado em 18 de outubro de 1940 e lançado em dezembro de 1940

Durante o Estado Novo (1937-1945), o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), orientado por Getúlio Vargas, procurava valorizar a imagem do trabalhador brasileiro, pois isso mostrava como o País estava se desenvolvendo, gerando propaganda positiva ao Governo. Os compositores eram orientados a criar músicas e versos que enaltecessem o trabalho. Nada de apologia da malandragem ou boemia, como antes. A figura do malandro, antes tão cantada e admirada, era agora marginalizada na música popular.
Nessa linha, Ataulfo Alves e Wilson Batista compuseram o samba Bonde de São Januário.



PESCARIA
Cena Praieira de Dorival Caymmi
Gravado pelo Trio de Ouro
Disco Odeon 12.458-A, matriz 7556
Gravado em 04 de maio de 1944 e lançado em junho de 1944

Dorival Caymmi compôs belas cançoes sobre o mar e os pescadores. Nesta canção, o Trio de Ouro só embeleza ainda mais uma cena praieira no cotidiano dos Pescadores.



TRABALHO
Samba de Lupcínio Rodrigues e Felisberto Martins
Gravado por Ataulfo Alves
Acompanhamento de Suas Pastoras, Jacob e Seu Conjunto
Disco Odeon 12.536-B, matriz 7691
Gravado em 25 de outubro de 1944 e lançado em janeiro de 1945

 Ataulfo Alves e Suas Pastoras cantam o samba Trabalho, gravado no final do Estado Novo, onde imperava a valorização do Trabalho sobre a Malandragem, incentivando vários sambas que exaltassem o trabalhador.



PEDREIRO VALDEMAR
Marcha de Roberto Martins e Wilson Batista
Gravado por Blecaute
Acompanhamento de Severino Araújo e Sua Orquestra
Disco Continental 15.982-A, matriz 1985
Gravado em 15 de outubro de 1948 e lançado em janeiro de 1949

Muitos pedreiros constroem casas, prédios, mas, nem sempre tem um lugar decente para morar ou podem entrar nos edifícios que eles construíram, depois da obra terminada. Essa desigualdade de classes foi cantada por Blecaute.



MARIA CANDELÁRIA
Marcha de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti
Gravada por Blecaute
Acompanhamento de Severino Araújo e Sua Orquestra Tabajara
Disco Continental 16.502-A, matriz C-2760
Gravado em outubro de 1951 e lançado em janeiro/fevereiro de 1952

No oposto está uma alta funcionaria. Ocupando um cargo público, pago por Valdemar e Zé Marmita, e todos nós, Maria Candelária vive na mordomia e não conhece trabalho, “caindo na letra O”, o mais alto cargo do funcionalismo público de então. Nem todos são assim, óbvio, mas a música é um exemplo de como a malandragem largou as ruas e invadiu parte das repartições públicas.

  

ZÉ MARMITA
Samba de Brasinha e Luís Antônio
Gravado por Marlene
Acompanhamento de Zimbres e Sua Orquestra
Disco Continental 16.670-A, matriz C-2989
Gravado em 1952 e lançado em janeiro de 1953

Outro operário que precisa acordar de madrugada para trabalhar. Aqui, enfrentando as dificuldades para se chegar ao emprego, com as sobras do jantar, ele esquece tudo jogando bola. Creio que hoje muitas pessoas não esqueçam suas realidades e lutam para melhorá-las. Mas, algumas ainda podem buscar o bate bola de meia ou algo parecido para esquecer de tudo. Creio que o personagem da música seja apresentado como simplório e acomodado. Felizmente, hoje as coisas mudaram um pouco e muitos abrem os olhos.


















Agradecimento ao Arquivo Nirez










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