domingo, 30 de agosto de 2020

RELEMBRANDO DALVA DE OLIVEIRA - 48 ANOS DE SAUDADE

DALVA DE OLIVEIRA
O Malho, 1939
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Há 48 anos falecia DALVA DE OLIVEIRA, A Rainha da Voz.

Vicentina de Paula Oliveira nasceu em Rio Claro (SP), em 05 de maio de 1917.


Filha mais velha de Mário de Oliveira e Alice do Espírito Santo, tinha as irmãs Nair, Margarida e Lila. Ainda teve um irmão, que morreu na infância. Seu pai, também conhecido como Mário Carioca, era marceneiro e nas horas vagas tocava clarinete e realizava serenatas com os amigos músicos. A pequena Vicentina gostava de acompanhar o grupo.

Quando seu pai faleceu, ela tinha apenas oito anos de idade e a família passou por dificuldades. A mãe teve que trabalhar como governanta e as filhas ficaram em um internato.

Após alguns empregos, inclusive com a participação de Vicentina, sua mãe vai morar no Rio de Janeiro em 1934, levando as filhas. Nessa época, já se chamando Dalva, já tinha algum contato com o meio artístico.


DALVA DE OLIVEIRA
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez


No Rio de Janeiro, trabalhando como costureira numa fábrica de chinelos, foi um dia ouvida por um dos proprietários, Milton Guita, o cantor Milonguita, que era diretor da Rádio Ipanema (atual Mauá). Foi aprovada em um teste e depois se transferiu para as rádios Sociedade e Cruzeiro do Sul. Passou pela Rádio Phillips e Ipanema, até conseguir trabalho na Rádio Mayrink Veiga.



Gazeta de Notícias, 19 de setembro de 1935, p.10
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A Batalha, 26 de outubro de 1935
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O diretor da rádio, Adhemar, levou-a para conhecer o maestro Gambardella que, mesmo achando que ela tinha potencial para se tornar uma cantora lírica, aconselhou-a a usar a voz para o canto popular; uma vez que a carreira lírica no Brasil era muito difícil, mais seguida por pessoas ricas.



DALVA DE OLIVEIRA
Revista da Semana, 1936
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DALVA DE OLIVEIRA
Carioca, 1936
Arquivo Nirez




Trabalhou com Jayme Costa e também na Casa de Caboclo, ao lado de Jararaca e Ratinho, Ema D ´Avila, entre outros. Em São Cristóvão, em um teatro regional, apresentava-se imitando a atriz Dorothy Lamour.

Foi aí que conheceu o cantor e compositor Herivelto Martins que, na época, formava uma dupla com Nilo Chagas, a Dupla Preto e Branco. Ela e Herivelto começaram a namorar ao mesmo tempo que ele a convidou para atuar ao lado da dupla, apresentando-se no Teatro Fênix, de Paschoal Segreto.



A Batalha, 05 de agosto de 1936, p.04
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O Malho 1939
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No início o grupo se chamava Dalva de Oliveira e a Dupla Preto e Branco. Porém, o radialista César Ladeira sugeriu para que trocassem pelo nome Trio de Ouro. Foram contratados pela Rádio Mayrink Veiga e gravaram seu primeiro disco em 1937, trazendo no lado A o batuque indígena de Príncipe Pretinho, Itaquarí; e no lado B, a marcha sinfônica com trechos de melodia de Carlos Gomes e Príncipe Pretinho, Cecy e Pery.


Revista da Semana, 1937
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Nessa época, Dalva estava grávida e o público pedia que se fosse menino se chamasse Pery e, se caso menina, Cecy. Assim, ao nascer, Dalva batizou seu filho de Pery, que seria o futuro cantor Pery Ribeiro. Ela e Herivelto também teriam outro filho, Ubiratã.


Revista da Semana, 1937
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Em 1938 transferiram-se para a gravadora Odeon. Porém, Dalva também gravou algumas músicas na Columbia ao lado de Francisco Alves.

O sucesso do Trio de Ouro tornava seus integrantes populares, apresentando-se em cassinos, rádios, shows e no cinema.


Em 1945, Dalva de Oliveira gravou com Carlos Galhardo e Os Trovadores, na Continental, a adaptação de João de Barro para a história Branca de Neve e os Sete Anões, com músicas de Radamés Gnatalli.

A cantora gravou algumas músicas sozinha nos anos 40 e em 1947, gravou o samba canção Segredo, da autoria de Herivelto Martins e Marino Pinto, foi um grande sucesso. Nesse ano, porém, as brigas de Dalva e Herivelto aumentaram, fazendo o casamento de deteriorar.


Mesma historia” (marcha) e “Menina de vestido branco” (mazurka) formam um disco da Columbia, gravado por Dalva de Oliveira, com o regional de Benedicto Lacerda. Uma bôa gravação, que patenteia as qualidades da voz dessa esplendida interprete. A marcha é de Benedicto Lacerda e Herivelto Martins. A mazurka é de Principe Pretinho”.
Fon Fon, 1940
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Dalva saiu do Trio de Ouro em 1949, durante uma excursão com a Companhia de Dercy Gonçalves pela Venezuela. A partir de então, iniciou uma carreira solo. O casamento também havia terminado. Ela ficaria mais um ano na Venezuela, apresentando-se ao lado do maestro Vicente Paiva.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1950, a gravadora Odeon a rejeitou, pois não acreditava no sucesso de sua carreira solo. Vicente Paiva, que era um dos diretores artísticos da gravadora, porém, interveio em seu favor dizendo que se o samba Tudo Acabado, de J. Piedade e Osvaldo Martins não fizesse sucesso, ele se demitiria.

O samba foi um grande sucesso na voz de Dalva de Oliveira e iniciou uma duradoura batalha musical entre ela e Herivelto Martins, que usavam a música para se acusarem mutuamente pelo fracasso do casamento. Isso rendeu várias músicas de sucesso e a carreira de Dalva só aumentava o prestígio.

Em 1951 foi eleita Rainha do Rádio e, com os sucessivos sucessos no disco, excursionou por vários países, inclusive Londres, onde gravou várias músicas acompanhada pela Orquestra de Roberto Inglez e chegou a se apresentar para a rainha Elizabeth II.

Dalva de Oliveira seguiu sua carreira com sucesso, apresentando-se em rádios, fazendo shows e TV. Em 1970, emplacou mais um sucesso, Bandeira Branca, de Max Nunes e Laércio Alves.

Dalva faleceu em 1972, em 30 de agosto, no Rio de Janeiro.

Várias homenagens têm sido feitas a ela desde então.

A partir de 1987, o selo Revivendo relançou várias músicas de Dalva de Oliveira em Lp.

Em janeiro de 2010, a Rede Globo apresentou a minissérie Dalva e Herivelto, que contava a vida de Dalva de Oliveira ao lado de Herivelto Martins. Eles foram interpretados por Adriana Esteves e Fábio Assumpção.



DALVA DE OLIVEIRA
Anos 30
Arquivo Nirez




Correio da Manhã
31 de agosto de 1971, p.01
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Correio da Manhã
31 de agosto de 1971, p.17
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Jornal do Brasil, 31 de agosto de 1972, p.01
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Jornal do Brasil, 31 de agosto de 1972, p.26
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Jornal do Brasil, 01 de setembro de 1972, p.24
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Primeiro Disco



ITAQUARY 
Batuque Indígena de Príncipe Pretinho
Gravado pelo Trio de Ouro
Acompanhamento dos Boêmios da Cidade
Disco Victor 34.206-A, matriz 80512-1
Gravado em 01 de julho de 1937 e lançado em setembro de 1937




 
CECY E PERY
Marcha Sinfônica da autoria de Príncipe Pretinho, sob motivos melódicos da ópera Il Guarany de Carlos Gomes
Gravado pelo Trio de Ouro
Acompanhamento dos Boêmios da Cidade
Disco Victor 34.206-B, matriz 80513-1
Gravado em 01 de julho de 1937 e lançado em setembro de 1937 



Gravações Solo



NOITES DE JUNHO
Marcha de João de Barro e Alberto Ribeiro
Acompanhamento de Benedito Lacerda e seu Conjunto Regional
Disco Columbia 55.074-B, matriz 164-2
Gravado em 19 de junho de 1939 e lançado em julho



MESMA HISTÓRIA
Marcha de Benedito Lacerda e Herivelto Martins
Acompanhamento de Benedito Lacerda e seu Conjunto Regional
Disco Columbia 55.218-A, matriz 285
Gravado em 24 de maio de 1940 e lançado em junho



MENINA DE VESTIDO BRANCO
Mazurca de Príncipe Pretinho
Acompanhamento de Benedito Lacerda e seu Conjunto Regional
Disco Columbia 55.218-B, matriz 286
Gravado em 24 de maio de 1940 e lançado em junho



CAÇADOR DE ESMERALDAS
Marcha de Rancho de Osvaldo Santiago e Humberto Porto
Acompanhamento de Fon Fon e Sua Orquestra
Disco Columbia 55.252-A, matriz 345-2
Gravado em 11 de novembro de 1940 e lançado em dezembro



ESTRELA D´ALVA
Marcha de Castro Barbosa e Herivelto Martins
Acompanhamento de Fon Fon e Sua Orquestra
Disco Columbia 55.254-A, matriz 344-1
Gravado em 11 de novembro de 1940 e lançado em dezembro



GRANDE DESILUSÃO
Marcha Rancho de Jaime Florence “Meira” e J. Morais
Acompanhamento de Fon Fon e Sua Orquestra
Disco Odeon 12.275-A, matriz 7190
Gravado em 26 de janeiro de 1943 e lançado em março



CORAÇÃO DE MULHER
Marcha Rancho de Humberto Porto e Mário Rossi
Acompanhamento de Fon Fon e Sua Orquestra
Disco Odeon 12.275-B, matriz 7191
Gravado em 26 de janeiro de 1943 e lançado em março



SALVE DEZENOVE DE ABRIL
Samba de Benedito Lacerda e Darci de Oliveira
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto
Disco Odeon 12.306-B, matriz 7247
Gravado em 01 de abril de 1943 e lançado em maio



BABALU
De Margarita Lecuona em versão em samba de Humberto Porto
Acompanhamento de Radamés Gnatali e Sua Orquestra
Disco Odeon 12.379-A, matriz 7396
Gravado em 07 de outubro de 1943 e lançado em novembro



SINA TRISTE
Lamento de Humberto Porto e Áureo Alves Pineschi
Acompanhamento de Radamés Gnatali e Sua Orquestra
Disco Odeon 12.379-B, matriz 7397
Gravado em 07 de outubro de 1943 e lançado em novembro



SIMPLICIDADE
Canção Estilizada de Bob Silva
Acompanhamento de Abel e Sua Orquestra
Disco Odeon 12.617-A, matriz 7839
Gravado em 23 de maio de 1945 e lançado em setembro



SEGREDO
Samba de Herivelto Martins e Marino Pinto
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 12.792-A, matriz 8218
Gravado em 06 de maio de 1947 e lançado em julho



QUARTO VAZIO
Samba de Herivelto Martins
Acompanhamento de Chica-Chuca e Seu Conjunto
Disco Odeon 12.919-A, matriz 8405
Gravado em 23 de agosto de 1948 e lançado em março de 1949



NOSSAS VIDAS
Samba de Herivelto Martins
Acompanhamento de Chica-Chuca e Seu Conjunto
Disco Odeon 12.919-B, matriz 8406
Gravado em 23 de agosto de 1948 e lançado em março de 1949



OLHOS VERDES
Samba de Vicente Paiva
Acompanhamento de Orquestra
Disco Odeon 13.002-A, matriz 8650-1
Gravado em 11 de março de 1950 e lançado em maio



TUDO ACABADO
Samba de J. Piedade e Osvaldo Martins
Acompanhamento de Orquestra
Disco Odeon 13.002-B, matriz 8652
Gravado em 11 de março de 1950 e lançado em maio



SERTÃO DE JEQUIÉ
Toada de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti
Acompanhamento de Osvaldo Borba e Sua Orquestra
Disco Odeon 13.022-A, matriz 8697
Gravado em 09 de maio de 1950 e lançado em julho



QUE SERÁ?
Bolero de Marino Pinto e Mário Rossi
Acompanhamento de Osvaldo Borba e Sua Orquestra
Disco Odeon 13.022-B, matriz 8651-1
Gravado em 11 de março de 1950 e lançado em julho



ERREI SIM
Samba de Ataulfo Alves
Acompanhamento de Osvaldo Borba e Sua Orquestra
Disco Odeon 13.039-A, matriz 8728
Gravado em 17 de julho de 1950 e lançado em setembro



SEGUNDO ANDAR
Samba de Alvarenga e Ranchinho
Acompanhamento de Osvaldo Borba e Sua Orquestra
Disco Odeon 13.039-B, matriz 8729
Gravado em 17 de julho de 1950 e lançado em setembro

















Agradecimento ao Arquivo Nirez













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