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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Estrelas retratadas


A minissérie Dalva e Herivelto - Uma canção de Amor, citou e mostrou algumas estrelas internacionais.






Dalva fazia imitação de Dorothy Lamour, a Garota do Sarongue. Dorothy foi um dos grandes nomes de Hollywood, estrelando filmes como O Furacão, de 1937.




















Outra estrela apresentada rapidamente, no Cassino da Urca, foi Josephine Baker. A cantora americana, naturalizada francesa, foi um dos maiores nomes da musica mundial a partir da década de 1920. Josephine ousou ao se apresentar, no início do século passado, usando apenas com um saiote de bananas.

Era uma das principais atrações das melhores casas de shows do mundo.

Esteve aqui no Brasil várias vezes. Uma delas, em 1929 ficou encantada com nossa cantora Aracy Côrtes e seus sambas; aplaudindo Aracy anos depois, em Paris.

Em 1939, fez temporada no Cassino da Urca, ao lado de Grande Othelo, cantando músicas do repertório de Carmen Miranda, que já estava nos EUA.
Entre as músicas que Josephine gravou está O Que é Que a Baiana Tem?, de Dorival Caymmi, com o título de Baiana.








Dalva e Herivelto: Os anos 30

No começo de sua carreira, Herivelto Martins fez parte do Conjunto Tupy, liderado por J. B. de Carvalho.

Eles gravavam musicas de umbanda e folclore.
Participavam também as cantoras Yolanda Osório e Zaíra de Oliveira, e o cantor Francisco Sena.

Com Francisco formou a Dupla Preto e Branco, em 1933. Com a morte do amigo, Herivelto conheceu o cantor Nilo Chagas e com ele formou a nova Dupla Preto e Branco.




Yolanda Osório e Herivelto Martins, início dos anos 30.

Entre os sucessos do Conjunto Tupy está Cadê Vira-Mundo.
Esse batuque de J. B. de Carvalho fez tanto sucesso que foi gravado por Xavier Cugat.
O pesquisador Abel Cardoso junior afirmava também que havia sido incluso em um filme norte americano.


Com Nilo Chagas e a cantora Dalva de Oliveira, Herivelto formou o Trio de Ouro. A primeira gravação do conjunto foi o batuque indígena Itaquari e a marcha sinfônica Cecy e Pery, em 1937.
Essa marcha foi feita com alguns trechos da melodia de Il Guarany, de Carlos Gomes.
Dalva de Oliveira brilha no contracanto melódico.


Ouçam:
Cadê Vira-Mundo - Batuque de J. B. de Carvalho - Gravado na Victor pelo Conjunto Tupy em 08 de julho de 1931.




Quatro Horas - Samba de Francisco Sena e Herivelto Martins - Gravado na Odeon pelos autores, a primeira formação da Dupla Preto e Branco, em 22 de março de 1934.




Itaquary - Batuque Indígena de Príncipe Pretinho - Gravação Victor do Trio de Ouro, acompanhados dos Boêmios da Cidade, em 01 de julho de 1937. É o lado A de Cecy e Pery.




Cecy e Pery - Marcha Sinfônica da autoria de Príncipe Pretinho, sob motivos melódicos da ópera Il Guarany, de Carlos Gomes. Gravação Victor do Trio de Ouro, acompanhados dos Boêmios da Cidade, em 01 de julho de 1937.





Agradecimentos ao Arquivo Nirez.






Dalva e Herivelto - Uma Canção de Amor


Ontem, dia 04 de janeiro, estreou a minissérie Dalva e Herivelto - Uma Canção de Amor.

Um primor de produção e interpretações. Adriana Esteves interpreta Dalva e prova, mais uma vez, ser uma grande atriz; desempenhando com louvor papéis cômicos e dramáticos. Sua Dalva tem carisma e encanta. Fábio Assumpção, como Herivelto, não fica atrás. é um ótimo ator que se entrega ao personagem com paixão e intensidade.

A produção caprichou na reconstituição dos anos 30. Faço poucas observações, mas, entendendo que não se trata de um documentário. Em 1925, a música Meiga Flor ainda não havia sido lançada. Só em 1928 é que surgiria Linda Flôr, que seria a primeira versão de Meiga Flôr e, posteriormente, Yayá (Ai, Yoyô). Não creio que tenha sido descuido, e sim, uma licença poética. Muito bem empregada, por sinal! Dalva seguiu a escola de canto de Aracy Côrtes, usando sua voz de soprano para cantar música popular como também faria Odette Amaral, contemporânea das duas; e o carro-chefe de Aracy era justamente Ai, Yoyô.

Gostei de ver um destaque ao cantor Nilo Chagas, em uma boa interpretação de Maurício Xavier.

Senti falta, mas por ser fã, da menção ao Conjunto Tupy, do qual Herivelto fez parte no começo dos anos 30, ao lado de J. B. de Carvalho, Yolanda Osório, Zaíra de Oliveira e Francisco Sena. Esse conjunto era especializado em interpretar músicas de umbanda, um maravilhoso material! Mas, entendo que nem todas as informações cabem em uma história, haveriam muitos focos.

Os shows estão lindos e é MARAVILHOSO ouvir Música Popular Brasileira como tema central em uma superprodução. As chamadas da minissérie, ao som de Adeus Estácio, já são antológicas. A regravação das músicas, respeitando os arranjos originais, estão perfeitas. Em alguns momentos, confundem-se com as gravações dos anos 30, de tão esmeradas. Fábio Assumpção mostra ter bela voz e, se não explorou o lado ator-cantor, deveria fazê-lo. A cantora que dá voz à Dalva (no qual Adriana faz a dublagem) tem semelhanças com nossa Diva e possui uma linda voz, ao estilo das cantoras da época. E volto a mencionar Meiga Flôr, cuja voz e interpretação da garotinha está muito bonita. linda voz!

Muito emocionante os pequenos e grandes detalhes, como a aparição da famosa Josephine Baker e a participação, na história, de Linda e Dircynha Batista, Francisco Alves, Benedicto Lacerda, Grande Othelo, só para citar alguns. A caracterização de Cláudia Netto, como Linda Batista impressiona, devido à semelhança.

A minissérie estreou agradando em cheio e promete mais emoções no decorrer da semana.

Aguardamos ansiosos!
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