domingo, 5 de agosto de 2018

CARMEN MIRANDA - 63 ANOS DE SAUDADE

CARMEN MIRANDA
Arquivo Nirez



Há 63 anos falecia a cantora CARMEN MIRANDA, nossa eterna Pequena Notável.

Maria do Carmo da Cunha Miranda nasceu em Portugal, no dia 09 de fevereiro de 1909, sendo filha de Maria Emília e José Maria. Veio para o Brasil com a mãe e a irmã mais velha, Olinda, com pouco mais de um ano. No Rio de Janeiro, a família aumentaria, com o nascimento de Cecília, Amaro, Aurora e Oscar.

Chamada entre os íntimos de Carmen, a garota estudou em colégio de freiras durante a infância. Na adolescência, passou a trabalhar em lojas de modas, onde chamava a atenção de todos por sua simpatia e bela voz, pois gostava de cantar enquanto trabalhava.

Em meados da década de 1920, sua mãe mantinha uma pensão na Travessa do Comércio, no Centro do Rio de Janeiro, enquanto seu pai era barbeiro. Na pensão almoçavam vários artistas, entre eles, o compositor e violonista baiano Josué de Barros. Seria Josué o descobridor e padrinho artístico da futura cantora.

Como Carmen Miranda, ela começou a cantar em festas e reuniões, fazendo sua estreia profissional em 07 de janeiro de 1929 (data descoberta pelo amigo e pesquisador Luiz Antônio de Almeida), em um evento que homenageava o compositor Ernesto Nazareth. Uma foto histórica foi publicada na revista O Violão, de fevereiro de 1929, reunindo vários artistas como o homenageado Ernesto Nazareth, Breno Ferreira, Josué de Barros e ainda Carmen e sua irmã Aurora Miranda, com apenas 13 anos de idade. Aurora também se tornaria cantora e seria uma das mais famosas artistas brasileiras a partir da década de 1930.

Carmen Miranda estava atenta ao que se produzia em música e era admiradora dos grandes cartazes musicais de sua época. Ela cantava as canções em destaque e fazia imitações de artistas. Sua melhor imitação era a de Aracy Côrtes, onde cantava Chora Violão e Yayá (Linda Flôr). Percebendo seu potencial, Josué de Barros a levou para a gravadora Brunswick, onde ela fez sua primeira gravação em disco, registrando músicas do próprio Josué: de um lado, o choro Se o Samba é Moda, e do outro o samba Não Vá Simbora, ambos acompanhados pelo Trio Barros.

Como o disco demoraria a ser lançado ele a levou para um teste na gravadora Victor. Passando no teste, Carmen Miranda começou a fazer suas primeiras gravações em dezembro de 1929, com os discos sendo lançados em janeiro de 1930. As primeiras músicas que Carmen Miranda gravou na Victor, em 04 de dezembro de 1929, foram: Triste Jandaya, canção toada de Josué de Barros, e Dona Balbina, samba também de Josué de Barros; em ambas as músicas ela foi acompanhada pelos violões de Josué e de Rogério Guimarães, compositor, violonista e diretor artístico da Victor.

Carmen Miranda chamou logo a atenção do público e da crítica com seu jeito especial de cantar. Parecia que falava diretamente com o ouvinte, demostrando imensa alegria por estar cantando para ele. No final de janeiro de 1930, especificamente no dia 27, ela gravava seu primeiro grande sucesso, a marcha do médico e compositor Joubert de Carvalho, feita especialmente para ela, P´ra Você Gostar de Mim, que ficou conhecida como Taí, sendo o disco lançado em fevereiro de 1930.

A partir de então Carmen Miranda começou a conquistar cada vez mais fãs, tornando-se a maior cantora popular brasileira dos anos 30, fazendo sucesso no disco, rádio, cassinos, shows e nos filmes musicais. Em 1935 passou a gravar na Odeon, também lançando músicas inesquecíveis, como Na Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e O Que é Que a Baiana Tem?, de Dorival Caymmi.

Carmen Miranda excursionou bastante pelo Nordeste e Sul do Brasil, bem como fazendo várias temporadas na Argentina, onde era muito querida. Em 1939, quando adotou a fantasia de baiana, embarcou em uma turnê nos EUA, estreando com sucesso na Broadway. Retornou por uns meses aos Brasil em 1940, onde gravou mais alguns discos, despedindo-se com um show onde rebatia as críticas de que havia se americanizado.

Só retornaria ao Brasil em 1954. Nesses quatorze anos, estrelou vários filmes em Hollywood, ficando mundialmente conhecida e chegando a ser a artista mais bem paga dos EUA. Sua popularidade era imensa, o que a levava a fazer muitos shows em teatros, cassinos e na televisão, fora as viagens pelo mundo, o que a deixava extremamente exausta.

Foi em meio a uma crise de exaustão, acompanhada a uma forte depressão, que Carmen Miranda retornou ao Brasil em 1954, sendo bem recebida por todos, colegas, crítica e pelo público. Após alguns meses, tendo melhorado bastante, ela retornaria aos EUA, continuando a estafante carreira.

Enquanto apresentava um show de televisão ao lado de Jimmy Durante, Carmen passou mal e, pela gravação, podemos vê-la quase cair e dizer que estava sem ar. Mesmo assim, ela terminou a gravação e foi para casa, comemorar com a família e amigos.

Porém, horas depois, quando foi dormir, ela sofreu um infarto fulminante, falecendo na madrugada do dia 05 de agosto de 1955, aos 46 anos.

Ela seria enterrada no Brasil, no Rio de Janeiro, em um dos mais concorridos velórios e enterros que o país já viu. Mesmo depois de tantos anos longe do Brasil, o público não a esqueceu e chorou quando, acompanhando o cortejo para o cemitério São João Batista, cantava seus sucessos.

Passados 63 anos de sua partida, Carmen Miranda ainda continua viva na lembrança de seus inúmeros fãs e a cada geração vai conquistando mais admiradores. Sua imagem de alegria contagiante, aliada a um carisma único, ainda irá cativar muitas pessoas pelas décadas seguintes.


Para relembrar Carmen Miranda apresento 30 gravações realizadas por ela entre 1929 e 1939, na Brunswick, Victor e Odeon.



BRUNSWICK


Carmen Miranda, 1930
http://memoria.bn.br




SE O SAMBA É MODA
Choro de Josué de Barros
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Trio Barros
Disco Brunswick 10.013-A, matriz 97
Lançado em janeiro de 1930



NÃO VÁ SIMBORA
Samba de Josué de Barros
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Trio Barros
Disco Brunswick 10.013-B, matriz 99
Lançado em janeiro de 1930



VICTOR


Carmen Miranda, 1930
http://memoria.bn.br



TRISTE JANDAYA
Canção toada de Josué de Barros
Gravada por Carmen Miranda
Acompanhamento dos violões de Rogério Guimarães e Josué de Barros
Disco Victor 33.249-A, matriz 50134-2
Gravado em 04 de dezembro de 1929 e lançado em janeiro de 1930



DONA BALBINA
Samba de Josué de Barros
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento dos violões de Rogério Guimarães e Josué de Barros
Disco Victor 33.249-B, matriz 50135-1
Gravado em 04 de dezembro de 1929 e lançado em janeiro de 1930





MAMÃE NÃO QUER
Samba Canção de A. de Carvalho
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Choro Victor
Disco Victor 33.263-A, matriz 50162-2
Gravado em 22 de janeiro de 1930 e lançado em fevereiro desse mesmo ano





PRA VOCÊ GOSTAR DE MIM
Marcha Canção de Joubert de Carvalho
Gravada por Carmen Miranda
Acompanhamento da Orquestra Victor
Disco Victor 33.263-B, matriz 50169-3
Gravado em 27 de janeiro de 1930 e lançado em fevereiro desse mesmo ano



SERÁ VOCÊ?
Samba de Carlos Medina
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 33.323-A, matriz 50345-1
Gravado em 21 de junho de 1930 e lançado nesse mesmo mês e ano



DE QUEM EU GOSTO
Fox Trot de Randoval Montenegro
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira e Rogério Guimarães ao violão
Disco Victor 33.323-B, matriz 50325-2
Gravado em 21 de junho de 1930 e lançado nesse mesmo mês e ano





MULATO DE QUALIDADE
Samba de André Filho
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Grupo do Canhoto
Disco Victor 33.579-A, matriz 65505-2
Gravado em 01 de junho de 1932 e lançado em agosto



PARA UM SAMBA DE CADENCIA
Samba de Randoval Montenegro
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Grupo do Canhoto
Disco Victor 33.579-B, matriz 65506-2
Gravado em 01 de junho de 1932 e lançado em agosto



GOOD BYE
Marcha de Assis Valente
Gravada por Carmen Miranda e Lamartine Babo
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 33.604-A, matriz 65605-2
Gravado em 29 de novembro de 1932 e lançado em janeiro de 1933





ETC
Samba de Assis Valente
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento dos Diabos do Céu
Disco Victor 33.604-B, matriz 65606-2
Gravado em 29 de novembro de 1932 e lançado em janeiro de 1933





SAPATEIA NO CHÃO
Samba de Assis Valente
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Grupo do Canhoto
Disco Victor 33.744-B, matriz 65912-1
Gravado em 11 de dezembro de 1933 e lançado em janeiro de 1934





SÓ EM SABER
Samba de Ideraldo Barcelos e Arlindo Jacob
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Grupo do Canhoto
Disco Victor 33.709-B, matriz 65736-1
Gravado em 18 de maio de 1933 e lançado em abril





NA BATUCADA DA VIDA
Samba Canção de Ary Barroso e Luís Peixoto
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento dos Diabos do Céu
Disco Victor 33.769-B, matriz 65957-1
Gravado em 20 de março de 1934 e lançado em abril





ALVORADA
Samba de Synval Silva
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Grupo do Canhoto
Disco Victor 33.808-B, matriz 65913-1
Gravado em 11 de dezembro de 1933 e lançado em agosto de 1934







ODEON


Carmen Miranda, 1938
http://memoria.bn.br




FOI NUMA NOITE ASSIM
Marcha de Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti
Gravada por Carmen Miranda
Acompanhamento da Orquestra Odeon sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 11.225-A, matriz 5027
Gravado em 29 de abril de 1935 e lançado em junho





QUEIXAS DE COLOMBINA
Samba de Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento de Conjunto Regional
Disco Odeon 11.225-B, matriz 5029
Gravado em 01 de maio de 1935 e lançado em junho





E BATEU-SE A CHAPA
Samba de Assis Valente
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto
Disco Odeon 11.244-A, matriz 5084
Gravado em 26 de junho de 1935 e lançado em julho





ROSEIRA BRANCA
Choro de Gadé e Walfrido Silva
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento de Conjunto Regional
Disco Odeon 11.250-A, matriz 5040
Gravado em 10 de maio de 1935 e lançado em agosto





SE GOSTARES DE BATUQUE
Samba de Kid Pepe
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento de Conjunto Regional
Disco Odeon 11.250-B, matriz 5098
Gravado em 09 de julho de 1935 e lançado em agosto





TIC TAC DO MEU CORAÇÃO
Samba de Alcyr Pires Vermelho e Walfrido Silva
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento de Benedito Lacerda e Seu Conjunto
Disco Odeon 11.260-A, matriz 5115
Gravado em 07 de agosto de 1935 e lançado em setembro





COR DE GUINÉ
Samba de Milton Amaral
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.265-B, matriz 5129
Gravado em 27 de agosto de 1935 e lançado em outubro





ADEUS BATUCADA
Samba de Synval Silva
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento da Orquestra Odeon sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 11.285-A, matriz 5164
Gravado em 24 de setembro de 1935 e lançado em novembro





VENENO PRA DOIS
Samba de Alberto Ribeiro e João de Barro
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Grupo da Odeon
Disco Odeon 11.613-B, matriz 5823
Gravado em 04 de maio de 1938 e lançado em julho





MEU RÁDIO E MEU MULATO
Choro de Herivelto Martins
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento de Conjunto Regional
Disco Odeon 11.625-B, matriz 5819
Gravado em 02 de maio de 1938 e lançado em agosto





NA BAIXA DO SAPATEIRO
Samba Jongo de Ary Barroso
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento da Orquestra Odeon sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 11.667-B, matriz 5937
Gravado em 17 de outubro de 1938 e lançado em novembro





UVA DE CAMINHÃO
Samba Revista de Assis Valente
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Conjunto Odeon
Disco Odeon 11.712-A, matriz 6034
Gravado em 21 de março de 1939 e lançado em maio





CANDIEIRO
Partido Alto de Kid Pepe e David Nasser
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Conjunto Odeon
Disco Odeon 11.729-A, matriz 6033
Gravado em 21 de março de 1939 e lançado em junho





MORENO BATUQUEIRO
Samba Choro de Kid Pepe e Germano Augusto
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Conjunto Odeon
Disco Odeon 11.729-B, matriz 6036
Gravado em 21 de março de 1939 e lançado em junho














Agradecimento ao Arquivo Nirez













sábado, 21 de julho de 2018

PEPA DELGADO - 132 ANOS


PEPA DELGADO
"actriz Brazileira, tem feito boas criações, é intelligente e tem feito parte do elenco das melhores companhias nacionaes, actualmente no S. José", Revista Theatral, 1912
Arquivo marcelo Bonavides


Há 132 anos nascia a atriz e cantora PEPA DELGADO.

Em minhas pesquisas sobre Pepa Delgado, iniciadas no começo da década de 1990, fui descobrindo várias informações importantes sobre essa interessante e pioneira artista. Apesar das dificuldades e colher material sobre sua vida e obra, tive e tenho várias boas surpresas nesse percurso. Novas fontes continuam aparecendo e enriquecendo minha pesquisa. Há pouco mais de um mês, defendi a dissertação Pepa Delgado: a trajetória de uma atriz-cantora (1886-1945), referente à conclusão de meu curso de graduação em História na Universidade Estadual do Ceará (UECE). Poucos meses antes da defesa tive uma descoberta interessante: a data de nascimento de Pepa Delgado.

Até recentemente eu atribuía o ano de 1887 como sendo o correto, relativo ao seu nascimento, baseado em pesquisas e no depoimento de pessoas próximas a ela. Porém, ao consultar seu atestado de óbito, notei que a idade que constava por ocasião de sua morte (ocorrida em 11 de março de 1945) era a de 58 anos de idade. Isso me levou a pensar que, nesse caso, o ano de nascimento seria 1886. Eu pude comprovar essa informação quando descobri o registro de casamento civil de Pepa Delgado e Almerindo de Moraes, ocorrido em setembro de 1936. Na ocasião, o filho do casal já tinha onze anos de idade e a data de nascimento de Pepa Delgado, no documento, era 21 de julho de 1886. A partir de então, passei a adotar essa nova data.


Nascida em Piracicaba, interior de São Paulo, em 21 de julho de 1886, Maria Pepa Delgado era filha da sorocabana Ana Alves e do espanhol Lourenço Delgado, que era toureiro na Espanha e continuou suas façanhas na arena aqui no Brasil, excursionando pelo Sudeste e Sul do País. Entre suas atrações, ele enfrentava touros com as mãos atadas.

No primeiro semestre de 1900, Pepa Delgado já está no Rio de Janeiro, atuando na Companhia Dias Braga. Ainda nessa época, ela excursionou com a empresa pelo Norte e Nordeste do País, onde vamos encontrar o primeiro registro de sua aparição em peças em Belém (Pará), em uma ponta no drama O Domador de Feras.

Sua participação nas peças, dramas e comédias, se dava em pequenos papéis, onde ela ia aprendendo as lides teatrais e conquistando seus primeiros admiradores. Em julho de 1901, estando em temporada em Vitória (Espírito Santo), o jornal O Estado do Espírito, de 27 de julho de 1901, p.2, profetizava sobre ela e uma colega: “Pepa Delgado e Maria Layrot são ainda muito jovens e revelam que terão um bello futuro artistico”.

Em 1904, Pepa Delgado teve sua primeira grande oportunidade nos palcos. No primeiro semestre ela atuava na revista Cá e Lá..., da autoria de Tito Martins e Bandeira de Gouveia. A música da pela era de vários autores, entre eles, Chiquinha Gonzaga e José Nunes, Luiz Moreira, Raul Saldanha e algumas composições de Carlos Gomes.

As estrelas eram as atrizes Cinira Polonio e Aurélia Delorme; Cinira interpretava doze personagens e Aurélia, dez personagens. Pepa Delgado interpretou: “O caso do dia, Uma hespanhola, Uma visitante do Pantheon, Outra florista... officiosa, A Republica Brasileira” (O Paiz, 06 de março de 1904, p.8).

Nesse espetáculo Pepa Delgado dançava com o ator Marzullo o famoso Maxixe Aristocrático, tendo interpretado mais um personagem, A Prostituição. Porém, com algumas mudanças na peça e o afastamento de Aurélia Delorme, Pepa Delgado assumia seus papeis. A imprensa a saudava pelo novo desafio: “[...] Pepa Delgado, uma atriz de muito pouco tempo, mostra qualidades notaveis para estrella de genero ligeiro, revistas, etc. Está ella agora a substituir Delorme nos seus multiplos papeis e com muita vivacidade e graça o faz, com muito agradavel voz canta todos os numeros e com muita denguice causa (sic) os tangos langorosos. Queira Pepa aperfeiçoar-se, trabalhar com esforço e respeito pela sua arte e será uma triunphadora [...]” (Jornal do Brasil, 30 de maio de 1904, p.2).



Jornal de Theatro & Sport, 14 abril 1917, p.7.
Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional.

Ao estrear em Cá e Lá..., Pepa Delgado dava início a uma vitoriosa carreira no teatro musicado, em especial no Teatro de Revista. Agora, ela investia em seu talento como cantora, aliando à interpretação. Surgia, dessa forma, uma atriz-cantora que iria lapidar sua arte através dos próximos anos.

Coincidência ou não, nesse mesmo ano de 1904 (após também fazer sucesso na revista Avança!), Pepa Delgado começou a gravar seus primeiros discos pela Casa Edison, através do selo Odeon Record. E muito do que gravou inicialmente fazia parte do repertório de Cá e Lá... e Avança! Algumas músicas ela havia lançado no palco, outras foram lançadas por Cinira Polonio, Aurélia Delorme ou Lucília Peres.

Ao longo dos anos, Pepa Delgado foi se especializando em sua carreira, seguindo conselhos de grandes nomes do teatro como Arthur Azevedo que, em 1905, publicou a seguinte crítica sobre ela no periódico O Theatro: “[...] Pepa Delgado, actriz que, se tomar o theatro a sério, poderá dar alguma coisa de si [...] (O Theatro, de 24 de abril de 1905).”



Revista Comedia, 05 de outubro de 1918.
Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional.


Ao que parece, ela seguiu os conselhos do célebre dramaturgo, se destacando como atriz até o final da década de 1900, tendo atuado no cinema em 1908 e, juntamente com um grupo teatral, levado famosas peças que estavam em cartaz na Praça Tiradentes (o núcleo teatral do Rio de Janeiro) para o subúrbio do Meyer, numa iniciativa muito elogiada pela imprensa.

Em 1911, ao ingressar na empresa do Theatro São José, de propriedade de Pascoal Segreto, Pepa Delgado atingia seu apogeu como artista, sendo um dos principais nomes da empresa, atuando em célebres peças e interpretando personagens marcantes.

Seguiria no meio artístico até 1924, tendo saído da empresa do Theatro São José em 1917. Chegou a formar a Companhia Pepa Delgado e atuou em várias outras.

Em 1925 nasceu Heitor, seu único filho, e em 1936 casou-se com Almerindo de Morais, com quem já convivia.

Pepa Delgado faleceu em 11 de março de 1945, vitima de hepatite.


Trago dez músicas de seu repertório gravadas na década de 1900 na Casa Edison e lançadas em discos Odeon Record.



FADO PORTUGUÊS
Fado
Disco Odeon Record 10.045
Lançado em 1904
Acompanhamento de piano






O ABACATE
Cançoneta de Chiquinha Gonzaga, Tito Martins e Gouveia.
Gravado por Pepa Delgado
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 10.059, matriz R-379
Lançado em 1904
Da Revista “Cá e Lá”



  


UM SAMBA NA PENHA
Maxixe de Assis Pacheco, Álvaro Peres e Álvaro Colás.
Gravado por Pepa Delgado e Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 10.063, matriz R-489
Lançado em 1904



A RECOMENDAÇÃO
Cançoneta de Assis Pacheco.
Gravado por Pepa Delgado
Disco Odeon Record 10.064
Lançado em 1904
Acompanhamento de piano
Da Revista “O Avança”



CAFÉ IDEAL
Maxixe de Chiquinha Gonzaga e letra de Tito Martins
Disco Odeon Record 10.074
Lançado em 1904
Acompanhamento de piano
De Revista “Cá e Lá”



MARIXE ARISTOCRÁTICO
Maxixe de José Nunes
Gravado por Pepa Delgado e Alfredo Silva
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 40.224, matriz RX-161
Lançado em 1905
Da Revista “Cá e Lá”



VEM CÁ, MULATA
Maxixe de Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre
Gravado por Pepa Delgado e Mário Pinheiro
Disco Odeon Record 40.407
Lançado em 1906
Acompanhado de piano



O QUINDIM DA MODA
Cançoneta sobre a melodia de “O Angu do Barão”, de Ernesto de Souza.
Disco Odeon 40.487
Lançado em 1906.
Acompanhamento de piano



O VENDEIRO E A MULATA
Dueto
Gravado por Pepa Delgado e Mário
Disco Odeon Record 40.599
Lançado em 1906
Acompanhamento de piano




A COZINHEIRA
Cançoneta
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia Record B-31, matriz 11.626
Lançado em 1912















Agradecimento ao Arquivo Nirez









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