Aracy
Teles de Almeida nasceu no Rio de Janeiro em 19 de agosto de 1914, falecendo
também no Rio de Janeiro, em 20 de junho de 1988, aos 73 anos de idade.
Iniciou
sua carreira artística em 1933, cantando na Rádio Educadora. Nesses primeiros
tempos, imitava Carmen Miranda, como várias outras cantoras iniciantes. Porém,
logo descobriu seu estilo, que a destacaria entre as grandes cantoras de nosso
país.
Em
1934 gravou seu primeiro disco na Columbia. Em dezembro desse mesmo ano, gravou
a primeira música de seu grande amigo, o compositor Noel Rosa, o samba Riso de Criança. Gravaria ainda várias
composições de Noel ao longo dos anos 30, enquanto o compositor era vivo. Ao
lado de Marília Batista, Aracy de Almeida é considerada a melhor intérprete de
Noel Rosa.
Na
década de 1950, Aracy de Almeida foi responsável por trazer de volta o nome de
Noel Rosa aos meios musicais. Falecido em 1937, aos 26 anos de idade, Noel
deixou uma vasta obra que seria regravada ao longo dos tempos. Coube à Aracy de
Almeida, em 1950, dar início a essas regravações. Pela Continental ela gravaria
em 1950 e 1951 dez músicas de Noel Rosa, algumas em parceria com Osvaldo
Gogliano, o Vadico. Algumas delas receberam arranjos de Radamés Gnatalli.
Trago
essas músicas na voz de Aracy de Almeida onde, através de novos arranjos,
podemos observar e apreciar seu talento e o de Noel Rosa, cujas canções
atravessam gerações fazendo sucesso.
PALPITE INFELIZ
Samba
de Noel Rosa
Gravado
por Aracy de Almeida
Acompanhamento
do Quarteto Continental
Disco
Continental 16.317-A, matriz 2437
Gravado
em 18 de setembro de 1950 e lançado em novembro/dezembro de 1950
CONVERSA DE BOTEQUIM
Samba
de Noel Rosa e Osvaldo Gogliano (Vadico)
Gravado
por Aracy de Almeida
Acompanhamento
do Quarteto Continental
Disco
Continental 16.317-B, matriz 2438
Gravado
em 18 de setembro de 1950 e lançado em novembro/dezembro de 1950
FEITIÇO DA VILA
Samba
de Noel Rosa e Osvaldo Gogliano (Vadico)
Gravado
por Aracy de Almeida
Acompanhamento
de Francisco Sergi e Sua Orquestra
Disco
Continental 16.318-A, matriz 2399
Gravado
em junho de 1950 e lançado em novembro/dezembro de 1950
ÚLTIMO DESEJO
Samba
de Noel Rosa
Gravado
por Aracy de Almeida
Acompanhamento
de Francisco Sergi e Sua Orquestra
Disco
Continental 16.318-B, matriz 2400
Gravado
em junho de 1950 e lançado em novembro/dezembro de 1950
NÃO TEM TRADUÇÃO
Samba
de Noel Rosa
Gravado
por Aracy de Almeida
Acompanhamento
de Vero e Sua Orquestra
Disco
Continental 16.319-A, matriz 2465
Gravado
em 18 de setembro de 1950 e lançado em novembro/dezembro de 1950
O X DO PROBLEMA
Samba
de Noel Rosa
Gravado
por Aracy de Almeida
Acompanhamento
de Vero e Sua Orquestra
Disco
Continental 16.319-B, matriz 2466-R
Gravado
em 18 de setembro de 1950 e lançado em novembro/dezembro de 1950
PRA QUE MENTIR
Samba
de Noel Rosa e Osvaldo Gogliano (Vadico)
Gravado
por Aracy de Almeida
Acompanhamento
de Radamés e Sua Orquestra de Cordas
Disco
Continental 16.391-A, matriz 2585
Gravado
em 27 de março de 1951 e lançado em maio/junho de 1951
SILÊNCIO DE UM MINUTO
Samba
de Noel Rosa
Gravado
por Aracy de Almeida
Acompanhamento
de Radamés e Sua Orquestra de Cordas
Disco
Continental 16.391-B, matriz 2592
Gravado
em 27 de março de 1951 e lançado em maio/junho de 1951
FEITIO DE ORAÇÃO
Samba
de Noel Rosa e Osvaldo Gogliano (Vadico)
Gravado
por Aracy de Almeida
Acompanhamento
de Radamés e Sua Orquestra de Cordas
Disco
Continental 16.392-A, matriz 2586
Gravado
em 27 de março de 1951 e lançado em maio/junho de 1951
TRÊS APITOS
Samba
de Noel Rosa
Gravado
por Aracy de Almeida
Acompanhamento
de Radamés e Sua Orquestra de Cordas
Disco
Continental 16.392-B, matriz 2587
Gravado
em 27 de março de 1951 e lançado em maio/junho de 1951
Há
50 anos falecia o bandolinista e compositor JACOB DO BANDOLIM.
Jacob
Pick Bittencourt nasceu em 14 de fevereiro de 1918, no Rio de Janeiro, no
bairro carioca de Laranjeiras. Era filho único do farmacêutico Francisco Gomes
Bittencourt, que nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, e de Rackel Pick, de
nacionalidade russa ou polaca, com ascendência judaica.
Nos
primeiros anos da década de 1930, fez algumas apresentações amadoras em
programas de rádio. Em 1934 veio sua grande chance, quando o flautista Benedito
Lacerda lhe convidou a participar do Programa dos Novos – Grande Concurso dos
Novos Artistas, da Rádio Guanabara. Jacob solou o choro Segura Ele, de
Pixinguinha, sendo acompanhado pelos violonistas Lentine e Luís Bittencourt,
com Canhoto ao cavaquinho e Russo no pandeiro. Eratóstenes Frazão o apresentou
como Jacob e Sua Gente. O conjunto recebeu nota máxima do júri formado por
Orestes Barbosa, Francisco Alves, Benedito Lacerda, Cristóvão de Alencar e Frazão,
conquistando o primeiro lugar e ultrapassando 27 concorrentes.
Em
1936, quando tocava na Rádio Guanabara, apresentou a estreante Elizeth Cardoso.
Tocou em várias rádios: Rádio Educadora, Mayrink Veiga, Transmissora, Rádio
Clube do Brasil, Cajuti, Fluminense e Rádio Ipanema (posterior Rádio Mauá).
Começou
a participar de gravações em 1942, quando abriu com seu bandolim a gravação do
célebre samba Ai que saudades da Amélia, de Ataulfo Alves e Mário Lago, gravado
por Ataulfo Alves. Em 1947 participou da gravação de Marina, de Dorival
Caymmi, feita por Nelson Gonçalves na RCA Victor.
Sua
primeira gravação em solo de bandolim se deu em 1947, pela gravadora
Continental, quando ele registrou o choro de sua autoria, Treme Treme, e
a valsa Glória, de Bonfíglio de Oliveira. Ainda em 1947, gravou a valsa Salões
Imperiais, de sua autoria, e o choro de Bonfíglio de Oliveira, Flamengo.
Em 1948 gravaria o célebre choro Flor Amorosa, de Joaquim Callado. O
sucesso de suas gravações fez ressurgir o interesse pelo bandolim, estimulando
solistas do instrumento.
Em
1949, transferiu-se para a RCA Victor, onde ficou até o fim de sua vida. Nessa
gravadora, estreou com o tango de Eduardo Souto, O Despertar da Montanha,
e o choro Língua de Preto, de Honorino Lopes. Em 1951, gravaria o célebre
choro Doce de Coco, de sua autoria.
Em
seus discos 78 rpm era apresentado como Jacob Bittencourt, quando autor das
músicas, ou como Jacob ao Bandolim, quando intérprete.
Em
1940, casou-se com Adylia Freitas, tendo dois filhos: Helena e Sérgio
Bittencourt. Sérgio o homenagearia com o samba póstumo Naquela Mesa,
sucesso na voz de Elizeth Cardoso.
Há 64 anos falecia CARMEN MIRANDA, nossa Pequena
Notável.
Maria
do Carmo Miranda da Cunha nasceu em Portugal, em 09 de fevereiro de 1909. Com
um pouco mais de um ano de idade veio ao Brasil com a mãe e a irmã mais velha,
Olinda, passando a morar no Rio de Janeiro (seu pai já havia se estabelecido
por aqui e as esperava).
Após
trabalhar como balconista em lojas de chapéus, a jovem Carmen Miranda, que
gostava de cantar, apresentou-se pela primeira vez para o público em 07 de
janeiro de 1929, em um evento em homenagem ao compositor Ernesto Nazareth,
organizado pelo deputado Aníbal Machado. Carmen havia sido descoberta pelo
violonista e compositor baiano Josué de Barros, que passou a leva-la em rádios,
apresentações beneficentes até conseguir que ela gravasse um disco na
Brunswick, em setembro de 1929. Como o disco demoraria a ser lançado (somente
em janeiro de 1930), ele a levou para a Victor, onde ela começou a gravar em 04
de dezembro de 1929, com a toada de Josué, Triste Jandaya, disco lançado
um mês depois.
Seu
primeiro grande sucesso foi a marcha canção de Joubert de Carvalho, P´ra
Você Gostar de Mim, mais conhecida como Taí. Gravada em 27 de
janeiro de 1930, foi lançada às pressas em fevereiro para acompanhar o Carnaval
daquele ano. Essa música consagrou Carmen Miranda como cantora que, a partir de
então, passou a gravar com frequência pela Victor.
Selo do disco P´ra Você Gostar de Mim Arquivo Marcelo Bonavides
Já
cantora consagrada, atuando com sucesso no rádio, disco, shows, cassinos e
excursões, Carmen Miranda passa a gravar pela Odeon em 1935. Nessa nova
gravadora, lançaria novos sucessos, inclusive o que marcaria sua carreira e
vida para sempre, O Que É que a baiana tem?, samba típico baiano de Dorival Caymmi
gravado por ele e Carmen em 27 de fevereiro de 1939, sendo o disco lançado em
abril. Nessa época, ela adotaria a imagem de baiana, que havia sido usada por
ela no filme Banana da Terra, sucesso de 1939.
Nesse
mesmo ano de 1939, em maio, ela iria para os EUA, apresentar-se na Broadway, ao
lado do Bando da Lua. Mais um sucesso e conquista.
Após
voltar ao Brasil rapidamente em 1940 e rebater, com música e talento, as
críticas de que havia se americanizado, Carmen Miranda retornou aos EUA, onde
iria se tornar uma das estrelas máximas de Hollywood, alcançando fama mundial.
Antes
de falecer, em 05 de agosto de 1955, nos EUA, Carmen retornou ao Brasil no final
de 1954, permanecendo alguns meses por aqui e matando a saudade de amigos, familiares
e fãs.
Foi
enterrada no Brasil, no Rio de Janeiro, como queria e deixou registrado em uma
gravação de 1930, Eu Gosto da Minha Terra, samba de Randoval Montenegro.
Passados
64 anos de seu falecimento, Carmen Miranda continua viva em nossa memória, na
imagem da baiana estilizada, através dos fãs e dos pesquisadores/colecionadores
de 78 rpm que não deixam que sua fase brasileira se apague. Seus sucessos
registrados no Brasil ainda são cantados, mesmo décadas depois de terem sido
lançados. Suas músicas de Carnaval fazem parte do imaginário popular, sendo
lembradas através de gerações.
Em
sua homenagem, trago 30 gravações realizadas na Victor e na Odeon no período de
1929 a 1937.