domingo, 28 de julho de 2019

ADEUS À GRANDE ATRIZ RUTH DE SOUZA


RUTH DE SOUZA
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Faleceu na manhã deste domingo, 28 de julho, a atriz RUTH DE SOUZA, aos 98 anos de idade.
Desde o início da semana passada, ela estava internada no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Copa D´Or, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, devido a uma pneumonia.

Ela estava com mais de 70 anos de carreira artística.

Ruth Pinto de Souza nasceu no Rio de Janeiro em 12 de maio de 1921.

Em criança, viveu com a família em uma fazenda em Minas Gerais, mas aos nove anos de idade perdeu o pai, retornando com a mãe para o Rio de Janeiro, indo morar em uma vila de Copacabana.

Ingressou no Teatro Experimental do Negro em 1945, que era liderado por Abadias do Nascimento.

Pioneira, Ruth de Souza abriu caminhos para o artista negro no Brasil, sendo a primeira atriz negra a atuar no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a peça O Imperador Jones, de Eugene O´Neill. Recebendo uma bolsa de estudos da Fundação Rockefeller, morou um ano nos Estados Unidos, onde estudou na Universidade de Harvard e na Academia Nacional do Teatro.

Sua estreia no cinema aconteceu em 1948, em Terra Violenta (baseado no romance Terras do Sem-Fim, de Jorge Amado). Participou de vários filmes, conseguindo a consagração nacional através de Sinhá Moça, filme de 1953, onde, mais uma vez foi pioneira: por seu desempenho, seria a primeira atriz brasileira indicada ao prêmio de melhor atriz em um festival internacional de cinema (festival de Veneza em 1954).

Também participou de radionovelas e em teleteatros da TV Tupi. Nos anos 60, fez sucesso na televisão atuando na novela A Deusa Vencida (1965) de Ivani Ribeiro, exibida pela TV Excelsior. Ao integrar o elenco de artistas da TV Globo, em 1968, mais uma conquista: torna-se a primeira atriz negra a protagonizar uma novela, A Cabana do Pai Tomás, de 1969. Desde então é contratada da emissora carioca, aparecendo em produções como a telenovela Sinhá Moça, de 1986, onde interpretou o personagem Balbina, irmã de Virgínia (), interpretada por Chica Xavier. Nesse trabalho, Ruth de Souza mais uma vez mostrou seu talento, em cenas ao lado de Grande Otelo.

Aos 96 anos, no início de 2018, após oito anos afastada das telas, Ruth de Souza participou do primeiro episódio da nova temporada de Mister Brau, ao lado de Lázaro Ramos.

Seu último trabalho foi na minissérie Se Eu Fechar Os Olhos Agora, em 2019.
Também em 2019, Ruth de Souza foi homenageada pela Escola de Samba Acadêmicos de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.



Ruth de Souza e a escritora Carolina Maria de Jesus.
Favela Canindé, São Paulo, 1961.
g1.globo.com


RUTH DE SOUZA
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Ruth de Souza
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Ruth de Souza
astrosemrevista.blogspot.com


Ruth de Souza e Grande Otelo.
Sinhá Moça, 1986.

ultimosegundo.ig.com.br

Ruth de Souza e Grande Otelo.
Sinhá Moça, 1986.
g1.globo.com


Ruth de Souza durante homenagem da Santa Cruz. 
Foto: Marcos Serra Lima/G1


Ruth de Souza emocionada durante homenagem da Santa Cruz.
Foto: Marcos Serra Lima/G1



Ruth de Souza
filmow.com






terça-feira, 23 de julho de 2019

NAPOLEÃO TAVARES - 127 ANOS

NAPOLEÃO TAVARES
"Em cima - o maestro napoleão Tavares, uma revelação na arte dificil de dirigir orchestras modernas, arte que fez famoso Paul Whiteman.
PRA 9 inclue Napoleão Tavares sempre em seus programmas"
O Cruzeiro, 1934.
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Há 127 anos nascia o regente e compositor NAPOLEÃO TAVARES.

Napoleão Tavares nasceu em 23 de julho de 1892, em Ubá (MG). Ele se transferiu para o Rio de Janeiro no começo da década de 1910. Também era trompetista e arranjador.

Na então capital do país, Rio de Janeiro, deu início à sua carreira como trompetista. Em 1912, fez sua primeira gravação, registrando em solo de piston a valsa Marta, de Elias Amaral, sendo acompanhado pela Banda Faulhaber, em disco Favorite Record.

No final da década de 1920, formou a Orquestra Colbáz (grupo de estúdio da gravadora Columbia), reunindo importantes instrumentistas da época como Gaó, Zé Carioca, Jonas Aragão, entre outros. Com a Orquestra Colbáz, Napoleão Tavares gravou clássicos de Zequinha de Abreu pela primeira vez como a valsa Branca e os choros Tico Tico no Fubá e Os Pintinhos no Terreiro, em 1931.

Em 1930, gravou o choro Pery, de Jonas Aragão, na Columbia, sendo acompanhado pelo Jazz Band Columbia.


Fon Fon, 1938.
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Carioca, 1939.
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Em 1935, Napoleão Tavares era diretor de orquestras da Rádio Mayrink Veiga e o locutor César Ladeira passou a chamar o seu grupo de Napoleão Tavares e Seus Soldados Musicais. Esse grupo acompanharia vários cantores em importantes gravações, como Sílvio Caldas em As Pastorinhas, marcha de Noel Rosa e João de Barro, sucesso em 1937, e Pirolito, marcha de João de Barro e Alberto Ribeiro, gravada por Emilinha Borba e Nilton Paz em 1939, entre outros acompanhamentos.


Fon Fon, 1939.
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CARMELITA PAREDA
"Carmelita Pareda, interprete de canções mexicanas, reingressou no 'broadcasting' carioca.
Actúa no programma de Napoleão Tavares, na Cruzeiro do Sul".
Fon Fon, 1939.
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Suas primeiras composições começaram a ser gravadas no começo da década de 1930, como o choro Recordando-te, registrado em 1930 na Columbia pela Columbia Brasil Orquestra. Ainda esse ano Francisco Alves gravaria o samba Negando um Lamento, pela Parlophon e Paraguassu gravaria a embolada Paraguassu se Diverte, pela Columbia.

Em 1931, Helena Pinto de Carvalho gravou o belíssimo samba canção Num Sorriso dos Teus, de Napoleão Tavares e Jayme Redondo, onde há um início romântico e, depois, uma transição para um sambinha arreliado.

Aracy Côrtes e Alberto Ribeiro gravariam a cena típica, Velha Baiana, de Napoleão Tavares e Alberto Ribeiro, em uma representação de como seria o quotidiano de uma vendedora de quitutes pelas ruas do Rio de Janeiro. Disco Columbia lançado em 1932.

Ele atuaria até o começo da década de 1950.


NAPOLEÃO TAVARES
Fon Fon, 1940.
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Napoleão Tavares faleceu no Rio de Janeiro em 22 de abril de 1956, três meses antes de completar 64 anos de idade.




RECORDANDO-TE
Choro de Napoleão Tavares
Gravado pela Columbia Brasil Orquestra
Disco Columbia 5.248-B, matriz 380702
Lançado em julho de 1930



LAÍS
Choro de Napoleão Tavares
Gravado pela Columbia Brasil Orquestra
Disco Columbia 5.248-B, matriz 380704
Lançado em julho de 1930





PERY
Choro de Jonas Aragão
Gravado por Napoleão Tavares
Acompanhamento do Jazz Band Columbia
Disco Columbia 5.213-B, matriz 380674-1

Lançado em junho de 1930




PARAGUASSU SE DIVERTE
Embolada de Napoleão Tavares
Gravada por Paraguassu
Acompanhamento de Seu Grupo Verde-Amarelo
Disco Columbia 7.013-B, matriz 380834
Lançado em setembro de 1930



NEGANDO UM LAMENTO
Samba de Napoleão Tavares e Freire Jr.
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento de Simão Nacional Orquestra
Disco Parlophon 13.204-A, matriz 3164
Lançado em setembro de 1930



MISS BRASIL DO CORAÇÃO
Embolada de Napoleão Tavares e Arsênio Palácios
Gravada por Paraguassu
Acompanhamento de Seu Grupo Verde-Amarelo
Disco Columbia 7.030-B
Lançado em outubro de 1930



DONA NHANHÁ
Marcha Carnavalesca de Napoleão Tavares e Jararaca
Gravada por Jararaca e Coro
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia 22.004-B, matriz 380950-1
Lançado em janeiro de 1931



CABROCHA DENGOSA
Samba de Napoleão Tavares e João A. Castilho
Gravado por Leonel Faria
Acompanhamento de Simão Nacional Orquestra
Disco Columbia 22.011-B, matriz 380974
Lançado em janeiro de 1931



NUM SORRISO DOS TEUS
Samba Canção de Napoleão Tavares e Jaime Redondo
Gravado por Helena Pinto de Carvalho
Acompanhamento da Orquestra Típica e Coro
Disco Columbia 22.054-B, matriz 381082-1
Lançado em outubro de 1931
Obs. Não há acompanhamento de coro.



VELHA BAIANA
Cena Típica de Napoleão Tavares e Alberto Ribeiro
Gravado por Aracy Côrtes e Alberto Ribeiro
Acompanhamento da Orquestra Columbia
Disco Columbia 22.134-B, matriz 381287
Lançado em julho de 1932













Agradecimento ao Arquivo Nirez


domingo, 21 de julho de 2019

PEPA DELGADO - 133 ANOS


PEPA DELGADO
"A ti, querido pae meu amigo. 
Tua filha,
Pepa Delgado
Rio 23 - 10 - 1913"
Arquivo Marcelo Bonavides



Há 133 anos nascia a atriz e cantora PEPA DELGADO.

Pepa Delgado nasceu em Piracicaba (SP) em 21 de julho de 1886. Era filha da sorocabana Ana Alves e do espanhol Lourenço Delgado.

Seu pai era toureiro na Espanha e continuou suas atividades artísticas com touros no Brasil, apresentando-se em São Paulo, no interior paulista e pelo sul do país. Teve algum sucesso nessa carreira, como os jornais mostram.

Pepa Delgado surgiu como atriz fazendo pequenos papeis em peças da Companhia Dias Braga, no Rio de Janeiro, no primeiro semestre do ano de 1900. Ainda nesse ano, em julho, estava com a companhia excursionando pelo Nordeste e Norte do país, com um variado repertório de peças.


PEPA DELGADO
Arquivo Marcelo Bonavides


Sua grande oportunidade veio em 1904, e ela soube bem aproveitar. Com alguns papeis de destaque na peça Cá e Lá, de Tito Martins e Bandeira de Gouvea, ela foi chamada a substituir uma das principais atrizes da peça, a famosa Aurélia Delorme, interpretando onze personagens.

Sua atuação foi bem recebida pela imprensa e pelo público, aumentando sua popularidade. Nesse mesmo ano, ela gravaria seus primeiros discos pela Casa Edison, registrando o repertório de Cá e Lá e da outra revista em que atuou com sucesso, Avança!, de Álvaro Peres e Álvaro Colás. Nesse ano, gravaria alguns sucessos como O Maxixe Aristocrático (de José Nunes), ao lado do ator Alfredo Silva, O Abacate (de Chiquinha Gonzaga).


Selo de O Abacate, de Chiquinha Gonzaga.
Arquivo Marcelo Bonavides



Selo de O Quindim da Moda.
Arquivo Nirez


Selo de O Vendeiro e a Mulata.
Arquivo Marcelo Bonavides


A partir de então, sua carreira continuou colhendo os frutos de sua dedicação e estudo, conselhos que recebeu de pessoas como Arthur Azevedo. Tal empenho não foi em vão, pois no começo da década de 1910 ela era uma das mais famosas e requisitadas atrizes-cantoras de seu tempo. Brilhou por alguns anos no Theatro São José, lançando peças antológicas, como Forrobodó, A Gatinha Branca, Manobras do Amor, Morro da Favela


Pepa Delgado
Theatro & Sport
02 de maio de 1914
http://memoria.bn.br


Era uma profissional em função de sua arte e, ao que parece, não era deslumbrada com o sucesso. Em seus altos e baixos na carreira, sempre procurou trabalhar dignamente seja em grandes teatros ou em locais mais simples. Trabalhando com sua companhia ou com a companhia de outras pessoas, sempre estava comprometida com os novos desafios e só abandonou sua carreira artística quando a gravidez de seu único filho já estava avançada.


Pepa Delgado, 1918.
http://memoria.bn.br


Após unir-se ao militar Almerindo Álvaro de Moraes, e com o nascimento de seu filho Heitor, Pepa Delgado passou a se dedicar à família, porém, sem nunca esquecer os amigos artistas, em especial os que estavam em início de carreira, ajudando-os.


Pepa Delgado em seu último aniversário.
Foto tirada em 21 de julho de 1944,
 quando ela completava 58 anos de idade.
Foto tirada por seu filho, Heitor, 
em frente à casa da família.
Arquivo Marcelo Bonavides.


Ela faleceria em 11 de março de 1945, aos 58 anos de idade, vitimada por uma hepatite.


Pepa Delgado tem sido um personagem constante em minhas pesquisas musicais, que tem trazido muitas alegrias e conquistas, fazendo com que eu tenha um carinho especial por sua pessoa, quer como artista, quer como mulher à frente de seu tempo.

Ao me formar em História, pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), defendi a monografia “Pepa Delgado: A trajetória de uma atriz cantora (1886 – 1945)”, onde procurei centralizar Pepa Delgado nas discussões sobre trajetórias de vidas, gênero e música popular. Dessa forma, tracei uma biografia sobre ela, trabalho que não terminou ainda, pois, as fontes ora são poucas, ora vão surgindo de forma inesperada. Foi dessa forma que, já no final do processo de escrita da monografia, descobri que sua data de nascimento não era 1887 como muitos pesquisadores (inclusive eu) divulgávamos, e sim o ano de 1886. A nova data consta em seu registro de casamento, dando a cidade de Piracicaba (como já prevíamos) como o local de seu nascimento. Mesmo encontrando somente esse documento indicando o ano de 1886 como seu nascimento, pude observar que seu atestado de óbito indicava a idade de 58 anos quando ela faleceu. Tendo falecido em 11 de março de 1945 e fazendo aniversário em 21 de julho, o ano de 1886 novamente se encaixava em nossas contas.
Diante disso, passamos a adotar a nova data como sendo de seu nascimento.

Falar sobre Pepa Delgado é também relembrar várias outras suas contemporâneas que, assim como ela, estavam enfrentando os obstáculos que as mulheres artistas do começo do século XX enfrentavam: Júlia Martins, Cecília Porto, Laura Godinho, Risoletta, Nina Teixeira, Medina de Souza, Cinira Polonio, Virginia Aço, Maria Lino, entre tantas outras.

Ela e suas colegas, apesar do ambiente machista e preconceituoso com para com as atrizes (e muitos ataques vinham da própria imprensa) atravessaram suas vidas exibindo-se nos palcos, entretendo grandes plateias e vivendo a cada apresentação diversos personagens, com direito a cantar ao vivo, acompanhadas por orquestras, em um desgaste físico tremendo. Lembremo-nos que as apresentações se davam todos os dias, três vezes por noite (quando não havia matinês).

Meu intuito ao pesquisar sobre Pepa Delgado ou outra artista desse tempo (final do século XIX e início do século XX) é justamente procurar conhecer o trabalho e a contribuição que cada uma deu à nossa cultura, muitas vezes dedicando uma vida inteira a ela. Não importa se passaram cem anos ou mais de suas atuações, o valor de cada vida pesquisada, de cada contribuição prestada é riquíssimo e de muita valia para entendermos nossa história cultural.

É um trabalho/luta que fazemos questão de continuar e a nos dedicar cada vez mais.




O ABACATE
Cançoneta de Chiquinha Gonzaga, Tito Martins e Gouveia.
Gravado por Pepa Delgado
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 10.059, matriz R-379
Lançado em 1904
Da Revista “Cá e Lá”



O QUINDIM DA MODA
Cançoneta sobre a melodia de O Angú do Barão, de Ernesto de Souza.
Gravado por Pepa Delgado
Acompanhamento de piano
Disco Odeon 40.487
Lançado em 1906



O VENDEIRO E A MULATA
Dueto
Gravado por Pepa Delgado e Mário
Acompanhamento de piano
Disco Odeon Record 40.599
Lançado em 1906





NO SAMBA
De José Nunes, mesma melodia de “A Pimentinha”, lançada em 1913 por Risoletta e Eduardo das Neves.
Gravado por Pepa Delgado e Mário Pinheiro
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia Record 11.646
Lançado em 1910





O VATAPÁ (DO MAXIXE)
Maxixe de Paulino Sacramento
Gravado por Pepa Delgado e Mário Pinheiro
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia B-31, matriz 11.644
Lançado em 1912
Da Revista “O Maxixe”







Já homenageamos Pepa Delgado em outras ocasiões:

PEPA DELGADO - 132 ANOS - http://bit.ly/30MrU6w
PEPA DELGADO - 130 ANOS: http://bit.ly/2u1gGwo
PEPA DELGADO - 129 ANOS: http://bit.ly/2SWUqOj
PEPA DELGADO - 128 ANOS: http://bit.ly/2XRSMS2
PEPA DELGADO, os 126 anos da primeira grande cantora brasileira: http://bit.ly/2T1GJhm
PEPA DELGADO, 125 anos: http://bit.ly/2F6TmUF
PEPA DELGADO - 74 ANOS DE SAUDADE DE UMA FASCINANTE ARTISTA - http://bit.ly/2Ur5AMV
PEPA DELGADO - 73 ANOS DE SAUDADE: http://bit.ly/2XPBxAF
PEPA DELGADO - 72 ANOS DE SAUDADE: http://bit.ly/2TwMY1y
PEPA DELGADO - 71 ANOS DE SAUDADE - http://bit.ly/2Z5dzBu
PEPA DELGADO, 70 ANOS DE SAUDADE - http://bit.ly/2M2Kwek
PEPA DELGADO, 69 ANOS DE SAUDADE - http://bit.ly/2Z6wR9U
PEPA DELGADO, 68 anos de Saudade: http://bit.ly/2HbVGvB
PEPA DELGADO, ARACY CÔRTES E A PETROPOLITANA: http://bit.ly/2XRM6TF
PEPA DELGADO E SEU PAI: http://bit.ly/2VPWhpX
AS LARANJAS DA SABINA: http://bit.ly/2u1KgSC











Agradecimento ao Arquivo Nirez









sexta-feira, 19 de julho de 2019

J. GOMES JUNIOR - 56 ANOS DE SAUDADE


Correio da Manhã, 1927.
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Há 56 anos falecia o cantor J. GOMES JUNIOR.

Pela história de nossa Música Popular passaram muitos artistas que deixaram sua contribuição para nossa cultura. Alguns fixaram seu nome no tempo, sendo lembrados por décadas, apesar de nossa pouca memória cultural.

Outros, inclusive por essa característica de esquecermos nosso passado, tiveram seus nomes perdidos no tempo, embora em sua época tivessem gozado de algum ou muito prestígio.

Esse último é o caso do cantor (tenor) e compositor J. (José) Gomes Junior que foi um nome conhecido no meio musical da década de 1920 e hoje encontra-se totalmente (ou quase) desconhecido, sendo lembrado por poucos pesquisadores e amantes da música popular do passado.

Segundo o saudoso pesquisador Abel Cardoso Junior, José Gomes Junior era sócio e gerente da Casa Viúva Guerreiro, que editava partituras para piano. Ele também era compositor. Em janeiro de 1928, Francisco Alves lançou sua marcha carnavalesca Eu Fui no Mato Crioula.


Correio da Manhã, 1927.
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Na década de 1920, J. Gomes Junior gravou alguns discos ainda na fase mecânica entre 1926 e 1927. Chegou a gravar, ao lado da soprano Zaíra de Oliveira, um grande sucesso carnavalesco, a marcha Dondoca, de José Francisco de Freitas, que fez furor no Carnaval de 1927.

Ele gravaria oito músicas, destacadas pela Discografia Brasileira. Porém, há alguns anos, surgiu um disco “inédito” dele que não constava na discografia, da autoria do amigo e pesquisador Eduardo Saragiotto Beghini. A música se intitula Minha Sogra que me Tapear, no caso “tapear = bater”. O disco foi lançado em 1927. É possível que outros discos apareçam com o tempo, vamos torcer por isso.

J. Gomes Junior faleceu em 19 de julho de 1963.


Livro As Mil Canções do Rei da Voz
de Abel Cardoso Junior
Arquivo Marcelo Bonavides


Trago algumas poucas músicas de seu repertório, entre elas o cateretê de Hekel Tavares, Eu vi uma Lagartixa, gravado por ele em 1926, que seria regravado pouco depois por Patrício Teixeira e, décadas depois, por Inezita Barroso, com o título de Redondo Sinhá.


J. Gomes Junior compositor

EU FUI NO MATO CRIOULA
Marcha Carnavalesca de J. Gomes Junior
Gravada por Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
Disco Odeon 10.126-B, matriz 1517
Lançado em janeiro de 1928




J. Gomes Junior intérprete


DONDOCA
Marcha Carnavalesca de José Francisco de Freitas
Gravada por Zaíra de Oliveira e J. Gomes Junior
Disco Odeon Record 123.250, matriz 1095
Lançado em 1926



OIA LÁ JOÃO
Choro Típico de Henrique Vogeler
Gravado por J. Gomes Junior
Disco Odeon Record 123.257, matriz 1080
Lançado provavelmente em 1926



EU VI UMA LAGARTIXA
Cateretê de Hekel Tavares
Gravado por J. Gomes Junior
Disco Odeon Record 123.258, matriz 1078
Lançado em 1926



VOU QUEBRAR
Choro de Henrique Vogeler
Gravado por J. Gomes Junior
Disco Odeon Record 123.259, matriz 1081
Lançado em 1926



IOIÔ É BÃO
Samba Carnavalesco de Raul Silva
Gravado por J. Gomes Junior
Disco Odeon Record 123.261, matriz 1082
Lançado em 1926



MINHA SOGRA QUER ME TAPEAR
Samba Carnavalesco de José Francisco de Freitas
Gravado por J. Gomes Nunior
Disco Odeon Record 123.262
Lançado provavelmente em 1926



TUDO ACABADO
Tango Canção de Cândido das Neves
Gravado por J. Gomes Junior
Disco Odeon Record 123.263, matriz 1087
Lançado em 1926










Agradecimento a Eduardo Saragiotto Beghini e ao Arquivo Nirez










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