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sábado, 18 de novembro de 2017

MAMÃE ME ENGANOU - Por SENHORITA CONSUELO, 1903

Entre as gravações de Senhorita Consuelo se destaca a cançoneta Mamãe Me Enganou, da autoria de Ernesto Mattoso. A partitura dá como adaptada ao tango Veludo, da autoria de Cesário Villela.

A letra fala sobre uma moça que é impelida pela mãe a casar, mas se decepciona após o casamento, e lamentando-se fica repetindo que "mamãe me enganou".

Senhorita Consuelo foi a segunda cantora a gravar discos no Brasil, gravando sozinha ou em duetos com Bahiano, onde revela um lado extrovertido e brincalhão; também, ao lado de Bahiano, gravou com o ator Braga. Assim como as demais Senhoritas, não sabemos nada sobre sua vida, ao não ser seus registros em discos. Provavelmente, deveria também ser atriz de teatro musical. Em propagandas do jornal O Echo Phonographico, de 1903, há citações de cilindros de cera gravados por ela.

Bahiano fez uma gravação de Mamãe me Enganou em 1902.
A versão de Senhorita Consuelo seria relançada em LP nos anos 70, no disco Os Pioneiros - 15 Cantores Primitivos.

A letra foi tirada da partitura. Não foram gravados todos os versos e houve uma pequena modificação no refrão. Trago a versão da gravação (com a ortografia atual) e a impressa para canto e piano, com a ortografia e pontuações da época.



MAMÃE ME ENGANOU 
Cançoneta de Ernesto Mattoso
Gravada por Senhorita Consuelo
Disco Zon - O - Phone X-688 
Gravado em 1903

Letra da gravação

Desde a infância, desde a escola
No casamento ouvi falar
A mamã virou-me a bola
Para que me quisesse casar
E eu lutei, pois tinha medo
de alguma desilusão
Não conhecia o segredo 
dessa espécia de união.

Logo ao sair da igreja
rubra como a cereja
Suspirei ai! Ai!
Que mamãe me enganou!

Não é tudo, eu fui para casa
querendo risos mostrar
Mas eu tinha o peito em brasa
Não podia o pranto abafar
Me dizia toda a gente
em coro e no mesmo tom:
Amanhã estarás contente
que o casar é muito bom!

Dias depois, minha tia,
me disse uma vez ao jantar:
Menina! Eu não te dizia?
Nada é melhor do que casar!
Não senhora! Nada, nada!
É uma perfeita ilusão!
Já a mamã foi a culpada

da minha dura aflição.

Chorosa, disse-lhe ao ouvido:
Eu não sei para que serve um marido!

Suspirei ai! Ai!
Que mamãe me enganou!



 Letra completa da Partitura 

Desd´a infancia desd´a escola
Em casamento ouvi fallar
E a mamãe viroum´a bola
Para q´eu quizesse casar.
Eu luctei pois tinha medo
de alguma desilusão
Não conhecia o segredo
Dessa especie d´união
E logo ao sahir da Igreja
Rubra cómo (sic) a cereja
suspirei ai!... ai! ai!
ai! ai! ai!
Oh! quem me mandou
Oh! quem me mandou
suspirei ai! ai! ai! ai!
mamãe me enganou.

2
Não é tudo; eu fui p´ra caza (sic)
Querendo risos mostrar,
Mas não pude o peito em braza
Não quis o pranto abafar.
Me dizia toda a gente
Em côro e no mesmo tom 
Amanham (sic) estarás contente
O casar é muito bom.
Meo Senhor Deus me proteja
Rubra como a cereja
Suspirei ai! ai! ai!

3
Houve cêa e patuscada
Todos querião brincar
E a festa estava acabada
Antes da aurora raiar
Todo o mundo despedio-me
Para que eu fosse dormir
E logo o noivo conduzio-me
Para o quarto de vestir.
Meo Senhor Deus me proteja
Rubra como a cereja
Suspirei ai! ai! ai!

4
Dias depois a minha Tia
Me disse uma vez ao jantar
Menina! eu não te dizia
Nada é melhor que casar
Não senhora, nada nada,
É uma completa illusão
Mas Mamãe é a culpada
Da minha dura afflicção.
Chorosa disse-lhe ao ouvido
Não sei pr´a que serve marido
Suspirei ai! ai! ai!







Agradecimento aos senhores Célio Oliveira (in memoriam) 
e Aldo Santiago (in memoriam) e ao Arquivo Nirez









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