terça-feira, 8 de janeiro de 2019

ARACY CÔRTES - 34 ANOS DE SAUDADE

ARACY CÔRTES
Revista Frou Frou, 1929.
http://memoria.bn.br


Há 34 anos falecia a cantora e atriz ARACY CÔRTES.

Aracy Côrtes foi um dos grandes nomes de nossa música popular e de nosso teatro de revistas. Considerada pela imprensa A Rainha do Samba, ela também foi considerada A Rainha da Praça Tiradentes, centro do Rio de Janeiro, onde se concentravam os teatros mais conhecidos da cidade e onde ela reinou por décadas, lançando sucessos musicais e compositores que se destacariam em nosso cenário musical, como Noel Rosa, Assis Valente e Ary Barroso. Em seu currículo também consta o título de Rainha do Teatro de Revistas, por ter sido uma das atrizes que mais se destacou nesse gênero teatral, dividindo a coroa com antecessoras como Aurélia Delorme, Pepa Delgado, Júlia Martins, Otília Amorim, e contemporâneas como Margarida Max e Lia Binatti.

Zilda de Carvalho Espíndola nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 31 de março de 1904. Era filha de Argemira e Carlos Espíndola, ele um conhecido chorão do começo do século XX. A família era vizinha dos Viana, de modo que a pequena Zilda e sua irmã, Dalva, foram amigas de infância de Pixinguinha e China, seu irmão.

Zilda iniciou sua carreira de atriz no grupo amador Filhos de Talma, no final da década de 1910. Por volta de 1920, o grupo Oito Batutas, do qual Pixinguinha e China faziam parte, precisavam de uma cantora e pensaram nela. China foi um dos responsáveis pela mudança de nome, para Aracy Côrtes. No início, Zilda relutou e usou Zilda Côrtes em algumas apresentações. Já existia uma Aracy Côrtes que era professora conhecida e não gostou nada de saber que uma atriz usaria seu nome. Porém, Zilda adotou o nome Aracy Côrtes e assim ficaria permanentemente conhecida.

Sua estreia profissional no teatro de revistas aconteceu em 31 de dezembro de 1921, na revista Nós, pelas Costas, onde ela interpretava o personagem Vinho do Porto. A partir de então, não parou mais de atuar nos palcos, sempre conquistando boas críticas e cativando cada vez mais o público.

Em 1925, lançou seus primeiros discos pela Odeon Record (Casa Edison), gravando A Casinha, de Luís Peixoto e Pedro de Sá Pereira, Petropolitana, de Adalberto de Carvalho (repertório da atriz Pepa Delgado) e Serenata de Toselli, de E. Toselli. Ela foi acompanhada pelo Jazz Band Sul Americano de Romeu Silva.

Voltaria a gravar a partir de 1928, lançado dois discos de sucesso e dois clássicos de nossa música. Pela Parlophon, Aracy Côrtes gravou Jura, de Sinhô, Chora Violão, de Josué de Barros, Yayá (Linda Flor), de Henrique Vogeler, Luís Peixoto e Marques Porto, e Baianinha, de De Chocolat e Oscar Mota. Jura e Linda Flor (Ai, Yoyô) são lembradas até hoje, e, principalmente Ai, Yoyô marcaria definitivamente sua vida e carreira, sendo o primeiro samba canção da história.
Aracy Côrte seguiu sua carreia através dos anos 20, 30 e 40, interrompendo por um período, mas voltando vez por outra aos palcos.
Em 1965, retornou de forma triunfal no espetáculo Rosa de Ouro, que lançou Clementina de Jesus, e tinha bambas como Nelson Sargento, Paulinho da Viola e Elton Medeiros.

Infelizmente, o Brasil tem uma tradição de ir esquecendo seus antigos artistas e com Aracy Côrtes não foi diferente. Já idosa, ela lembrada por poucos. Amigos fiéis e dedicados como o cenógrafo J. Maia cuidou dela nos últimos anos, o mesmo acontecendo com a cantora e atriz Marília Barbosa, que foi considerada pela própria Aracy Côrtes como sua sucessora artística. Eram amigos que estavam com ela em momentos de mais necessidades.

Seu último show aconteceu na Funarte em 1984, quando ela completou 80 anos e dividiu o palco com Marília Barbosa em um espetáculo inesquecível. Cantando seus sucessos, Aracy Côrtes mostrava que, mesmo com a idade avançada, ainda mantinha sua majestade e talento.

Aracy Côrtes faleceu em 08 de janeiro de 1985, meses antes de completar 81 anos de idade.


ARACY CÔRTES
Início da década de 1930.
Arquivo Nirez.


Trago algumas gravações feitas por Aracy Côrtes na Odeon Record, Parlophon, Odeon Brunswick e Columbia, realizadas no período de 1925 e 1954.


Gravações Odeon Record


A CASINHA
Canção de Luís Peixoto e Pedro de Sá Pereira
Gravada por Aracy Côrtes
Acompanhamento do Jazz Band Sul Americano Romeu Silva
Disco Odeon Record 122.884
Lançado em 1925



PETROPOLITANA
Canção de Adalberto de Carvalho
Gravada por Aracy Côrtes
Acompanhamento do Jazz Band Sul Americano Romeu Silva
Disco Odeon Record 122.885
Lançado em 1925



Gravações Parlophon


JURA...!
Samba de Sinhô (José Barbosa da Silva)
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Simão Nacional Orquestra
Disco Parlophon 12.868-A, matriz 2071
Lançado em novembro de 1928



CHORA VIOLÃO
Canção Sertaneja de Josué de Barros
Gravada por Aracy Côrtes
Acompanhamento de piano e violão
Disco Parlophon 12.868-B, matriz 2083
Lançado em 1928



YAYÁ (LINDA FLOR - AI, YOYÔ)
Canção Brasileira de Henrique Vogeler, Marques Porto e Luís Peixoto
Gravada por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Parlophon
Disco Parlophon 12.926-A, matriz 2366
Lançado em março de 1929



BAIANINHA
Samba de De Chocolat e Oscar Mota
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Parlophon
Disco Parlophon 12.926-B, matriz 2365
Lançado em março de 1929



Gravações Odeon


A POLÍCIA JÁ FOI LÁ EM CASA
Samba Canção de Olegário Mariano e Júlio Cristóbal
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.426-A, matriz 2656
Lançado em julho de 1929



O AMOR VEM QUANDO A GENTE NÃO ESPERA (SAMBA DA PENHA)
Samba de Ary Barroso, Cardoso de Menezes e Bittencourt
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Orquestra
Disco Odeon 10.469-A, matriz 2.866
Lançado em outubro de 1929



PRODUTO NACIONAL (FUTA DA TERRA)
Samba de Pedro de Sá Pereira
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.471-A, matriz 2.877
Lançado em outubro de 1929



GEMER NO VIOLÃO
Samba de Lamartine Babo
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.471-B, matriz 2.876
Lançado em outubro de 1929



CABOCLA CHEIROSA (ITASSUCÊ)
Canção de Pedro de Sá Pereira e Alfredo Breda
Gravada por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Orquestra
Disco Odeon 10.681-A, matriz 3544
Lançado em setembro de 1930



ALMA DA RUA
Canção de Augusto Vasseur e Luís Iglezias
Gravada por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Orquestra
Disco Odeon 10.692-A, matriz 3896
Gravado em 14 de agosto de 1930 e lançado em outubro



CHAMEGO
Canção de Augusto Vasseur, Marques Porto e Luís Peixoto
Gravada por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Orquestra
Disco Odeon 10.692-B, matriz 3897
Gravado em 14 de agosto de 1930 e lançado em outubro



NÃO SOU FAMÍLIA
Samba de Honório Rodrigues e Amábile Bulhões
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.785-B, matriz 4086
Gravado em dezembro de 1930 e lançado em abril de 1931



QUANDO O MEU AMOR PARTIU
Samba de Benedito Lacerda
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.144-A, matriz 4879
Gravado em 17 de julho de 1934 e lançado em agosto



NÃO CONVÉM
Samba de Luperce Miranda e I. de Morais
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.185-B, matriz 4955
Gravado em 26 de novembro de 1934 e lançado em janeiro de 1935



HINO À VIDA
Samba de Vicente Paiva, Max Nunes e J. Maia
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Orquestra
Disco Odeon 13.398-B, matriz 9547
Gravado em 23 de dezembro de 1952 e lançado em março de 1953



UM SORRISO
Samba de Benedito Lacerda e Felisberto Martins
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Orquestra
Disco Odeon 13.693-B, matriz RIO-10166
Gravado em 11 de junho de 1954 e lançado em agosto



Gravações Brunswick


SORRIS
Samba Canção de Jota Soares
Gravado por Aracy Côrtes
Disco Brunswick 10.148-A, matriz 596
Lançado em 1931



DENTINHO DE OURO
Samba Canção de Henrique Vogeler e Horácio de Campos
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Brunswick
Disco Brunswick 10.148-B, matriz 595
Lançado em 1931



MAL DE AMOR
Samba Canção de Sinhô (J. B. da Silva)
Gravado por Aracy Côrtes
Disco Brunswick 10.158-B, matriz 601
Lançado em 1931



Gravações Columbia


À LA ARACY
Samba de Júlio Cristobal
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Seu Grupo
Disco Columbia 22.024-B, matriz 381016
Lançado em maio de 1931



REMINISCÊNCIAS
Samba de Jota Soares e Carlos Medina
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia 22.024-B, matriz 381011
Lançado em maio de 1931



QUEM ME COMPREENDE
Canção de Ary Barroso e Bernadino Vivas
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia 22.035-B, matriz 381012-2
Lançado em julho de 1931



TEU DESPREZO
Samba de Arthur Costa
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento de Regional
Disco Columbia 22.035-B, matriz 381017-2
Lançado em julho de 1931



VERDE E AMARELO
Samba de Orestes Barbosa e J. Thomaz
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra de Concertos Columbia, com Armando de Araújo ao Piano
Disco Columbia 22.127-B, matriz 381262-3
Lançado em junho de 1932



A MINHA DOR
Samba de Oscar Cardona
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra de Concertos Columbia
Disco Columbia 22.127-B, matriz 381263-3
Lançado em junho de 1932



RECORDAÇÕES DE UM PASSADO
Samba de Benedito Lacerda e Alcebíades Barcelos (Bide)
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Columbia
Disco Columbia 22.134-B, matriz 381281
Lançado em julho de 1932



TEM FRANCESA NO MORRO
Samba de Assis Valente
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento do Pessoal do Morro
Disco Columbia 22.148-B, matriz 381309
Lançado em novembro de 1932



MORENO FACEIRO
Samba de Custódio Mesquita
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Columbia
Disco Columbia 22.153-B, matriz 381325
Lançado em dezembro de 1932



VOCÊ É O HOMEM DO MEU PEITO
Samba de J. Cabral e M. Rodrigues
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Columbia
Disco Columbia 22.153-B, matriz 381332
Lançado em dezembro de 1932



TENHO VONTADE
Samba de Guilherme Pereira
Gravado por Aracy Côrtes
Acompanhamento da Orquestra Columbia
Disco Columbia 22.203-B, matriz 381419
Lançado em 1933










Agradecimento ao Arquivo Nirez e a Dijalma Cândido










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