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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

JESY BARBOSA - 32 ANOS DE SAUDADE


JESY BARBOSA
O Cruzeiro, 1932
Arquivo Nirez



Há 32 anos falecia a cantora e poetisa JESY BARBOSA.

Jesy de Oliveira Barbosa nasceu em 15 de novembro de 1902, em Campos (RJ), sendo filha de Victória Barbosa, musicista, e Luís Barbosa, poeta e jornalista.

No começo da década de 1920, ela começou a aparecer cantando em eventos sociais. Foi aluna da grande soprano Zaíra de Oliveira, que tinha por Jesy uma admiração especial.

Talentosa, Jesy Barbosa começou a se apresentar em recitais e programas de rádio, na segunda metade da década de 1920, sendo uma das cantoras pioneiras a fazê-lo.


Jesy Barbosa em 1928.
Revista O Violão.
Arquivo Nirez.


Em 1929, com um nome cercado por sucesso no meio artístico, foi uma das apostas da gravadora Victor, que se instalava no Brasil. Não decepcionou, com seus discos sendo bem acolhidos pela crítica e pelo público, fazendo um repertório baseado em canções românticas e regionais, mas também gravando sambas e maxixe.

Em 1930, em um concurso do Diário Carioca, foi eleita pelos leitores A Rainha da Canção Brasileira. Durante o pleito, teve apoio da novara cantora, que já fazia sucesso, Carmen Miranda, que ao ver que não ganharia passou a torcer por Jesy, em prova de verdadeira camaradagem, que seria a marca de Carmen em sua vida.

Jesy Barbosa também era jornalista, escritora, romancista, rádio atriz, escreveu novelas para o rádio, enfim, era uma mulher de múltiplos talentos e se destacava em cada coisa que fazia.

Ela faleceu em 30 de janeiro de 1987, os 85 anos de idade, no Rio de Janeiro.


Para homenageá-la, trago um questionário feito pela revista O Cruzeiro, de 1932, abordando a cantora. Também trago uma entrevista de Jesy Barbosa, já idosa, concedida ao pesquisador Jairo Severiano e ao cantor e pesquisador Paulo Tapajós. Ela relembra sua vida e carreira, citando amigos e colegas dos anos 20 e 30.

O questionário apresentado por O Cruzeiro mostra a visão masculina da época para com as mulheres, mesmo as consideradas intelectuais. Para eles, elas eram românticas, sensíveis, observadoras de céus estrelados, natureza, suscetíveis às ilusões do amor... Temas como o voto feminino (que em 1932 fora aprovado, para ser posto em prática em 1934) nem se quer eram tocados. O que essas artistas e escritoras pensavam sobre os direitos das mulheres, suas lutas por igualdade, não saberemos. Não através dessa reportagem. Mas vale a pena trazê-la para observarmos o retrato de uma época. Apesar das perguntas, as respostas eram cheias de espírito, mostrando a inteligência e o pensamento de cada entrevistada. Jesy Barbosa não fez feio e, em suas respostas, revelou um pouco de si.























Agradecimento ao Arquivo Nirez










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