terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

A ESTREIA DE CARMEN MIRANDA COMO CANTORA

 
CARMEN MIRANDA
Foto Febus
Fotografia tirada nos estúdios da Cinédia
Arquivo Nirez




Carmen Miranda, nossa Pequena Notável, continua nos dias de hoje a nos encantar e a conquistar novos e ardorosos fãs. Isso é fruto de seu grande talento e carisma, que podemos conferir através de suas gravações em discos, filmes e shows de televisão, fora as inúmeras fotografias que retratam toda sua vida e carreira.
 
Falando em carreira, sempre foi de concordância entre os pesquisadores de Carmen Miranda que sua estreia como cantora para o público, mesmo que amadora, se deu em 07 de janeiro de 1929 no Instituto Nacional de Música, em um evento beneficente promovido pelo deputado Annibal Duarte em homenagem ao compositor Ernesto Nazareth. A data desse evento foi descoberta por nosso querido amigo, o pesquisador Luiz Antônio de Almeida, biógrafo e herdeiro moral honorário de Ernesto Nazareth que, ao pesquisar no caderno de notas do músico, descobriu a data correta.
 
Nós, pesquisadores, estamos sempre na ativa, buscando fatos novos, muitas vezes em vão. Porém, em uma dessas tentativas, encontrei uma data anterior a essa apresentação, onde Carmen Miranda, ainda em agosto de 1928, tomava parte de um evento também beneficente no mesmo Instituto Nacional de Música. Creio que essa nova data seja, até o momento, a estreia de Carmen como cantora perante um público, ainda na condição de amadora. Interessante é o fato dela se apresentar cantando tangos, sua paixão na adolescência ao lado da música popular feita no Brasil.
 
 
Vou discorrer um pouco sobre essa fase da vida de Carmen Miranda, com alguns recortes e fotografias.
 
 
Carmen Miranda nasceu Maria do Carmo Miranda da Cunha em Portugal, na cidade do Porto, no vilarejo de Marco de Canaveses, no dia 09 de fevereiro de 1909. Seus pais já tinham uma filha, Olinda. Em busca de melhores condições de vida, a família se muda para o Brasil. Primeiro, veio o sr. José Maria Pinto da Cunha, para depois aqui chegarem d. Maria Emília Miranda da Cunha com suas duas filhas, Olinda e Maria do Carmo, esta com mais ou menos um ano de idade.
 
Carmen, como era chamada pela família, cresceu em bairros como a Lapa e, depois, no Centro do Rio de Janeiro quando, já adolescente, foi morar na Travessa do Comércio, nos Arcos da Lapa, ao lado da Praça XV. Sua mãe abriu uma pensão na casa da família, onde servia refeição ao público. Entre os clientes, vários músicos.
 
Com o desejo de ser artista, Carmen Miranda (ela adotara o sobrenome de solteira de sua mãe) tentou carreira no cinema ainda em meados dos anos 20, conseguindo apenas fazer figuração em um filme. Por volta de 1928 ela conheceu o violonista e compositor baiano Josué de Barros que, vendo o potencial talento da jovem, tratou de inseri-la no meio artístico.
 
É aí que chegamos em 28 de agosto de 1928, o dia em que Carmen Miranda se apresenta no Instituto Nacional de Música, em um evento de caridade em benefício ao Orfanato do Sagrado Coração de Jesus. Segundo o jornal A Esquerda, de 27 de agosto de 1928, p.04, seriam apresentados “tangos argentinos pela graciosa senhorinha Carmen Miranda”.


A Esquerda, 27 de agosto de 1928, p.04
http://memoria.bn.br/


 
Após esse evento, Carmen Miranda aparece na célebre apresentação do Instituto Nacional de Música em homenagem ao compositor Ernesto Nazareth, realizada em 07 de janeiro de 1929.
 
No começo da década de 1990 descobri uma interessante fotografia na revista O Violão, no Arquivo Nirez (em Fortaleza – Ce), onde havia um grupo de pessoas reunidas em um pequeno palco. A legenda da fotografia citava Ernesto Nazareth, mas pude perceber, entre os presentes, o sorriso marcante de Carmen Miranda e, ao seu lado, sua irmã Aurora Miranda ainda adolescente. Mais tarde vim a saber que essa era a participação de Carmen no evento realizado pelo deputado baiano Annibal Duarte. Por ocasião dos 50 anos de morte de Carmen Miranda, em 05 de agosto de 2005, publiquei um artigo no jornal O Povo, aqui de Fortaleza, divulgando essa fotografia. Detalhe: na legenda da revista O Violão, o nome de Carmen Miranda não é citado.
 
É um importante registro. Com calma, vários amigos puderam identificar os outros participantes. No grupo estão, além de Ernesto Nazareth, Carmen Miranda e Aurora Miranda, o cantor Breno Ferreira, o deputado Annibal Duarte, o namorado de Carmen, Mário Cunha, o irmão de Carmen, Oscar Miranda, Josué de Barros e seu filho Betinho. Algumas pessoas ainda não foram identificadas.


"Grupo tirado no Instituto Nacional de Musica por occasião do recital de musicas regionaes ali realisado por um grupo de rapazes e senhoritas de nossa melhor sociedade. Entre elles, no centro, vê-se a figura sympathica do rei do tango, o grande pianista Ernesto Nazareth que num gesto de requintada gentileza tomou parte no recital".
Revista O Violão, fevereiro de 1929
Arquivo Nirez



Revista O Violão, fevereiro de 1929
Arquivo Nirez




Jornal O Povo, 05 de agosto de 2005
Arquivo Marcelo Bonavides




Jornal O Povo, 05 de agosto de 2005
Arquivo Marcelo Bonavides


 
Nesse mesmo ano de 1929, ainda no primeiro semestre, Carmen Miranda e Josué de Barros estavam investindo bastante em sua carreira como cantora. Ela se apresentou em algumas rádios como Rádio Educadora do Brasil, Rádio Sociedade e Rádio Mayrink Veiga.
 
Ainda em março, ela faria (talvez) sua primeira apresentação fora da cidade do Rio de Janeiro, indo se apresentar em Petrópolis e sendo apresentada pela imprensa como especialista em tangos.


Correio da Manhã, 10 de março de 1929
(imagem editada)
http://memoria.bn.br/



Diário Carioca, 21 de março de 1929
http://memoria.bn.br/

 
Com tanto emprenho na carreira da jovem cantora, o próximo passo dado por Josué de Barros foi conseguir que ela gravasse um disco. E isso foi feito em setembro de 1929 na gravadora Brunswick, onde Carmen Miranda registrou em cera as composições de Josué: Se o Samba é Moda, choro, e Não vá Simbora, samba. O disco demoraria a ser lançado e Josué levou Carmen para um teste na Victor, onde ela foi aprovada imediatamente.
 
Na Victor, ela começou a gravar em dezembro de 1929, sendo os discos lançados já em janeiro de 1930, juntamente com o seu primeiro da Brunswick. Porém, na Victor, Carmen Miranda chamaria atenção ao seu modo de interpretar as composições, destacando-se rapidamente como uma popular intérprete, chegando em pouco tempo ao posto de maior cantora do Brasil, principalmente após o lançamento da marcha canção de Joubert de Carvalho, Prá Você Gostar de Mim, mais conhecida como Taí. 

A partir de então, Carmen Miranda se sobressairia no cenário artístico brasileiro, conquistando o público através de seus discos, shows, aparições em rádios e no cinema, que agora fazia questão de tê-la nos filmes musicais que eram lançados a cada ano. Com toda essa bagagem não demoraria muito Carmen fascinar, em breve, o mundo.


Primeiro disco gravado por Carmen Miranda
Não vá Simbora/Se o Samba é Moda




P´ra Você Gostar de Mim (Taí)
Obs. Ótima remasterização de Gustavo Lopes

















Agradecimentos a Luiz Antoônio de Almeida






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