terça-feira, 12 de dezembro de 2017

COCO DE PAGÚ - UMA HOMENAGEM À PAGÚ (PATRÍCIA GALVÃO)

PAGÚ
(PATRÍCIA GALVÃO)
acervofolha.blogfolha.uol.com.br



Há 55 anos falecia a escritora e militante política PAGÚ, Patrícia Galvão.

Patrícia Rehder Galvão nasceu em São João da Boa Vista (SP), em 09 de junho de 1910, sendo também romancista, tradutora, jornalista e ilustradora.

Mesmo não tendo participado do Movimento Modernista de 1922, Patrícia era muito amiga de seus integrantes, sendo considerada sua musa. Seu apelido Pagu foi dado pelo poeta modernista Raul Bopp que, por engano, achava que seu sobrenome fosse Goulart (pronuncia-se Gular), procurando juntar as primeiras sílabas do nome Pa e Gu. Porém, o apelido pegou e Raul fez um poema para ela, Coco de Pagú, em 1928, que seria gravado como toada por Laura Suarez em finz de 1929.


PAGÚ
http://ujs.org.br


PAGÚ
agenciabrasil.ebc.com.br


Aos dezoito anos, a moça que frequentava a casa casal de amigos Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, teve alguns de seus desenhos publicados na Revista de Antropofagia. Nessa época, também, viu-se em um escândalo se envolver com Oswald de Andrade, com quem se casou em 1930, tendo o filho Rudá.

Em 1931, Pagú filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), dando início à sua militância, chegando a ser presa algumas vezes. Participando da Intentona Comunista de 1935, durante o governo de Getúlio Vargas, foi presa e torturada, ficando detida por quatro anos e meio. Chegou a ir para a Europa, onde foi recebia por sua amiga a cantora Elsie Houston.

Sendo expulsa do PCB, Pagu retomou sua vida e se casou pela segunda vez, em 1940, com Geraldo Ferraz, sendo mãe de Geraldo Galvão Ferraz (Kiko). Passou a escrever colunas literárias em jornais.


PAGÚ
http://www.elfikurten.com.br


Por duas vezes tentou o suicídio. Uma em 1949 e outra em 1962, quando foi diagnosticada com um câncer de pulmão. Porém, seria a doença que tiraria sua vida em 12 de dezembro de 1962, na cidade de Santos (SP).

Em 1988, Norma Benguell dirigiu o filme Eternamente Pagu, sobre a vida de Patrícia Galvão. Foi protagonizado por Carla Camurati (Pagú), Antônio Fagundes (Oswald de Andrade) e Esther Góes (Tarsila do Amaral). O elenco contava ainda com Otávio Augusto vivendo Geraldo Ferraz e a própria Norma Benguell interpretando Elsie Houston. Foi o primeiro filme dirigido por Norma Benguell.

Para homenageá-la, trago Laura Suarez interpretando o poema de Raul Bopp, Coco de Pagú, no ritmo de toada. Em correspondência com o pesquisador e tradutor francês Antoine Chareyre, ficamos sabendo que Bopp mudou algumas vezes seu texto até chegar à versão definitiva. De acordo com Chareyre, Laura gravou o texto de Bopp de acordo como saiu, pela primeira vez, na revista Para Todos, em 1928, onde Di Cavalcanti fez um desenho de Pagú ao violão.


Letra de Coco de Pagú na revista Para Todos, com o desenho de Di Cavalcanti,
27 de outubro de 1928, p.24.
http://memoria.bn.br


Copiamos a letra de ouvido, segunda a gravação de Laura Suarez.




COCO DE PAGÚ
Toada com letra de Raul Bopp
Gravado por Laura Suarez
Acompanhamento de violões
Disco Brunswick 10.015-B, matriz 121
Lançado em janeiro de 1930




Coco de Pagú
Pagu tem uns olhos mole
Olhos de não sei o que
Se a gente está perto dele
A alma começa a doê


Ê Pagú, Ê
Dói porque é bom de fazer doer

Ai, Pagú, Pagú,

Não sei o que você tem
A gente, queira ou não queira
Fica lhe querendo bem


Você tem corpo de cobra
Onduladinho e indolente
Dum veneninho gostoso
Que dói na boca da gente


Eu quero você pra mim
Não sei se você me quer
Se quiser ir pra bem longe
Vou pra onde você quiser


Mas, se quiser ficar perto
Bem pertozinho daqui
Então, você pode vir
Ai, tiri tiri tiri












Agradecimento a Antoine Chareyre e ao Arquivo Nirez











segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

NOEL ROSA - 107 ANOS

NOEL ROSA
www.ebiografia.com



Há 107 anos nascia o compositor, cantor e violonista NOEL ROSA, O Poeta da Vila.


Noel de Medeiros Rosa nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Vila Isabel, em 11 de dezembro de 1910, vindo a falecer nessa mesma cidade e bairro, em 04 de maio de 1937, com apenas 26 anos, vitimado pela tuberculose.

Iniciou sua carreira artística no final dos anos 20, fazendo parte do conjunto Bando de Tangarás, ao lado dos amigos Almirante, João de Barro (Braguinha), Alvinho e Henrique Brito. Em 1929, gravou suas primeiras composições, Festa no Céu e Minha Viola.

Noel Rosa foi um dos maiores compositores de nossa música popular, compondo clássicos como Último Desejo e Provei, interpretados respectivamente por suas amigas Aracy de Almeida e Marília Batista, consideradas suas melhores intérpretes.

Com uma vida intensa e boêmia, Noel Rosa adquiriu tuberculose, mas não deixou de compor ou frequentar as rodas de amigos. Foi casado com d. Laurinda, não tendo filhos. Mesmo comprometido não deixava de ter suas musas, homenageadas em suas composições.

Já trouxemos Noel Rosa em várias ocasiões:

Noel Rosa – 80 anos de saudade: http://bit.ly/noelrosa80

Noel Rosa – 104 anos: http://bit.ly/noelrosa104

Noel, por ele mesmo: http://bit.ly/noelrosacantando

Noel Rosa – 75 anos de saudade: http://bit.ly/noelrosa75

Hoje, trazemos Francisco Alves e Mário Reis que, em dupla ou individualmente, gravaram várias músicas de Noel Rosa.




É PRECISO DISCUTIR
Samba
Gravado por Francisco Alves e Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.905-A, matriz 4374
Gravado em 28 de novembro de 1931 e lançado em 1932





NUVEM QUE PASSOU
Samba
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 19.927-B, matriz 4471
Gravado em 02 de julho de 1932 e lançado nesse mesmo ano





MULATO BAMBA
Samba Canção
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.928-B, matriz 4480
Gravado em 07 de julho de 1932 e lançado nesse mesmo ano





ESTAMOS ESPERANDO
Samba
Gravado por Francisco Alves e Mário Reis
Acompanhamento de Gente Boa
Disco Odeon 10.956-A, matriz 4535
Gravado em 17 de novembro de 1932 e lançado em janeiro e fevereiro de 1933



TUDO QUE VOCÊ DIZ
Samba
Gravado por Francisco Alves e Mário Reis
Acompanhamento de Gente Boa
Disco Odeon 10.956-B, matriz 4554
Gravado em 19 de dezembro de 1932 e lançado em janeiro e fevereiro de 1933



   

FITA AMARELA
Samba
Gravado por Francisco Alves e Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 10.961-B, matriz 4569-9
Gravado em 29 de dezembro de 1932 e lançado em janeiro e fevereiro de 1933





PRA ESQUECER
Samba Canção
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento da Turma da Vila
Disco Odeon 11.017-B, matriz 4613
Gravado em 23 de março de 1933 e lançado em maio e junho





QUANDO O SAMBA ACABOU
Samba
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 11.003-A, matriz 4639
Gravado em 11 de abril de 1933 e lançado em maio





CAPRICHO DE RAPAZ SOLTEIRO
Samba
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 11.003-B, matriz 4652
Gravado em 24 de abril de 1933 e lançado em maio





MEU BARRACÃO
Samba
Gravado por Mário Reis
Acompanhamento de Romualdo Peixoto (Nonô) ao piano
Disco Columbia 22.242-B, matriz 381533
Lançado em 1934









Agradecimento ao Arquivo Nirez











domingo, 10 de dezembro de 2017

ADEUS À EVA TODOR

EVA TODOR
g1.globo.com



Faleceu hoje, domingo, dia 10 de dezembro de 2017, a atriz EVA TODOR, aos 98 anos.

Eva Todor faleceu por volta das 8h50m da manhã deste domingo. A causa da morte foi pneumonia. Segundo o amigo Marcelo Del Cima, ela vinha sendo muito bem cuidada pelos enfermeiros e recebia a visita de amigos com frequência. Durante todo o ano de 2017 ela esteve doente.

Eva sofria de Mal de Parkinson e sua última aparição na TV foi na novela Salve Jorge, de Glória Perez, exibida pela Rede Globo em 2012. Sua última aparição pública aconteceu em novembro de 2014, quando ela recebeu uma homenagem feita por amigos artistas no Teatro Leblon.

Eva Fódor nasceu em Budapeste (Hungria) em 09 de novembro de 1919. Em Budapeste começou sua carreira ainda criança, como bailarina da Ópera Real de Budapeste. Criança, veio para o Brasil onde começou sua carreira como bailarina. Estudou dança clássica com Maria Olenewa, no Theatro Municipal. Segundo ela, casou-se aos quatorze anos com o compositor e teatrólogo Luiz Iglesias, que era bem mais velho. Mudando o nome para Eva Todor, atuou com sucesso no teatro de revista, inclusive ao lado de Francisco Alves, com quem cantou o fox Hei de Ver-te um Dia em uma peça.


Eva Todor e Luiz Iglesias, 1941.
Arquivo Nirez.


Seu esposo resolveu fundar uma companhia de comédias para Eva, no que foi muito feliz. Com a ajuda de Getúlio Vargas, ela se naturalizou brasileira. Seus sucessos como atriz de teatro iam aumentando. Também se destacou no drama, com a peça Cândida, de Bernard Shaw, em 1946. No teatro, seu estilo cômico seria abandonado em 1956 com a peça Senhora da Boca do Lixo, de Jorge Andrade, dirigida por Dulcina de Moraes.

No cinema, Eva Todor se destacou em filmes como Os Dois Ladrões, uma produção de Carlos Manga, ao lado de Oscarito.

Viúva de Luiz Iglesias, casou-se novamente, com o diretor teatral Paulo Nolding, em 1964, enviuvando em 1989.

Na televisão, Eva Todor deixaria vários personagens marcantes, como Kiki Blanche, em Locomotivas, de 1977.

Com uma carreira de mais de oitenta anos, Eva Todor era uma das grandes atrizes brasileiras da década de 1930 que ainda estava entre nós. Atuou ao lado de grandes nomes como Aracy Côrtes, Oscarito, Francisco Alves, sendo também um nome importante para a nossa cultura.

Publicamos uma reportagem de O Cruzeiro sobre ela e Luiz Iglesias, decidindo o repertório teatral: http://bit.ly/evaeluiz

Seu talento e carisma vão deixar saudades entre amigos e fãs, sempre acostumados com sua querida presença.


Eva Todor em 1941.
Arquivo Nirez.










sábado, 2 de dezembro de 2017

FRED FIGNER - 151 ANOS

FRED FIGNER
data-limite-2019.blogspot.com.br


Há 151 anos nascia o empresário e filantropo FRED FIGNER.

Nascido em 02 de dezembro de 1866 na antiga Tchecoslováquia, Frederico Figner chegou ao Brasil em 1891, aos 26 anos, exibindo uma das maravilhas inventadas no fim do século XIX, o fonógrafo, projetado por Thomas Edison. Desembarcando em Belém (PA), Fred Figner chamou a atenção das pessoas, que ficavam maravilhadas ao ouvir os sons do aparelho, tendo também suas vozes gravadas e reproduzidas logo em seguida. Hospedado em um hotel, ele aproveitou uma companhia teatral que estava no local e fez algumas gravações, sem esquecer os ritmos brasileiros como modinhas e lundus. Em seguida, seguiu para várias capitais do Nordeste, apresentando-se em Fortaleza, onde o fonógrafo foi exibido no Passeio Público e no bairro de Porangaba, na Intendência Municipal.

Percebendo um próspero negócio, passou a vender fonógrafos e cilindros. Com o sucesso das vendas inaugurou alguns estabelecimentos. A partir de 1897, recrutou os cantores Bahiano (Manuel Pedro dos Santos) e Cadete (Manuel Evêncio da Costa Moreira) para gravarem os primeiros cilindros comerciais. E em 1900, fundou a Casa Edison, em homenagem ao inventor americano. Esse estabelecimento vendia vários artigos, como objetos de escritórios, brinquedos, utilidades, acessórios e, também, cilindros, fonógrafos, gramofones e discos (na época chamados de chapas). 



O Echo Phonographico, setembro de 1902.
Arquivo Público do Estado de São Paulo.






O Echo Phonographico, setembro de 1902.
Arquivo Público do Estado de São Paulo.


Graças a sua aguçada visão comercial, a Casa Edison passou a ser nossa primeira gravadora de discos. Figner fez um puxado em sua loja e ali colocou os aparelhos necessários, com a ajuda de um técnico alemão, para o início de nossa indústria fonográfica. As primeiras gravações se deram em janeiro de 1902 e a maioria das provas foi aproveitada, indo para a Alemanha para servirem de matrizes para a impressão dos discos.

Vários artistas participaram dessas primeiras sessões de gravações, como Bahiano, Cadete, o flautista Pattápio Silva, a Banda do Corpo de Bombeiros. As gravações (que foram aproveitadas), iam para a Alemanha e voltavam impressas em discos. Dessa forma se torna impossível dizer quem foi o primeiro artista a gravar um disco no Brasil. Não há registros afirmando isso, podendo ter sido uma das matrizes que não foram aproveitadas. Porém, no Catálogo da Casa Edison para 1902, o lundu Isto é Bom, de Xisto Bahia, gravado por Bahiano, aparece em disco com a primeira numeração, 10.001, selo Zon – O – Phone. Mais uma vez lembro, não podemos afirmar ter sido a primeira gravação realizada no Brasil; embora tenha sido o primeiro disco catalogado.


Dos primeiros artistas a gravarem para a Casa Edison ficaram famosas as Senhoritas, Odette, Consuelo e Diva; ainda destacamos Mário Pinheiro, Eduardo das Neves, as atrizes Pepa Delgado e Júlia Martins, os cançonetistas Os Geraldos, a Inimitável Risoletta, Nozinho, João Barros, entre outros.


BAHIANO
Biblioteca Nacional


CADETE
www.onordeste.com


EDUARDO DAS NEVES
Arquivo Nirez


PEPA DELGADO
Biblioteca Nacional


MÁRIO PINHEIRO
Arquivo Nirez




OS GERALDOS
Acervo Humberto Franceschi


Fred Figner também foi um homem ligado ao filantropismo e ao espiritismo kardecista. Informações contam que a atriz Pepa Delgado foi uma das artistas que mais se empenharam para a fundação da Casa dos Artistas, o futuro Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro. A atriz teria convencido Figner a ceder um terreno seu terreno em Jacarepaguá para a construção do retiro. Seu primeiro contato com o espiritismo se seu com Pedro Sayão, pai da cantora Bidu Sayão. Um fato curioso se deu quando Fred Figner faleceu, em 19 de janeiro de 1947, no Rio de Janeiro: o empresário deixou de herança para o médium Chico Xavier um cheque com um alto valor, que ajudaria suas necessidades. Porém, o médium mineiro recusou o cheque, enviando para as filhas de Figner, que voltaram a devolver. Nesse vai-vem, Chico Xavier teve a ideia de que a quantia fosse endereçada à Federação Espírita Brasileira, para obras assistenciais em prol da Doutrina Espírita, no que foi atendido. O livro psicografado por Chico Xavier, intitulado Voltei, é da autoria do espírito Irmão Jacob, que seria o próprio Fred Figner escrevendo do plano espiritual, mas isso é assunto para outra ocasião.


Fred Figner já idoso.
aron-um-espirita.blogspot.com.br

Trago algumas gravações feitas por artistas da Casa Edison na primeira década do século XX.



ESCUTA
Modinha
Gravada por Cadete
Acompanhamento de violão
Disco Zon – O – Phone X – 1.006
Lançado em 1902



SEU NICOLAU
Gravado por Bahiano
Disco Zon – O – Phone X – 507
Lançado em 1903






DESPEDIDA
Dueto
Gravado por Os Geraldos
Disco Odeon Record 40.404
Lançado em 1905





O VENDEIRO E A MULATA
Dueto
Gravado por Pepa Delgado e Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano
Lançado em 1905





YAYAZINHA (EU TENHO UMA)
Lundu Alegre
Gravado por Eduardo das Neves
Disco Odeon Record 108.074, matriz XR – 607
Gravado e lançado em 1907





OLHAR DE SANTA
Lundu
Gravado por Nozinho
Disco Odeon Record 108.264
Lançado em 1910





TOMBO DO RIO
Tango
Gravado por Risoleta
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.753
Lançado em 1913





AI QUE GOSTOS
Dueto de Bahiano
Gravado por Júlia Martins e Bahiano
Disco Odeon Record 120.439
Lançado em 1913












Agradecimento ao Arquivo Nirez












sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O TANGO DA QUITANDEIRA - Por NINA TEIXEIRA, de CHIQUINHA GONZAGA

NINA TEIXEIRA
O Malho, 1909
http://memoria.bn.br



Hoje, trazemos a atriz e cantora gaúcha NINA TEIXEIRA.

Antonina Teixeira nasceu em Porto Alegre, no final do século XIX. Na primeira década do século XX formou, ao lado do também gaúcho Geraldo Magalhães, a dupla Os Geraldos, cançonetistas de muito sucesso. Os dois gravaram vários discos juntos, mas Nina também gravou sozinha ou em grupo, com Mário Pinheiro e Nozinho.

Ao lado de Júlia Martins, foi uma das primeiras atrizes-cantoras negras a se profissionalizar e fazer sucesso em nosso meio cultural.

Os Geraldos viajaram em 1909 a Paris, levando nossa música e dança, conseguindo algum sucesso por lá.

Infelizmente, por volta do começo da década de 1910, perdemos informações sobre Nina Teixeira, coincidentemente na mesma época em que ela encerrava a parceria com Geraldo Magalhães.

Entre suas gravações solo está o Tango da Quitandeira, com música de Chiquinha Gonzaga e letra de Vicente Reis e Raul Pederneiras, que fez parte da revista O Esfolado, em 1903. O disco de Nina Teixeira seria lançado entre 1904 e 1907. Conseguimos apenas a primeira parte dos versos e o refrão, copiados da partitura original, faltando uma estrofe gravada por ela.



TANGO DA QUITANDEIRA
De Chiquinha Gonzaga, Vicente Reis e Raul Pederneiras
Gravado por Nina Teixeira
Disco Odeon Record 10.091
Gravado e lançado entre 1904 e 1907


Meu defunto marido Garcia!
Foi um cabra de truz na eleição
Brazurura tremenda fazia
Todos tinham do cujo um medão
Se riscava num banho a sardinha
De cacete ou navalha na mão
Tudo ali transformava em farinha
E num frege virava a seção.

Já morreu, há mais quem garanta
Mas na cova não pode pousar
Mas na cova não pode pousar
Pois quando há votação se levanta
O defunto vem sempre votar
O defunto vem sempre votar.






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