terça-feira, 6 de julho de 2021

RELEMBRANDO O POETA CASTRO ALVES

CASTRO ALVES






Hoje, relembraremos o poeta CASTRO ALVES, que faleceu há 150 anos.


Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na Fazenda de Cabaceiras, na então Freguesia de Muritiba, em Curralinho (atual Castro Alves) (BA), em 14 de março de 1847. 

Seus pais eram Clélia Brasília da Silva Castro (filha de um herói da Independência da Bahia) e do médico Antônio José Alves, que viria a ser professor na Faculdade de Medicina de Salvador. Sua mãe faleceu quando ele tinha doze anos de idade.

 
Clélia Brasília da Silva Castro
Mãe de Castro Alves



Antônio José Alves
Pai de Castro Alves



CASTRO ALVES aos 15 anos




Revista da Semana, 1921
http://memoria.bn.br/



Em 1853, foi morar com a família em Salvador, estudando no colégio de Abílio César Borges, que seria o futuro Barão de Macaúbas. Nessa instituição, foi colega de Ruy Barbosa, já demonstrando uma grande e precoce vocação para a poesia.
 
Castro Alves foi morar em Recife no ano de 1862, concluindo os cursos preparatórios para ingressar na faculdade. Após ser reprovado duas vezes, passou e se matriculou na Faculdade de Direito do Recife em 1864. Em 1865, quando cursava o primeiro ano, foi colega de turma do também poeta Tobias Barreto.
 
Seu pai faleceu em 1866 e, pouco tempo depois, Castro Alves iniciou um romance com a atriz portuguesa Eugênia Câmara. O envolvimento com Eugênia causou escândalo na sociedade da época, pois ela era dez anos mais velha que o poeta, fato não bem-visto pelas regras sociais de então.


EUGÊNIA CÂMARA


 
Ficaram célebres seus duelos de poesias com o colega Tobias Barreto nos intervalos das peças do Theatro Santa Isabel, de Recife. Nesse teatro Eugênia Câmara se apresentava e dividia o palco com outra atriz portuguesa, Adelaide do Amaral, muito admirada por Tobias Barreto. Enquanto as duas artistas “duelavam” nos palcos com suas atuações, Alves liderava o partido (fã clube) de Eugênia, enquanto Barreto defendia o de Amaral. Um fazia poesias exaltando os dotes artísticos de uma, enquanto o outro rebatia, fazendo exatamente o mesmo com sua preferida. E mais: o teatro era um tumulto, pois, quando Eugênia Câmara aparecia em cena, seus fãs a aplaudiam e os admiradores de Adelaide do Amaral faziam barulhos com os pés no chão de madeira do teatro (a pateada) para atrapalhar. Quando era Amaral quem estava em cena, o tumulto se repetia, invertendo os papéis dos admiradores.
  
Castro Alves se destacou como poeta produzindo versos abolicionistas, condenando a escravidão no Brasil e expondo a absurda situação da população escravizada. Ficou conhecido como O Poeta dos Escravos ou O Poeta da Abolição.
 
Como um poeta social, produziu também peças de teatro para Eugênia Câmara, como o drama Gonzaga, de 1868. Os dois se separaram por volta de 1869, sem nunca apagarem de suas memórias o romance vivido. Castro Alves teve outros amores, antes e depois de Eugênia, porém, a história vivida pelos dois ficou famosa e inspiraria romanticamente as gerações seguintes, gerando livros de romances, músicas e até filmes, como Vendaval Maravilhoso (1949), onde a fadista Amália Rodrigues a interpretava.
 
Além de atriz, Eugênia Câmara também era poetisa, autora e tradutora de peças teatrais, tendo lançado um livro de poesias ainda na década de 1860, em Fortaleza (CE), quando se apresentava nessa cidade.
 
Ainda em 1869, em uma caçada em São Paulo, disparou acidentalmente sua espingarda no próprio pé esquerdo, precisando amputá-lo no Rio de Janeiro.
 
Alguns dos poemas de Castro Alves seriam musicados e gravados a partir de 1902, como a poesia Sonho da Bohemia (Dama Negra), feita especialmente para Eugênia Câmara. Outras composições, como O Gondoleiro do Amor, musicada por Salvador Fábregas e muito regravada, também foi feita para Eugênia Câmara, fora outras.
 
Além de poeta, Castro Alves tinha um grande talento para desenhar, deixando algumas obras, sem se profissionalizar nesse sentido. 


Desenho de Castro Alves
Revista da Semana, 1928
http://memoria.bn.br/




Desenho de Castro Alves



Desenho de Castro Alves


 
Vários de seus poemas que foram musicados, foram gravados por cantores como Bahiano, Cadete, Mário Pinheiro, Arthur Castro, e mais adiante, por Olga Praguer Coelho, entre outros. Seu poema mais conhecido é o já citado O Gondoleiro do Amor.
 
Castro Alves faleceu jovem, aos 24 anos, vitimado pela tuberculose em Salvador (BA), no dia 06 de julho de 1871. 
 
Eugênia Câmara faleceu no Rio de Janeiro, em 28 de maio de 1874.
 

Castro Alves é o patrono da cadeira número 07, da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Valentim Magalhães.




RECORTES SOBRE CASTRO ALVES


Castro Alves aos 18 anos





CASTRO ALVES, 1867, aos 20 anos





CASTRO ALVES
Última fotografia, São Paulo, 1871





A República, 1870
http://memoria.bn.br/




Correio Paulistano, 1871
http://memoria.bn.br/



A República (RJ), 1871
http://memoria.bn.br/




A Reforma (RJ), 1871
http://memoria.bn.br/





Jornal de Recife, 1871
http://memoria.bn.br/





O Abolicionista (BA), 1871
http://memoria.bn.br/


Boa Vista, fazenda onde morou Castro Alves.
Depois, viraria um hospital.



Theatro Santa Isabel, Recife



Auto-retrato de Castro Alves.
Biblioteca Nacional





Auto-retrato de Castro Alves.




GRAVAÇÕES MUSICADAS DE POESIAS DE CASTRO ALVES




Trago algumas gravações de seus poemas, que receberam melodias, feitas entre 1904 e 1961.


A CONCHA DO AMOR

https://discografiabrasileira.com.br/

Canção com versos de Castro Alves e melodia de Salvador Fábregas
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 40.080, matriz RX-121
Lançado em 1904



PÁLIDA MADONA

https://discografiabrasileira.com.br/

Modinha com versos de Castro Alves
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 40.563
Lançado em 1905



EUGÊNIA

https://discografiabrasileira.com.br/

Modinha com versos de Castro Alves
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 40.611
Lançado em 1905



VAMOS EUGÊNIA

https://discografiabrasileira.com.br/

Modinha com versos de Castro Alves
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Victor Record 99.721
Gravado em 25 de junho de 1910 e lançado em 1910



O GONDOLEIRO DO AMOR I

https://discografiabrasileira.com.br/

Barcarola com versos de Castro Alves e melodia de Salvador Fábregas
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano e violão
Disco Odeon Record 108.193
Lançado entre 1908 e 1909



O GONDOLEIRO DO AMOR II

https://discografiabrasileira.com.br/

Barcarola com versos de Castro Alves e melodia de Salvador Fábregas
Gravada por Mário Pinheiro
Acompanhamento de piano e violão
Disco Odeon Record 108.194
Lançado entre 1908 e 1909



O GONDOLEIRO DO AMOR


https://discografiabrasileira.com.br/

Barcarola de Castro Alves e Salvador Fábregas
Gravada por Mário Pinheiro
Disco Victor Record 99.720
Gravado em 24 d ejunho de 1910 e lançado em 1910



A BARQUINHA

https://discografiabrasileira.com.br/

Modinha com versos de Castro Alves e melodia de Salvador Fábregas
Gravada por Cadete
Acompanhamento de violão
Disco Odeon Record 108.475, matriz XR-1065
Lançado em 1911




O GONDOLEIRO DO AMOR

https://discografiabrasileira.com.br/

Barcarola com versos de Castro Alves e melodia de Salvador Fábregas
Gravada por Arthur Castro
Disco Phoenix Record 283, matriz 1490
Lançado em 1913



O GONDOLEIRO DO AMOR
Modinha com versos de Castro Alves e melodia de Salvador Fábregas
Gravado por Olga Praguer Coelho, acompanhada de violões
Disco Victor 34.105-B, matriz 80181-1
Gravado em 30 de julho de 1936 e lançado em novembro



O GONDOLEIRO DO AMOR
Canção de Castro Alves e Salvador Fábregas
Gravada por Cândido Botelho
Acompanhamento de Orquestra
Disco Continental 16.486-B, matriz 2723
Gravado em agosto de 1951 e lançado em outubro/dezembro de 1951



O GONDOLEIRO DO AMOR
Barcarola de Castro Alves e Salvador Fábregas
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Orquestra
Disco RCA Victor 80-0976-A, matriz SB-093344
Gravado em 02 de julho de 1952 e lançado em setembro de 1952



O GONDOLEIRO DO AMOR
Valsa de Castro Alves e Salvador Fábregas
Gravada por Tonico e Tinoco
Acompanhamento de Conjunto
Disco Caboclo CS-350-A, matriz 12426
Lançado em junho de 1960



ABANDONO
Bolero de Castro Alves, Taque Nacur e Rodolfo Marques
Gravado por Carlos Hamilton
Acompanhamento de Orquestra
Disco RCA Camden CAM-1.070-A, matriz M3CAB-1354
Gravado em 03 de julho de 1961 e lançado em julho de 1961














Agradecimento ao Arquivo Nirez










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