quinta-feira, 3 de junho de 2021

SALOMÉ PARÍSIO - 100 ANOS DO ROUXINOS DO NORTE

SALOMÉ PARÍSIO
Radiolândia, 1958 
http://memoria.bn.br/





Há 100 anos nascia a cantora e atriz SALOMÉ PARÍSIO, O Rouxinol do Norte.


Dulce de Jesus Parísio de Lira nasceu em Bonito (PE), em 03 de junho de 1921, uma sexta-feira. Era filha de Josefa Salomé Parísio de Lira e José Francisco de Lira. A família se mudou em 1923 para Recife (PE), permanecendo até 1927, quando José Francisco faleceu. Josefa se mudou com a família para o município de Rio Formoso (PE).
 
Dulce iniciou sua carreira como cantora no ano de 1939, se inscrevendo no concurso de calouros Valores Desconhecidos, da Rádio Clube de Pernambuco. Ela interpretou a valsa Minha Adoração, de Nelson Ferreira, sendo acompanhada ao piano pelo próprio compositor. Foi bastante aplaudida. O diretor geral da rádio Oscar Moreira Pinto ligou para a emissora, mandando contratar a jovem.
 
A princípio, ela se apresentava com seu nome de batismo. Mas, naquela época, início da Segunda Guerra Mundial, a Itália era governada por Benito Mussolini, cujo apelido era Duce. Para evitar confusão com o nome da jovem cantora, o maestro Nelson Ferreira lhe sugeriu usar outro nome artístico. Foi escolhido o Salomé Parísio, em homenagem à mãe de Dulce, Dona Josefa Salomé Parísio de Lira.
 
Nelson Ferreira a batizou como A Garota do Voz Doçura e Rouxinol do Norte. Vale lembrar que, nessa época, o Nordeste era conhecido também como Norte.
 
Em 1940, Salomé Parísio continuava cantando na Rádio Clube de Pernambuco, onde participaria de vários programas, como Hora Azul das Senhoritas.
 
No ano de 1941, no bairro de Afogados, em Recife, ela participou do ator variado no espetáculo promovido pelo Grêmio Familiar Theatral de Sâo José, sendo muito elogiada.
 
Nelson Ferreira organizou ao lado de Salomé Parísio, Aline Branco, Creuza de Barros e Iracema Batista, o Quarteto Irakitan, que se apresentava na Rádio Clube de Pernambuco, com as cantoras vestidas iguais e cantando temas de nosso folclore, com harmonias vocais feitas pelo por Nelson Ferreira.
 
Ainda em 1940, segundo o Dicionário Ricardo Albin da Música Popular Brasileira, sofreu preconceito racial no Theatro Santa Isabel, em Recife. Participando de um espetáculo, foi obrigada a cantar atrás das cortinas, por ser negra. O fato teve grande repercussão e o diretor do teatro foi afastado de seu cargo.
 
Foi para Salvador em 1941 e, em 1943, ao lado de outros artistas, fez apresentações em bases militares norte americanas sediadas no Brasil, por ocasião da Segunda Guerra Mundial.
 
Em 1946, viajou para o Rio de Janeiro, onde sofreu mais um preconceito. Salomé Parísio foi para a então Capital Federal fazer um teste para ser cantora lírica do Theatro Municipal. Foi aprovada, porém, não foi contratada devido o teatro não aceitar cantoras líricas negras. O caso lembra o que aconteceu com a soprano Zaíra de Oliveira em 1921, no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro.
 
Ainda em 1946, começou a cantar na boate Clipper, em São Paulo. Inicialmente contratada para cantar duas semanas, ficou por cinco meses. Retornou nesse mesmo ano à Bahia, apresentando-se em Salvador.
 
Em 1947, novamente no Rio de Janeiro, foi contratada pelo diretor teatral Chianca de Garcia, estreando no espetáculo Um Milhão de Mulheres, de J. Maia e Humberto Cunha. Seu sucesso no espetáculo recebeu muitos elogios da imprensa.
 
No Rio de Janeiro e em São Paulo, atuaria em algumas peças do Teatro de Revista. Em 1951, excursionou em várias capitais brasileiras.
 
Retornando a São Paulo, em 1952, foi contratada pela Rádio América.
 
Fez suas primeiras gravações em discos em 1952, na Odeon, onde registrou os sambas Rainha do Mar, de Walfrido Silva e A. Amaral, e Sinhá da Bahia, de Vicente Paiva e Luiz Iglésias.
 
Fez várias apresentações, em 1952, em Portugal, integrando a Companhia Folclórica Brasileira.
 
No Theatro Recreio, em 1954, estreou a revista Eu Quero é me Badalar, de Walter Pinto e Luiz Iglezias, também apresentando a peça em São Paulo, em 1955.
 
Excursionou, na década de 1960, pela Argentina e Uruguai. Apresentando-se também, com sucesso, em Nova York.
 
Em 1969, atuou como atriz na novela Sangue do Meu Sangue, na TV Excelsior.
 
Salomé Parísio continuou atuando como cantora pelo resto de sua vida, fazendo apresentações mesmo aos 90 anos de idade.
 
No ano de 2004, ela foi homenageada no documentário Salomé Parísio, dirigido por Jefferson Cardoso.
 
Em 2012, a BR Editora lançou o livro Salomé Parísio – O Rouxinol do Norte, escrito por Thais Matarazzo, Diego Nunes e Fábio Siqueira. Nesse mesmo ano, ela foi recebida com destaque no Programa do Jô, da TV Globo. Ela estava com 91 anos.
 
Salomé Parísio faleceu em São Paulo, em 19 de junho de 2013, poucas semanas depois de completar 92 anos de idade.


Dedicatória de Salomé Parísio a Marcelo Bonavides
"Marcelo, uma lembrança e o agradecimento da Salomé Parísio
São Paulo, 23/7/12".
Arquivo Marcelo Bonavides




Livro Salomé Parísio - O Rouxinol do Norte
De Thais Matarazzo, Diego Nunes e Fábio Siqueira
Arquivo Marcelo Bonavides






RECORTES SOBRE SALOMÉ PARÍSIO

 

Jornal Pequeno (PE), 01 de junho de 1942
http://memoria.bn.br/



Jornal Pequeno (PE), 11 de novembro de 1944, p.02
http://memoria.bn.br/










A Scena Muda, 1947
http://bjks-opac.museus.gov.br/




A Scena Muda, 1947
http://bjks-opac.museus.gov.br/




Carioca, 1947
http://memoria.bn.br/




Carioca, 1947
http://memoria.bn.br/




Carioca, 1947
http://memoria.bn.br/




Carioca, 1947
http://memoria.bn.br/



A Scena Muda, 1948
http://bjks-opac.museus.gov.br/




Carioca, 1950
http://memoria.bn.br/




Carioca, 1950
http://memoria.bn.br/




Revista do Rádio, 1950
http://memoria.bn.br/



Revista do Rádio, 1951
http://memoria.bn.br/



Salomé Parísio e Lolita Rodrigues
Radiolândia, 1956
http://memoria.bn.br/




Radiolândia, 1957
http://memoria.bn.br/




Radiolândia, 1957
http://memoria.bn.br/




Radiolândia, 1960
http://memoria.bn.br/




O Cruzeiro, 1960
http://memoria.bn.br/






GRAVAÇÕES DE SALOMÉ PARÍSIO



Trago algumas gravações de Salomé Parísio onde temos a oportunidade de admirar sua bela voz.

 
 
RAINHA DO MAR
Samba de Walfrido Silva e A. Amaral
Gravado por Salomé Parísio
Acompanhamento de Orquestra
Disco Odeon 13.349-A, matriz 9419
Gravado em 05 de setembro de 1952 e lançado em dezembro de 1952


 
SINHÁ DA BAHIA
Samba de Vicente Paiva e Luiz Iglésias
Gravado por Salomé Parísio
Acompanhamento de Orquestra
Disco Odeon 13.349-B, matriz 9417
Gravado em 05 de setembro de 1952 e lançado em dezembro de 1952


 
MULHERES DA RUA
Bolero Beguine de Paulo Marques e Sávio Barcelos
Gravado por Salomé Parísio
Acompanhamento de Orquestra
Disco Copacabana 6.294, matriz M-3075
Lançado em 1961


 
A CANÇÃO DO MEU AMOR
Rock Balada de C. A. Bixio, em Versão de Teixeira Filho
Gravado por Salomé Parísio
Acompanhamento de Orquestra
Disco Copacabana 6.294, matriz M-30765
Lançado em 1961


 
NOSSA FELICIDADE
Bolero de Ruth Amaral e Manoel Ferreira
Gravado por Salomé Parísio
Acompanhamento de Conjunto
Disco Mocambo 15.486-A, matriz R-1489
Lançado em janeiro de 1963


 
CANÇÃO DO FIM
Fox de Ulpio Minucci e Roy Jordan, em Versão de Paulo Rogério
Gravado por Salomé Parísio
Acompanhamento de Conjunto
Disco Mocambo 15.486-B, matriz R-1490
Lançado em janeiro de 1963


 
ABRAÇA TEU IRMÃO (HAVA NAGUILA)
Popular Israelita, em Versão de Maurício Weltman
Gravado por Salomé Parísio
Acompanhamento de Conjunto
Disco Mocambo 15.499-A, matriz R-1515
Lançado em janeiro de 1963


 
AMARGA RECORDAÇÃO
Samba de Gracinha de Souza e Sócrates Pereira
Gravado por Salomé Parísio
Acompanhamento de Conjunto
Disco Mocambo 15.499-B, matriz R-1516
Lançado em janeiro de 1963














Agradecimento ao Arquivo Nirez










Um comentário:

  1. Que acervo maravilhoso. Adorei conhecer a história dessa maravilhosa cantora.

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