Olá, me chamo Marcelo e não sei bem como iniciar essa apresentação. tenho medo de ser muito formal ou informal em excesso. Enfim, melhor ir deixando as palavras e idéias se manifestarem.
Eu trabalho como ator e também sou pesquisador musical. Minha grande paixão, há 20 anos, é conhecer e resgatar as atrizes/cantoras populares da metade do século XIX( 1859) até a década de 1930. Coleciono gravações e discos 78 rpm (os chamados discos de cera) desde o início da indústria fonográfica em nosso país (1902).
Partindo disso, também pesquiso o Teatro de Revista desse período e a Música Popular Brasileira, e também sou um amante do cinema. Gosto dos cantores e sou fã de vários. Porém, notei que a figura feminina no período da Belle Époque brasileira, e até antes, era pouco ou quase nada mencionada. Ao buscar mais informações sobre essas mulheres, me deparei com poucas publicações. Muitas delas apenas citando seus nomes e nada de suas carreiras. Insisti e consegui descobrir uma porta para uma época muito interessante, com personagens mais interessantes ainda. A artista que me proporcionou esse contato se chama Pepa Delgado.
O interessante é que Pepa viveu de 1887 até 1945 e, mesmo 48 anos depois de sua partida, ela inspirava um jovem de 17 anos a ter o grande desejo de escrever sua biografia e a de suas colegas. Isso deu início ao contato com sua família e a uma amizade muito especial travada com seu filho e neta. Foram eles que me doaram um rico material e me cederam informações preciosas para que eu começasse um quebra-cabeça, cuja imagem esboçada trazia outras personagens tão interessantes quanto Pepa.
Outras artistas são resgatadas por mim.
Faço questão de ir buscar as que, hoje, estão mais esquecidas.
Nosso país é apontado como "sem memória". Eu até concordo com isso. Vide as dificuldades que nós, pesquisadores, temos de encontrar certos dados. Mas há pessoas (muitos jovens, diga-se de passagem) que se dedicam ao resgate nos mais variados setores, sejam por paixão ou profissionalmente; uma nova realidade começa a surgir.
Entre esses jovens destaco Thais Matarazzo Cantero.
Não nos esqueçamos dos "mestres" como Jota Efegê, Ary Vasconcelos, Abel Cardoso Junior que muito contribuiram, e continuam contribuindo com suas obras, pelo conhecimento de de nosso passado musical. E, também, os atuais "mestres" que tanto nos ajudam, como Maria Helena Martinez Correa e Nirez (Miguel Ângelo de Azevedo).
Quero usar esse espaço para expor minhas idéias e pesquisas.
Grande Abraço a todos!