domingo, 9 de fevereiro de 2014

CARMEN MIRANDA E ARY BARROSO

ARY BARROSO E CARMEN MIRANDA
Arquivo Marcelo Bonavides



Além de amigos e de trabalharem juntos em várias ocasiões, Carmen Miranda e Ary Barroso dividem algo mais, o dia 09 de fevereiro. Nesse dia, em 1909, ela nascia em Portugal; também nesse dia, em 1964, o célebre compositor mineiro falecia no Rio de Janeiro.
Marcando os 105 anos do nascimento de Carmen Miranda e os 50 anos de falecimento de Ary Barroso, trago as três primeiras músicas da autoria do compositor gravada por ela, O Nêgo no Samba, Deixa Disso e Sou da Pontinha.



O Nêgo no Samba



Samba de Ary Barroso, Marques Porto e Luís Peixoto
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira
Disco Victor 33.285-B, matriz 50144-2
Gravado em 14 de dezembro de 1929 e lançado em maio de 1930.

A revista Excelsior, nº 30, de julho de 1930, registrou a seguinte crítica, referente à essa gravação e ao lado A (que trazia duas cançonetas cantadas por Carmen): "N. 33.285 - Três números alegres porque tem música saltitante e... Carmen Miranda, que é tudo. Uma chapa e tanto!".

Samba de nêgo quebra os quadris
Samba de Nêgo tem parati
Samba de Nêgo, oi, oi, sempre na ponta
Samba de Nêgo, meu bem, me deixa tonta

No samba branco se escangaia
No samba nêgo bom se espaia
No samba branco não tem jeito, meu bem
No samba nêgo nasce feito


Deixa Disso



Samba de Ary Barroso
Acompanhamento de Orquestra e Coro
Disco Victor 33.398-A, matriz 65059-2
Gravado em 13 de dezembro de 1930 e lançado em janeiro de 1931.

Sylvio Caldas participa cantando o verso "Pra me agradar".

Sou prisioneira
sou escrava de meu grande amor
Deixa disso
Deixa disso
Tens a mania de fazer
pouco de minha dor
Deixa disso
Deixa disso

Eu vou te abandonar
Estou cansada de sofrer pra te agradar
(Pra me agradar)

Eu já não posso
perder tempo com quem não me quer
Deixa disso
Deixa disso
Hei de fazer todo o possível
para me esquecer
Deixa disso
Deixa disso

Eu vou te abandonar
Estou cansada de sofrer pra te agradar
(Pra me agradar)

Segundo o pesquisador Abel Cardoso Júnior, em seu livro Carmen Miranda - A Cantora do Brasil (Edição particular, 1978), a revista Phono-Arte publicou a seguinte crítica sobre a música: "O samba que se ouve neste disco (que é um misto de samba de rua e marcha) é, na nossa opinião, das melhores coisas que Ary Barroso fez para o carnaval deste ano. Foi um dos sucessos da revista carnavalesca do Theatro Recreio. A música possui melodia simples e agradável, o ritmo é típico e carnavalesco e o coro em resposta de franco agrado popular. Carmen Miranda atua com a eficiência de sempre, conquanto tenhamos notado uma orquestração um tanto compacta para o gênero e uma marcação por vezes pesada, apesar da orquestra e coro se apresentar com o bom ensaio de sempre". (Revista Phono-Arte, nº 50, 28 de fevereiro de 1931, p.08).

Essa marcha foi cantada na revista Deixa Essa Mulher Chorar!..., por Aracy Côrtes, em 1931.


Sou da Pontinha



Marcha de Ary Barroso
Acompanhamento de Orquestra e Coro
Disco Victor 33.398-B, matriz 65063-2
Gravado em 13 de dezembro de 1930 e lançado em janeiro de 1931.

Meu bem, eu dei
não sei em quem
um beijinho que me fez muito mal
numa noite de carnaval

Eu já não posso mais sair sozinha
Mamãe me disse que eu não saísse
E todos dizem que eu sou da pontinha
na rua andando me requebrando

Um dia desses eu fui perseguida
por um rapaz, gostei de mais
Não sei por quê chamou-me "querida"
Fiquei dengosa, muito nervosa!


Novamente Abel Cardoso Junior nos apresenta a crítica da revista Phono-Arte: "A marcha do complemento, saltitante e bem ritmada, pode ser considerada boa e está excelentemente cantada por Carmen Miranda, que se vê acompanhada por orquestra e coro".  (Revista Phono-Arte, nº 50, 28 de fevereiro de 1931, p.08).






Agradecimento a Abel Cardoso Junior (in memoriam) 
e ao Arquivo Nirez








CARMEN MIRANDA - 105 ANOS

CARMEN MIRANDA
Arquivo Nirez




Há 105 anos, em 09 de fevereiro de 1909, nascia em Portugal a nossa querida CARMEN MIRANDA.




CARMEN MIRANDA
Arquivo Nirez













segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

ADEUS À ROSINA PAGÃ



Faleceu hoje, dia 03 de fevereiro de 2014, em Los Angeles (EUA), a atriz e cantora ROSINA PAGÃ. Ela estava com 94 anos. 

Segundo seu amigo o escritor, jornalista e presidente da Federação das Academias de Letras e Artes de Estado de São Paulo, Thiago de Menezes, ela faleceu após uma longa enfermidade.

Rosina começou carreira em 1934 ao lado de sua irmã Elvira, formando a dupla Irmãs Pagãs. No início dos anos 40, desfeita a dupla, Rosina seguiu carreira solo, levando seu talento pelo Brasil e exterior.

Nascida em Itararé (SP), em 10 de julho de 1919, Rosina Pagã era a última grande cantora da MPB da década de 1930 ainda viva.

Em janeiro, passado, estreou o documentário Rosina Pagã-A história de uma cantora do Rádio, dirigido por Dimas Oliveira Júnior, homenageando à cantora.
















sábado, 1 de fevereiro de 2014

ADEUS A MAXIMILIAN SCHELL



Faleceu na madrugada de hoje, dia 01 de fevereiro de 2014, o ator MAXIMILIAN SCHELL, ganhador, em 1962, do Oscar de Melhor Ator por sua atuação em O Julgamento de Nuremberg (Judgment at Nuremberg), dirigido por Stanley Kramer em 1961. Ele foi o primeiro artista de língua alemã a ganhar o Oscar após a Segunda Guerra Mundial.

Em 18 de janeiro, último, o ator passou mal em Kitzubuhel, oeste da Áustria. Na ocasião, ele estava participando de uma filmagem para o canal alemão ZDF, segundo informou a agência austríaca APA.

Terça-feira passada, dia 28, ele havia deixado o Hospital.

Sua agente, Patricia Baumbauer, declarou que ele faleceu “em consequência de uma doença grave e repentina”.
Ele estava com 83 anos.

Nascido em Viena (Áustria) em 08 de dezembro de 1930, Maximilian Schell era filho de um dramaturgo suíço e de uma atriz austríaca. Tanto ele como seus irmãos também seguiram carreira artística.

Após a Áustria ser anexada pelos nazistas, em 1938, a família se refugiou na Suiça. Aopós a Segunga Guerra Mundial, ele retornou Áustria.

Estudando arte dramática em Zurique, só estreou no cinema em 1955, participando de pequenos papéis em dois filmes alemães.
Em Hollywood, estreou em Os Deuses Vencidos (The Young Lions), dirigido por Edward Dmytryk em 1958.

Em O Julgamento de Nuremberg, ele interpretava o advogado Hans Rolfe, advogado de defesa dos oficiais nazistas. 

Coube à Joan Crawford lhe entregar o Oscar de Melhor Ator:




Maximilian ainda seria indicado mais duas vezes ao Oscar, após 1961: como melhor ator por The Man in the Glass Booth, de 1975; e como melhor ator coadjuvante por Julia, de 1977.

Fiel aos palcos, ele atuou nos últimos anos nos palcos de Nova York, apresentando em 2000 uma versão de O Julgamento de Nuremberg; e em Londres, participando em 2006 da peça Resurrection Blues, de Arthur Miller, dirigida pelo cineasta americano Robert Altman.

Na direção, Maximilian Schell estreou em 1970, com o filme O Primeiro Amor.

Em 1984 dirigiu o documentário Marlene, onde contava a vida e carreira da atriz alemã, naturalizada americana, Marlene Dietrich. Foi talvez a última participação de Marlene em filme, mesmo que só apareça a voz da atriz, que vivia reclusa em Paris, tendo falecido em 1992, aos 90 anos. Por esse documentário, ele recebeu vários prêmios. Ambos participaram do filme O Julgamento de Nuremberg, de 1961.

Maximilian Schell era padrinho da atriz Angelina Jolie.



Em O Julgamento de Nuremberg, de 1961
shatnerstoupee.blogspot.com


Com Joan Crawford



Com Joan Crawford









Em 2006
http://pt.wikipedia.org/



Em 2011
www.bz-berlin.de












Fontes:











AOS 102 ANOS, FRANCÊS BATE RECORDE NO CICLISMO

Robert Marchand, 102 anos.
REUTERS/Denis Balibouse



Robert Marchand é um francês de 102 anos e está em plena atividade física.
Mais ainda, ele bateu o Recorde da Hora de ciclismo pra centenários, quando percorreu 26,927 km em 60 minutos, em Paris.
Marchand bateu sua própria marca na categoria, estabelecida na Suíça há dois anos.
Na ocasião, ele pedalou 24,251 km. O feito levou a União Ciclística Internacional (UCI) a criar a disputa para maiores de 100 anos de idade que, por falta de competidores, até então inexistia.

Mesmo exausto após a prova, ele se submeteu a um exame antidoping para a oficialização da marca, mas não se preocupou, pois afirmou que se alimentou apenas de mel antes da prova.

Robert Marchand nasceu em 1911, na pequena cidade de Amiens, três anos antes da Primeira Guerra Mundial, um ano antes do Titanic afundar, um ano antes da morte do Barão do Rio Branco e um ano antes de Chiquinha Gonzaga musicar a burleta Forrobodó.
Ele tem 1,50m de altura e realizou a prova em Paris, no velódromo de Saint-Quentin-em-Yvelines.

Antes de ser ciclista, Marchand era bombeiro em Paris e seguia uma dieta baseada em frutas e verduras. Em 2012, ele já havia batido o recorde de velocidade para centenários em 100 km, realisando a prova em 4 horas, 17 minutos e 27 segundos.














terça-feira, 28 de janeiro de 2014

MODESS, a tolha hiygienica moderna para a mulher moderna - 1938




MODESS, a tolha hiygienica moderna para a mulher moderna.

Revista Carioca, novembro de 1938.

Obs. Era preciso enviar uma carta para comprar e receber o produto e um livrinho explicativo.









segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

CRÔNICAS DE JOTA EFEGÊ - STEFANA DE MACEDO

Jota Efegê
Livro: Meninos, eu Vi, Funarte, 2007.
Arquivo Marcelo Bonavides


Há 112 anos, em 27 de janeiro de 1902, nascia no Rio de Janeiro o jornalista JOTA EFEGÊ (João Ferreira Gomes). Ele também era musicólogo, historiador, cronista e pesquisador, sendo testemunha de vários acontecimentos de nossa música popular brasileira e cultura em geral.

Escreveu para várias publicações, como o Jornal das Moças, revistas Carioca, Noite Illustrada, aposentando-se pelo jornal Diário Carioca.

Também escreveu vários livros falando sobre nossa música, entre eles, Ameno Resedá - O Rancho que foi Escola, em 1965; Maxixe, a dança excomungada, em 1974; Figuras e coisas da Música Popular Brasileira, vol. 1, em 1978 e o vol. 2 em 1980. Em 1982, lançou Figuras e coisas do Carnaval Carioca e, em 1985, Meninos, eu Vi, sobre os eventos e fatos que presenciou em nossa música.

Jota Efegê faleceu no Rio de Janeiro, em 25 de maio de 1987.

Dele, vou reproduzir uma crônica publicada originalmente no jornal O Globo, em 27 de agosto de 1974, onde fala sobre a cantora e pesquisadora de folclore Stefana de Macedo. Seu relato seria incluso no livro Meninos, eu Vi, de sua autoria e publicado em 1985.
Chamo atenção para a idade de Stefana. Em sua crônica, Jota Efegê, cita a cantora com 23 anos em 1928, levando a crer que ela teria nascido em 1905. Porém, a data mais frequente citada do nascimento de Stefana é o ano de 1903. Assim foi citado na revista Phono-Arte de julho de 1930, que depois se corrigiu citando o ano de 1909. O Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira dá como sendo 1903 o nascimento da cantora.

De qualquer forma, o texto é uma de uma rica informação e uma justa homenagem, sendo publicado pouco depois de Stefana falecer.

Aqui, você confere a biografia de Stefana de Macedo: http://zip.net/bpmdwJ



Stefana de Macedo em 1928.







STEFANA, A FIEL INTÉRPRETE DAS CANÇÕES FOLCLÓRICAS

Por Jota Efegê



De uma geração que teve Olgarita dell´Amico, Patrício Teixeira, Alda Verona, Gastão Formenti, Olga Praguer Coelho e Elisinha Coelho (numa citação feita ao aflorar da memória), Stefana de Macedo firmou destaque. Intérprete de muita autenticidade do folclore nordestino, em especial o da terra pernambucana, onde nasceu, marcou sua presença em nosso meio artístico somando merecidos louvores.

Talvez a gente moça, desatenta no que houve antes, ignore a importância da cantora Stefana, mas os estudiosos, os que não a alcançaram em pleno fastígio artístico, devem estar informados de sua categoria. Tendo ocorrido agora, na primeira quinzena de agosto, seu falecimento e sem ter provocado nos jornais, mesmo nas colunas especializadas, o registro biográfico que lhe seria de justiça, cabe aqui um preito de recordação.


O FOLCLORE COM EXATIDÃO

Ex-aluna do conceituado Colégio Ramp Williams, em Botafogo, onde fez sua iniciação musical aprendendo piano, logo depois dedicava-se ao violão tendo como mestres Patrício Teixeira e Rogério Guimarães. Assim, em 1928, aos 23 anos, ao fazer sua estréia no recital que realizou no desaparecido Teatro Lírico cantando e acompanhando-se ao violão num programa inteiramente folclórico, marcou seu primeiro triunfo. Registrava o que os críticos classificaram acertadamente de “estréia auspiciosa”. Saudavam-na, todos, como fiel intérprete do cancioneiro nordestino.
Outros recitais ensejaram-lhe novos louvores e fizeram com que as gravadoras fonográficas a atraíssem para os seus estúdios. A etiqueta Odeon, e depois a Columbia, editaram-na em excelentes discos que prontamente saíam das prateleiras consagrando a magnífica intérprete de História triste de uma praieira, Mãe Maria Camundu (sic), Bicho caxinguelê, Sussuarana, Sodade caboca, Nos cafundó do coração, Era aquilo só, Saia do sereno e tantas mais cuja autoria de versos e música eram dela própria, João pernambuco, Heckel Tavares, Luiz Peixoto, Olegário Mariano, Adeimar (sic) Tavares e de outros nomes de igual valia.


NO COLÓN COM VILLA-LOBOS

O prestígio que a aureolava como magnífica intérprete de nosso folclore dez com que, quando da visita do presidente Getúlio Vargas à Argentina, a levassem para uma exibição em Buenos Aires. Lá no famoso Teatro Colón, tendo a acompanhá-la Villa-Lobos ao piano, cantando alguns números de autoria de seu acompanhante e vários de seu bem cuidado repertório, viu toda a platéia delirar em aplausos e da insistência de bis. Tal consagração valeu-lhe um honroso contrato na Rádio belgrano com suas audições nos horários nobres, o das estrelas.
A evidência de sua categoria, a par do sucesso que as gravadoras às quais estava vincuçada alcançavam editando seguidamente as “chapas” que a tinham como intérprete, faziam-na viver sob constantes solicitações e ser alvo de seguidas homenagens. A que lhe prestou a Academia de Letras de São Paulo, onde foi saudada por Pílio Salgado que – por doença de Menotti del Picchia o sibistituiu – , se desobrigou a contento exaltando-lhe seus méritos, foi, inegavelmente, uma das mais expressivas.
Sobre Stefana de macedo, consagrando-a, muito ficou nos registros da imprensa de sua época, mas um deles, o que se encontrou na revista Phono-Arte de 15 de fevereiro de 1930, merece ser aqui reproduzido: “...O sucesso de Stefana reside num fato simples e lógico: sendo nortista e conhecendo profundamente as melodias, os ritmos, as maneiras de cantas daquelas bandas e também sabendo o interessante folclore poético que lá existe, ela se tem consagrado exclusivamente a ele. É, pois, uma intérprete autêntica...”

O Globo, 27.8.74, p.34, 2º Caderno.








Agradecimento ao Arquivo Nirez











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