domingo, 13 de setembro de 2020

RÁDIO NACIONAL, 84 ANOS - ESTRELAS PIONEIRAS





Em 12 de setembro de 1936, há 84 anos era inaugurada a RÁDIO NACIONAL, no Rio de Janeiro.

Ao ouvir seu nome nós logo o associamos tempos dos programas de auditório, os locutores com suas vozes e dicções perfeitas, as encantadoras e envolventes radionovelas, os noticiários e, com certeza, os intérpretes de vozes inesquecíveis.

São tantos nomes, tantos fatos, recordações...

Mesmo quem não viveu aqueles tempos áureos tem um carinho por essa rádio e sua história.

E as eleições de Rainha do Rádio? Até hoje temos nossas favoritas. Lembrando que Linda Batista foi eleita por onze anos consecutivos por mérito próprio.

Talvez hoje muita gente não faça ideia da força que o rádio tinha nos anos 30, 40, 50. Pode parecer exagero para alguns os partidos tomados em causa de determinadas cantoras, o fato de rasgarem as roupas de Cauby Peixoto para ter uma lembrança do astro, a catarse que as novelas causavam nos rádio ouvintes, o luxo com que as cantoras se apresentavam nos auditórios... Tudo isso teve seu tempo e foi vivido intensamente, marcando e deixando saudades de todo um tempo onde o romantismo e, de certa forma, a inocência tinham mais espaço.

Mas, se sabemos bem quem foram os astros e estrelas da Rádio Nacional durante os anos 50, a exemplo de Emilinha Borba, Marlene e Ângela Maria, quais eram os grandes cartazes na época de sua inauguração e nos primeiros anos, período significativo que a colocou entre as maiores rádios nacionais, até que ela atingiu o apogeu, sendo a maior rádio da América Latina?

Esses nomes ajudaram a construi-la e aumentar seu crédito perante o público.

Do começo ao fim, ela esteve povoada de estrelas. Quer diante do microfone ou nos bastidores, todos, em todas as épocas, fizeram da Rádio Nacional a favorita e mais lembrada emissora de todos os tempos.

Vamos conhecer e/ou relembrar o seu início e os artistas que a inauguraram e quais a fizeram crescer.

Entre nessa viagem!





Revista Carioca, 12 de setembro de 1936.



A revista carioca registrou a inauguração da Rádio Nacional, em 12 de setembro de 1936.
 
No dia do evento, publicou uma matéria afirmando que "a data de hoje se destina a marcar uma etapa nova da evolução da radiophonia no Brasil, com a inauguração da Radio Nacional, a grande e potente emissora que o Brasil inteiro esperava".
 
Estreando com 22 kilowatts, seria ouvida nitidamente em todo o País, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, num grande elo sonoro, numa cadeia de vibrações educativas e culturais.
 
A Rádio Nacional aparecia ligada ao grupo integrado pela A Noite, do qual faziam parte o famoso vespertino e revista de mesmo nome.
 
Ela começava com o maior e mais escolhido cast de artistas exclusivos.
 
Faziam parte: Abigail Parecis, soprano lírico brasileira, de sucesso em Nova York; Sônia Carvalho, famosa estrela do rádio paulistano que também era muito querida no Rio; Aracy de Almeida, então a nova interprete do samba, considerada perfeita; Dolly Ennor, que interpretava canções; Marília Batista, "menina que estylisou e deu ao samba uma expressão nova"; Elisa Coelho, com seu estilo próprio, cheia de fãs; Sylvinha Mello, "a voz jovem do fol-lore brasileiro"; Amalia Diaz, "o tango em pessoa"; Bob Lazy, cantando fox; Ben Wright, cantando fox-blue; Mauro de Oliveira, de repertório internacional; Nuno Roland, com suas canções; Joaquim Pimentel, intérprete de canções portuguesas; e Pascquale Gambardella, cantor lírico.
 
A rádio contava com três speakers, Ismênia dos Santos, Celso Guimarães e Oduvaldo Cozzi; três diretores de orquestra, Romeu Ghipsman, Gaó e Radamés Gnatalli.
 
A Nacional contava, em sua inauguração, com nada menos do que nove (!) orquestras: Orquestra Sinfônica, Orquestra Vienense, Orquestra Havaiana, Orquestra de Jazz, Orquestra Regional, Orquestra Typica Argentina, Orquestra Typica Portuguesa, Orquestra Serenata e Orquestra de Cordas.
 
No grupo de instrumentistas, Pereira Filho (o mágico do violão) e Luiz Americano (o homem que faz o saxofone falar). 
 
Genolino Amado, redator chefe da Hora do Brasil, era o cronista da Rádio Nacional. O som era controlado "pelo habil e competente engenheiro L. H. Evans".
 
Outra atração, inovadora por sinal, eram as aulas matinais de ginástica do professor Oswaldo Diniz de Magalhães, com acompanhamento de piano, "para ritmar os exercicios," pelo pianista Jorge Paiva.
 
A Rádio Nacional começava com jovens profissionais que, no futuro, seriam lembrados como grandes nomes de nossa radiodifusão.

Algumas estrelas:



A estrela Sônia Carvalho, vinda especialmente de São Paulo, 
é recepcionada pelo speaker Celso Guimarães.
Carioca, 1936
Arquivo Nirez





Orlando Silva, o jovem intérprete 
que ia cada vez mais ganhado fãs.
Carioca, 1936
Arquivo Nirez




Aracy de Almeida, a jovem que 
era considerada perfeita cantando sambas.
Carioca, 1936
Arquivo Nirez





Marília Batista, a jovem que revolucionou 
o modo de cantar samba.
Carioca, 1936
Arquivo Nirez




Nuno Roland, o jovem talento de SC
que conquistou o Rio de Janeiro.
Carioca, 1936
Arquivo Nirez




Sylvinha Mello
Carioca, 1936
Arquivo Nirez





Radamés Gnatalli
Carioca, 1936
Arquivo Nirez






O maestro Gaó, assinava o contrato com a Rádio Nacional.
Carioca, 1936
Arquivo Nirez




Transcrevo aqui, na íntegra, a matéria da revista Carioca, de 19 de setembro de 1936, sobre a inauguração da Rádio Nacional:

“Teve um brilho excepcional a inauguração da Sociedade Rádio Nacional. No estúdio do edifício d´A Noite, além de vários membros do governo, representantes de altas autoridades, deputados, vereadores, delegações de “instituições culturais, de sociedades difusoras, artistas e membros de letras, compareceram as mais representativas figuras da sociedade brasileira.
 
Entre os presentes notavam-se o presidente do Senado Federal, embaixadores da França, Portugal e Japão; ministros de Estado, presidente da Academia Brasileira, da Câmara Municipal, da Associação Brasileira de Letras, diretor do Departamento Nacional de Propaganda e Difusão Cultural e várias outras personalidades de relevo.
 
Deu início à solenidade a execução do Hymno Nacional pela grande orchestra do Theatro Municipal. Em seguida, inaugurando a nova estação emissora, falou o Dr. Medeiros Netto, presidente do Senado, seguindo-se –lhe com a palavra, abençoando a Rádio Nacional, S. E. o Cardeal Arcebispo, que falou do palácio de S. Joaquim, ligado directamente ao microphone da PRE-8.
 
Falaram a seguir, proferindo expressivas orações, o embaixador de Portugal, na qualidade de sub-decano do corpo diplomático; o ministro da Educação, como orador official da cerimônia; os embaixadores da França e do Japão e o representante do embaixador argentino; presidente da Camara Municipal, o diretor do Departamento Nacional de Propaganda, o presidente da Confederação de Rádio-Diffusão, o presidente da A. B. I., o Sr. Castellar de Carvalho, nosso companheiro d´A Noite, e o director-presidente da Sociedade Rádio Nacional, Dr. Cauby de Araújo.
 
Os destacados cantores do elenco do Municipal, Bidú Sayão, Maria de Sá Earp, Giuseppe Danise, Bruno Landi, Aurélio Marcato, a ilustre pianista Dyla Joseti, o conhecido artista Mário de Azevedo e a orchestra do Theatro Municipal executaram a parte de honra do programa musical, a que se seguiram os demais números a cargo do cast da Rádio Nacional, que se inaugurou assim com um acontecimento mundano de raro brilho e grande repercussão”.





Fotos da inauguração da Rádio Nacional




ELISA COELHO
“Elisa Coelho, a magnifica interprete de canções brasileiras, quando era apresentada por Celso Guimarães, um dos melhores ‘speakers’ com que conta actualmente o Rio”
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez




BIDU SAYÃO
“Bidu Sayão, a maior cantora do Brasil e uma das melhores do mundo, emprestou brilho excepcional á inauguração da PRE-8, cantando lindas canções”.
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez



ORLANDO SILVA
“Orlando Silva, o inconfundivel cantor da nossa musica sentimental e um dos grandes successos da noite de estréa da PRE-8”
Carioca, 1936
Arquivo Nirez



BOB LAZY
“Bob Lazy, o interessante interprete de ‘foxes’ genero ‘hot’, cantando acompanhado por Pereira Filho, ‘The musis goes round and around’”.
Carioca, 1936
Arquivo Nirez



ROXANE
“Roxane, interpretando canções francezas, foi, acompanhada pela orchestra, sob a direcção de Romeu Ghipsman”
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez




SYLVINHA MELLO
“Sylvinha Mello, como interprete do nosso ‘folk-lore’, é um dos mais destacados nomes do ‘cast’ da PRE-8. Na inauguração da nova estação, Sylvinha foi um dos grandes successos”
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez




SYLVINHA MELLO
“Sylvinha Mello, como interprete do nosso ‘folk-lore’, é um dos mais destacados nomes do ‘cast’ da PRE-8. Na inauguração da nova estação, Sylvinha foi um dos grandes successos”
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez




ARACY DE ALMEIDA
“O Samba tem em Aracy de Almeida uma de suas maiores interpretes. Inaugurando a PRE-8 e cantando um samba carioca, Aracy mais uma vez reaffirmou a sua incomparavel interpretação”
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez



SÔNIA CARVALHO
“Sonia Carvalho, a querida ‘estrella’ de São Paulo, cantando um samba, acompanhada pelo Regional da PRE-9, com Pereira Filho e Dante Santoro”
Dante Santoro, à esquerda, na flauta.
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez



“A inauguração da Radio Nacional teve a prestigial-a a presença de grande numero de pessoas da nossa melhor sociedade, como se póde avaliar pela fotografia”
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez



NUNO ROLAND
“Nuno Roland, grande interprete de musica brasileira, que cantou pela primeira vez no Rio através do microfone da Radio Nacional”
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez





MARIA DE SÁ EARP
“Maria de Sá Earp, uma das melhores cantoras lyricas do Brasil, quando cantava ao microfone da Radio Nacional uma delicada canção”
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez




DOLLY ENNOR
“Dolly Ennor, cantando uma interessante musica de ‘camera’ – ‘La Wally’, obteve um dos maiores successos na noite”
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez




“Um aspecto da grande assistencia que enchia, literalmente, o amplo ‘auditorium’ da nova emissora carioca”
Carioca, 1936 
 Arquivo Nirez


















Agradecimento ao Arquivo Nirez















2 comentários:

  1. Aí pelos anos 50, a gente lá em casa, assistia as rádios cariocas. Além da Rádio Nacional, ouvíamos a Rádio Roquete Pinto e a Rádio MEC. O som não era perfeito mas dava até para acompanhar radio-novela e ouvir belas músicas.
    Adorei, a ParteI..

    ResponderExcluir
  2. Que belo post, parabéns!
    Fiquei curioso com a notícia impressa que fala sobre o "competente engenheiro L. H. Evans"...seria Leslie Evans, aquele que entraria para a história como o famoso Mister Evans da RCA Victor? Creio que era. Naquele ano - 1936 - a RCA montou emissora própria, a Rádio Transmissora, antes da Nacional. Fica a dúvida: Se Mister Evans era figura de destaque na RCA, por que trabalharia na emissora concorrente? Será que houve algum acordo? E para complicar ainda mais, o equipamento da Nacional, no início, nem era RCA. Era Philips, herdado da extinta emissora do mesmo nome...coisas da história...

    Abração,
    Milton Baungartner

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...