domingo, 23 de agosto de 2020

VICENTE CELESTINO EM GRAVAÇÕES MECÂNICAS (PARTE I)

VICENTE CELESTINO
Jornal de Theatro & Sport, 1924
http://memoria.bn.br/



 Há 52 anos, nos dia 23 de agosto de 1968, falecia o tenor, compositor e ator brasileiro VICENTE CELESTINO, A Voz Orgulho do Brasil.

Antônio Vicente Felipe Celestino nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Teresa, em 12 de setembro de 1894. Era filho de imigrantes italianos da região da Calábria, que haviam chegado ao Brasil em 1892. Vicente tinha cinco irmãos e cinco irmãs. Quatro de seus irmãos também seguiram carreira artística: João (galã cômico), Pedro (tenor), Radamés (barítono) e Antônio (baixo).

Trabalhou em vários locais, inclusive na sapataria de seu pai, em uma fábrica de guarda-chuvas e como servente de pedreiro.

Começou a cantar com apenas oito anos, em 1902, no grupo Pastorinhas da Ladeira Viana. Em 1903, ao participar do coro infantil da ópera Carmen, de Bizet, no Teatro Lírico, foi notado pelo célebre tenor italiano Enrico Caruso que, entusiasmado com ele, convidou-o para estudar na Itália. O pai de Vicente, porém, não autorizou sua ida.

O que influenciou sua decisão de seguir carreira de cantor foi ouvir Eduardo das Neves no Passeio Público. Vicente contava com onze anos de idade. Abandonando o emprego na sapataria, passou a se dedicar a carreira de ator cantor, apresentando-se em algumas peças, até estrear no Teatro de Revista em 1914.

No Teatro de Revista, trabalhou na Companhia do Theatro São José, onde iniciou em  junho 1914, contracenando várias vezes com a atriz cantora Pepa Delgado, que foi uma das pessoas que incentivou seu talento.


A Época, 29 de junho de 1914, p.04
http://memoria.bn.br/




O Imparcial, 10 de julho de 1914, p.12
http://memoria.bn.br/




A Rua, 02 de outubro de 1914, p.04
http://memoria.bn.br/



Em 1915, Vicente Celestino gravou seu primeiro disco, com as valsas Flor do Mal, de Santos Coelho e Domingos Correia, que ele havia lançado em sua primeira revista, Chuá, Chuá (1914); e Os Que Sofrem, de Alfredo Gama e Armando Oliveira. O autor dos versos de Flor do Mal os havia escrito para a atriz cantora Arminda dos Santos, que o havia desprezado. Isso levou o rapaz a escrever os versos e cometer suicídio. A valsa, porém, fez muito sucesso.


VICENTE CELESTINO
Arquivo Nirez



Vicente Celestino ao centro.
Jornal de Theatro & Sport, 1917
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Jornal de Theatro & Sport, 1920
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Vicente Celestino à direita.
Fon Fon, 1921
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Jornal de Theatro & Sport, 1923
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No final dos anos 10 e início dos anos 20, Vicente Celestino gravou vários discos, em especial canções, valsas, tangos canções, atuando também no teatro musicado, em revistas ou operetas. Seu prestígio era imenso, fazendo com que, nos anos 30, fosse considerado A Voz Orgulho do Brasil.

Em 1933, ele e a atriz cantora Gilda de Abreu se casaram pela manhã e, à noite, repetiram a cerimônia no palco, durante a apresentação da opereta A Canção Brasileira, onde seus personagens também se casavam. Gilda de Abreu usou o mesmo vestido de noiva do casamento matinal.

No cinema, Vicente Celestino se destacaria em filmes como O Ébrio, que lhe marcaria a carreira, sendo dirigido por sua esposa, Gilda de Abreu. Ele, na vida real, não bebia álcool.


VICENTE CELESTINO E GILDA DE ABREU
Arquivo Nirez


Sendo reconhecido como um dos maiores intérpretes de nossa música, Vicente Celestino se preparava para ser homenageado em 23 de agosto de 1968 pelo Movimento Tropicalista, em um programa de televisão. Mas passou mal no quarto do Hotel Normandie, em São Paulo, falecendo em seguida.

O estilo de Vicente Celestino muitas vezes une o romântico com o dramático, em composições recheadas de intenso sentimento e verdade em sua interpretação.


No processo mecânico, Vicente Celestino gravou pouco mais de 50 músicas. Trago, nessa primeira postagem, 25 gravações de Vicente Celestino no processo mecânico, realizadas entre 1915 e 1922.



FLOR DO MAL


Valsa de Domingos Correia e Santos Coelho
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.052
Lançado em 1915


 
OS QUE SOFREM


Valsa de Armando Oliveira e Alfredo Gama
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.053
Lançado em 1915


 
PERDÃO DE UM CORAÇÃO


Modinha de Pedro Borges e Catulo da Paixão Cearense
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.116
Lançado em fevereiro de 1916


 
FEITICEIRA


Modinha de Mário de Oliveira e Catulo da Paixão Cearense
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.117
Lançado em fevereiro de 1916


 
SONHANDO


Modinha de Archibald Joyce
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.118
Lançado em fevereiro de 1916


 
SALVE


Modinha de Irineu de Almeida e Catulo da Paixão Cearense
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.119
Lançado em fevereiro de 1916


 
O CAPIM MAIS MIMOSO


Canção Sertaneja de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Orquestra e Coro
Disco Odeon Record 121.316
Gravado e lançado em 1917


 
URUBU SUBIU


Desafio Sertanejo
Gravado por Bahiano e Vicente Celestino
Acompanhamento de Conjunto e Coro
Disco Odeon Record 121.318
Gravado e lançado em 1917


 
O SERESTEIRO


Canção
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Orquestra e Coro
Disco Odeon Record 121.319
Gravado e lançado em 1917


 
HINO NACIONAL BRASILEIRO


Hino de Francisco Manoel da Silva e Osório Duque Estrada
Gravado por Vicente Celestino
Acompanhamento da Banda do Batalhão Naval e Coro
Disco Odeon Record 121.342
Gravado e lançado em 1917


 
HINO À BANDEIRA
Hino de Francisco Braga e Olavo Bilac
Gravado por Vicente Celestino
Acompanhamento da Banda do Batalhão Naval e Coro
Disco Odeon Record 121.343, matriz P-10
Gravado e lançado em 1917


 
IDA


Canção de Demétrio Checon e Inácio Raposo
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.370
Gravado e lançado em 1917


 
SAMARITANA (OLHOS QUE FALAM)


Canção de Américo Jacomino (Canhoto) e Inácio Raposo
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.371
Gravado e lançado em 1917


 
QUEBREI A JURA


Canção de P. Guerra e Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.372
Gravado e lançado em 1917

 
 
VAI, MEU AMOR, AO CAMPO SANTO


Canção de Irineu de Almeida e Catulo da Paixão Cearense
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.373
Gravado e lançado em 1917


 
PORQUÊ SORRIS (SORRIR DORMINDO)


Canção de Juca Kalut e Catulo da Paixão Cearense
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.374
Gravado e lançado em 1917


 
HORAS MELANCÓLICAS


Canção de Bonfiglio de Oliveira e Catulo da Paixão Cearense
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.375
Gravado e lançado em 1917


 
PORQUÊ EU FUI POETA


Canção de Juca Kalut e Catulo da Paixão Cearense
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.376
Gravado e lançado em 1917


 
AOS PÉS DA CRUZ


Canção de Cremeux e Catulo da Paixão Cearense
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Flauta, Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.377
Gravado e lançado em 1917


 
AO TRONO SANTO DO CRIADOR


Canção de Cândido Silva (Candinho) e Inácio Raposo
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Flauta, Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.378
Gravado e lançado em 1917


 
ONTEM AO LUAR (CHORO E POESIA)


Canção de Pedro de Alcântara e Catulo da Paixão Cearense
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento de Flauta, Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.379
Gravado e lançado em 1917


 
CANÇÃO MILITAR (CAPITÃO CAÇULA)


Marcha de Teófilo de Magalhães e Alberto Martins
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento da Banda do Batalhão Naval
Disco Odeon Record 121.430
Lançado em 1918


 
ÀS ARMAS


Canção Patriótica de W. A. R.
Gravada por Vicente Celestino
Acompanhamento da Banda do Batalhão Naval e Coro
Disco Odeon Record 121.431
Lançado em 1918


 
DO SORRISO DAS MULHERES NASCERAM AS FLORES


Tango de Salão de Eduardo Souto e Lélio de Aragão
Gravado por Vicente Celestino
Acompanhamento de Conjunto
Disco Odeon Record 122.041
Lançado em 1922


 
PAIXÃO DE ARTISTA
Canção de Eduardo Souto
Gravado por Vicente Celestino
Disco Odeon Record 122.029
Lançado em 1922




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