segunda-feira, 28 de setembro de 2020

RELEMBRANDO DUQUE - 67 ANOS DE SAUDADE

 

DUQUE
Fon Fon, 1915.
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Há 67 anos falecia o bailarino e compositor DUQUE.

Antônio Lopes de Amorim Diniz nasceu em Salvador (BA), em 10 de janeiro de 1884. Também era teatrólogo, jornalista, compositor, letrista e dentista. Formou-se como dentista aos 20 anos de idade. Em 1906, passou a morar no Rio de Janeiro, frequentando a boemia carioca. Por um tempo, manteve um consultório na Rua Uruguaiana, atuando como dentista e dançarino em clubes noturnos. Em 1909, passou seu consultório a outro dentista, viajando para Paris como representante de um produto farmacêutico.

Em 1906, Duque estreou na peça Gaspar Cacete, de Eduardo garrido, sendo bastante elogiado. Depois, abandonaria o teatro, dedicando-se à dança. Destacou-se por criar sua própria coreografia para danças brasileiras, em especial o maxixe, empolgando a sociedade da época.

Estando em Paris, em 1909, abandonou a venda de produtos farmacêuticos passando a se exibir em salões e teatros dançando o maxixe. Nesse período, conheceu a atriz e dançarina Maria Lino, de grande sucesso no Rio de Janeiro, passando a formar com ela uma dupla de dança, fazendo bastante êxito em Paris. Eles conquistariam, em 1913, o primeiro prêmio em um concurso de dança que a Elegant Welte organizou no Admirals Palace, em Berlim. Em maio de 1913, estava com a dançarina Arlette Dorgère, mesmo ainda atuando ao lado de Maria Lino. Ainda em 1913, inaugurou o Dancing Palace, no Luna Park, ao lado de uma outra parceira, a dançarina francesa Gaby, sendo acompanhados pela Orquestra des Hawaiens.



DUQUE e GABY,
na década de 1910.
O Cruzeiro, 1932
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Duque sentia falta da ginga brasileira em suas danças, escrevendo ao maestro Nicolino Milano, quando este se encontrava em Lisboa. Milano, passou a atuar à frente da orquestra, sacudindo o público com maxixes brasileiros como o Vem Cá, Mulata (criação de Maria Lino, no Brasil), de Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre.

Duque foi o responsável em transformar o maxixe e outras danças, consideradas no Brasil como vulgares, em ritmos elegantes, apreciadas pela alta sociedade. Ainda em Paris, abriu uma escola de danças, fazendo apresentações em Londres, Inglaterra e Nova York. Retornou ao Brasil em 1915, ao lado de Gaby, onde fundou uma academia de danças. Em 1916, excursionaram pela Argentina, recebendo o convite para inaugurar o Teatro Florida em Buenos Aires.


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Jornal de Theatro & Sport, 1915
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Fon Fon, 1915
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Jornal de Theatro & Sport, 1915
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Fon Fon, 1915
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Fon Fon, 1915
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No cinema, participou em 1917 do filme seriado Fuerza y Nobleza, e ao lado de Gaby atuou como protagonista em Entre a Arte e o Amor, de 1918.

Em 1921, estava em Paris para participar de um campeonato de danças modernas. Em 1922, já novamente no Brasil, apresentou-se no elegante cabaré carioca Assírio, sendo acompanhado pelo célebre conjunto Os Outo Batutas, liderado por Pixinguinha. Ao lado de Arnaldo Guinle, promoveu a ida do conjunto à França, para divulgar o samba e outros ritmos brasileiros aos franceses.



DUQUE E GAY REGRESSAM DO PRATA
Diversos aspectos da Valse du Basier que tão ruidoso sucesso obteve na Republica Argentina e no Uruguay, durante a tournée dos dois dansarinos (sic).
Fon Fon, 1915











Fon Fon, 1916
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Fon Fon, 1916
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Uma vez fixado no Brasil, Duque passou a se dedicar ao jornalismo, como cronista teatral.

Em 1926, ao lado do maestro Sebastião Cirino, compôs o maxixe Cristo Nasceu na Bahia, que foi lançado na revista Tudo Preto pela atriz Dalva Espíndola, irmã de Aracy Côrtes. A revista era da autoria de De Chocolat, fazendo parte do repertório da Companhia Negra de Revistas, com Pixinguinha como maestro. O maxixe foi um grande sucesso, sendo gravado ainda em 1926 por Arthur Castro e coro, e ainda recebendo uma gravação instrumental pela American Jazz Band Sílvio de Souza, fazendo muito sucesso no Carnaval.

Pioneiro, Duque foi o compositor que teve suas músicas gravadas no primeiro disco elétrico feito no Brasil, o Odeon 10.001, gravado por Francisco Alves e lançado em julho de 1927. No lado A, sua marcha Albertina, e no lado B, seu samba Passarinho do Má ilustravam o disco.

Seu pioneirismo também se estenderia à gravadora Brunswick, pois o primeiro disco desta empresa trazia no lado A (10.000-A) seu samba, ao lado de J. Thomaz, Sarambá, com letra em francês, gravado por J. Thomaz e lançado em dezembro de 1929.

Em 1932, nos escombros do incendiado Theatro São José, Duque inaugurou a Casa de Caboclo, um teatro exclusivamente dedicado ao folclore, à música popular e às coisas típicas regionais de nosso país. Na inauguração, estavam presentes como padrinhos, a poetisa Ana Amélia Queirós Carneiro de Mendonça e o poeta Olegário Mariano; Pixinguinha dirigiu um pequeno conjunto instrumental, e a dupla Jararaca e Ratinho era a atração do espetáculo. Na Casa de Cabolco passariam em início de carreira grandes artistas como Dercy Gonçalves, Dalva de Oliveira, Herivelto Martins, Alvarenga e Ranchinho (que Duque trouxe de São Paulo para atuar na casa), entre outros.

Teve algumas músicas gravadas no final dos anos 20, e algumas pontuais nos anos 30, 40 e 50.

Em 1939, Duque assumiu o posto de diretor do Cassino Atlântico, onde permaneceu até 1942, dedicando o resto de sua vida ao teatro.

Em 1950, foi candidato a vereador pelo Partido Republicano, não sendo eleito. Ainda foi professor do Conservatório Nacional de Teatro, do Serviço nacional de Teatro.


O Malho, 1950
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Duque Faleceu no Rio de Janeiro em 28 de setembro de 1953, aos 69 anos de idade.


DUQUE
O Cruzeiro, 1932
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Confiram suas composições gravadas entre 1926 e 1950, com algumas peças célebres de nosso cancioneiro.



CRISTO NASCEU NA BAHIA
Maxixe de Sebastião Cirino e Amorim Diniz (Duque)
Gravado por Arthur Castro
Acompanhamento do American Jazz Band Sílvio de Souza e Coro
Disco Odeon record 123.124
Lançado em 1926



ALBERTINA
Marcha de Antônio Amorim Diniz (Duque)
Gravada por Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
Disco Odeon 10.001-A, matriz 1162
Lançado em julho de 1927



PASSARINHO DO MÁ
Samba de Antônio Amorim Diniz (Duque)
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
Disco Odeon 10.001-B, matriz 1163
Lançado em julho de 1927



EU NÃO ERA ASSIM
Samba de Antônio Amorim Diniz (Duque)
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
Disco Odeon 10.090-A, matriz 1411
Lançado em janeiro de 1928



GOSTO DE APANHÁ
Samba de Antônio Amorim Diniz (Duque)
Gravado por Pedro Celestino
Acompanhamento do Grupo Cassino Copacabana
Disco Odeon 10.095-A, matriz 1467
Lançado em fevereiro de 1928



VOU TE BUSCAR
Samba de Antônio Amorim Diniz (Duque)
Gravado por Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
Disco Odeon 10.179-B, matriz 1642
Gravado em 29 de março de 1928 e lançado em junho de 1928



SARAMBÁ
Samba de J. Thomaz e Antônio Amorim Diniz (Duque)
Gravado por J. Thomaz
Acompanhamento da Orquestra Brunswick e Coro
Disco Brunswick 10.000-A, matriz 23
Lançado em dezembro de 1929



SÃO PAULO BANDEIRANTE
Marcha de Amorim Diniz (Duque) e Benedito Camargo
Gravada por Augusto Calheiros
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.284-A, matriz 5167
Gravado em 11 de outubro de 1935 e lançado em novembro de 1935



SARAMBÁ
Samba de Antônio Amorim Diniz (Duque) e J. Thomaz
Gravado pelos Anjos do Inferno
Disco Victor 80-0318-A, matriz S-078210-1
Gravado em 27 de junho de 1945 e lançado em setembro de 1945



MEU BARRACO
Samba Choro de Dilu Melo e Duque
Gravado por Carmen Costa
Acompanhamento de Regional
Disco Victor 80-0403-B, matriz S-078444-1
Gravado em 15 de março de 1946 e lançado em maio de 1946



BAIÃO EM PARIS
Baião de Amorim Diniz (Duque) e Ronaldo Lupo
Gravado por Ronaldo Lupo
Acompanhamento de Orquestra
Disco Todamérica TA-5.040-A, matriz TA-81
Gravado em 04 de dezembro de 1950 e lançado em fevereiro de 1951











Agradecimento ao Arquivo Nirez




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