quinta-feira, 1 de outubro de 2020

ZAÍRA CAVALCANTI - UMA ESTRELA BRASILEIRA (PARTE II)

ZAÍRA CAVALCANTI, 1929
Livro Viva O Rebolado
de Salvyano Cavalcanti de Paiva
Arquivo Marcelo Bonavides





Há 107 anos nascia a cantora e atriz de teatro de revista ZAÍRA CAVALCANTI.
 
Zaíra Baltazar Cavalcanti nasceu em Santa Maria (RS), em 01 de outubro de 1913, falecendo no Rio de Janeiro, no Retiro dos Artistas, em 12 de setembro de 1981.
 
Recentemente, homenageamos Zaíra Cavalcanti por ocasião do 39º aniversário de sua morte: 

ZAÍRA CAVALCANTI - Uma Estrela Brasileira: https://bit.ly/3bRNtcn

Outras homenagens à Zaíra Cavalcanti:

ZAÍRA CAVALCANTI - 106 Anos (Seu Espírito Aventureiro): http://bit.ly/2mAkjtj

ZAÍRA CAVALCANTI – Reportagem de Sylvia Moncorvo: http://bit.ly/2xPzGAC


 
Hoje, dou continuidade a essa homenagem trazendo mais informações sobre sua carreira e apresentando suas gravações.

 
Morena, de olhos verdes e de uma beleza impressionante, fora o talento nato para atuar e cantar, Zaíra Cavalcanti deu um impulso a uma bem sucedida carreira. Isso, ainda com dezesseis anos.
 
Após o sucesso de Dá Nella!..., continuou lançando êxitos, conquistando admiradores e obtendo respeito dos críticos. Vieram outras peças de sucesso, como: Chora que Passa e Pau Brasil.


Cartaz da revista Chora Que Passa
Crítica 1930, p.06
http://memoria.bn.br/



Cartaz da revista Pau Brasil
Crítica, 03 de maio de 1930, p.07
http://memoria.bn.br/

 
Seu sucesso no teatro a levou para o disco. Em março de 1930, Zaíra Cavalcanti lançava seu primeiro disco pela Parlophon, trazendo os sambas Pedaço de Mau Caminho, de Eduardo Souto e Oswaldo Santiago, e Gongá, de José Luiz da Costa (Zé Pretinho), em ambos ela é acompanhada pela Simão Nacional Orquestra, dirigida por Simão Bountman. Zaíra Cavalcanti gravou pouco (14 músicas em 07 discos), porém, deixou um bom repertório, interpretando compositores como Donga, Ary Barroso, Lamartine Babo, Luiz Peixoto, Milton Amaral, Oscar Cardona, Eduardo Souto, João de Barro, Marques Porto, Zé Pretinho, Mesquitinha, Neves, Jerônimo Cabral, Gonçalves de Oliveira, Américo de Carvalho e Mário Barros.
 
Ela gravaria entre 1930 e 1933, pela Parlophon e Odeon. Algumas de suas músicas são dignas de notas, como Por Que?, Orgia, Sem Querer, Canção dos Infelizes, Tem Moamba e Vou Pedir À Padroeira. Zaíra Cavalcanti possuía uma bela voz e tinha uma ginga irresistível para cantar sambas e uma dolência cativante ao interpretar nossas canções.


Diário da Noite, 15 e maio de 1930, p.05.
http://memoria.bn.br/



Diário da Noite, 23 de agosto de 1930
http://memoria.bn.br/

 

No final de 1930, excursionou pela Argentina, obtendo grande sucesso. O periódico A Noite Illustrada, em 1931, trazia uma bela foto da atriz anunciando sua estadia em Buenos Aires, com o título “O Êxito de uma Vedette brasileira: Zaíra Cavalcanti, a vedette de revistas typicas nacionaes, que faz ruidozo sucesso em Buenos Aires, no Teatro de Mayo, ao lado de Danilo de Oliveira e Verdi de Carvalho". Ela foi com a Companhia Rataplan. Zaíra Cavalcanti falava espanhol fluente e isso seria importante em trabalhos futuros.


ZAÍRA CAVALCANTI
A Noite Illustrada, 1930
Arquivo Nirez



A Noite Illustrada, 1930
Arquivo Nirez




ZAÍRA CAVALCANTI
A Noite Illustrada, 1931
Arquivo Nirez




A Noite Illustrada, 1931
Arquivo Nirez


 
Ao longo da década de 1930, Zaíra Cavalcanti atuaria em nosso teatro musicado e no rádio, indo vez ou outra em temporadas pela Argentina, onde atuava em rádios de Buenos Aires. Trabalharia em várias companhias teatrais, como Dercy Gonçalves, Vicente Celestino e Walter Pinto, de onde foi estrela no começo da década de 1940.


"Usando o Iodosan conservo os meus dentes assim,
Zaíra Cavalcanti, 20-12-32"
Revista A Noite Illustrada, 1932
Propaganda de Iodosan.



 
Em 1935, foi eleita Rainha da Noite em um dos bailes de Carnaval realizado no Theatro João Caetano, intitulado “Vozes do Radio”.



O Cruzeiro, 1935
http://memoria.bn.br/


 
Fora a marchinha Dá Nela, de Ary Barroso, Zaíra Cavalcanti lançou no teatro de revista outras músicas de sucesso, como os tangos Cristal e Nostálgias, bem como o samba canção Na Batucada da Vida, de Ary Barroso e Luiz Peixoto, que seria gravado em 1934 por Carmen Miranda.


Crítica, 12 de setembro de 1930, p.07
http://memoria.bn.br/


No cinema, sua atuação se iniciou em 1927 no filme inacabado Flor do Pântano. Em 1938, ela apareceria em cenas de Carnaval no filme Tereré não Resolve. No auge de sua carreira, em 1940, atuou em um filme argentino, a comédia Luna de Miel em Río, dirigido por Manuel Romero, estrelado por Niní Marshall. Zaíra Cavalcanti é coadjuvante no filme, interpretando o papel de Mercedes, e ainda canta o número Eu tenho Tudo, samba de sua autoria.


Zaíra Cavalcanti canta Eu Tenho Tudo
Luna de Miel en Río, 1940



 
Faria participações em filmes brasileiros nos anos 40, como Pureza (1940), Vamos Cantar (1941) e Entra na Farra (1943). Em 1970, ao lado do amigo Amácio Mazzaropi, Zaíra Cavalcanti atuou em Uma Pistola para Djeca, comédia dirigida por Ary Fernandes. Ainda atuaria em Sedução, (1974), Cada um dá o que tem (O Despejo) (1975) e A Ilha do Desejo (1975).
 
No teatro, atuaria, na década de 1970, em dramas como Bodas de Sangue, de Garcia Lorca, sendo dirigida por Antunes Filho, em uma montagem que contava com Maria Della Costa e o jovem ator iniciante Carlos Eduardo (Kadu) Moliterno.
 
Como outras colegas antes e depois dela, Zaíra Cavalcanti passou seus últimos dias morando no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Faleceu poucas semanas antes de completar 68 anos de idade, em 12 de setembro de 1981.
 
 

Confiram alguns recortes sobre a carreira de Zaíra Cavalcanti, bem como suas gravações, realizadas entre 1930 e 1933. Graças a amigos como Nirez e Dijalma Candido podemos apreciar todas as gravações feitas por essa talentosa artista e conhecer os selos de seus discos.



RECORTES SOBRE ZAÍRA CAVALCANTI


Diário Carioca, 26 de janeiro de 1930, p.07
http://memoria.bn.br/


A Batalha, 25 de fevereiro de 1930, p.06
http://memoria.bn.br/



A Batalha, 26 de julho de 1930, p.06
http://memoria.bn.br/




A Batalha, 29 de outubro de 1930, p.05
http://memoria.bn.br/


Crítica, 22 de abril de 1930, p.06 
http://memoria.bn.br/


Crítica, 03 de setembro de 1930, p.07
http://memoria.bn.br/




O Radical, 26 de dezembro de 1932, p.03
http://memoria.bn.br/



O Fluminense, 19 de fevereiro de 1933
http://memoria.bn.br/





Gazeta de Notícias, 1935
http://memoria.bn.br/





A Nação, 30 de maio de 1935, p.03
http://memoria.bn.br/




A Nação, 23 de outubro de 1935, p.08
http://memoria.bn.br/



A Nação, 23 de maio de 1937, p.06
http://memoria.bn.br/




O Radical, 30 de dezembro de 1943, p.05
http://memoria.bn.br/





A Manhã, 08 de dezembro de 1948, p.05
http://memoria.bn.br/



A Manhã, 16 de junho de 1949, p.05
http://memoria.bn.br/




Crítica de A Borracha é Nossa 
O Cruzeiro, 1949
http://memoria.bn.br/




ZAÍRA CAVALCANTI
Com sua cadela Cascatinha, 1944
Cedoc Finarte






GRAVAÇÕES DE ZAÍRA CAVALCANTI





PEDAÇO DE MAU CAMINHO


Samba de Eduardo Souto e Osvaldo Santiago
Acompanhamento de Simão Nacional Orquestra
Disco Parlophon 13.114-A, matriz 3317
Gravado em 1930 e lançado em março




GONGÁ



Samba de José Luís da Costa (Zé Pretinho)
Acompanhamento de Simão Nacional Orquestra
Disco Parlophon 13.114-B, matriz 3318
Gravado em 1930 e lançado em março




DIGA


Samba canção de Gonçalves de Oliveira e Lamartine Babo
Acompanhamento da Orquestra Pan American, sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 10.611-A, matriz 3548-1
Lançado em junho de 1930




CANÇÃO DOS INFELIZES


Canção de Ernesto dos Santos (Donga), Luís Peixoto e Marques Porto
Acompanhamento da Orquestra Pan American, sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 10.611-B, matriz 3547-1
Lançado em junho de 1930




ORGIA


Samba de A. Neves e Luís Peixoto
Acompanhamento de Simão nacional Orquestra
Disco Parlophon 13.200-A, matriz 3733
Gravado em 1930 e lançado em setembro




POR QUE?


Samba Olímpio Bastos
Acompanhamento de Simão nacional Orquestra
Disco Parlophon 13.200-B, matriz 3739
Gravado em 1930 e lançado em setembro
Lançado por Zaíra Cavalcanti na revista musical Pau Brasil, de 1930.




TEM MUAMBA


Samba de Eduardo Souto e João de Barro
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Parlophon 13.218-A, matriz 3898
Gravado em 1930 e lançado em outubro





VOU PEDIR À PADROEIRA


Samba da Penha
De Américo de Carvalho
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Parlophon 13.218-B, matriz 3899
Gravado em 1930 e lançado em outubro






CARANGUEJO TAMBÉM SOBE NO ARVOREDO


Samba de Mário Barros
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Parlophon 13.255-A, matriz T-17
Lançado em janeiro de 1931





SEM QUERER...


Samba canção de Ary Barroso, Marques Porto e Luís Peixoto
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Parlophon 13.255-B, matriz T-16
Lançado em janeiro de 1931





QUANDO ESCUTO VOCÊ CANTAR


Fox de Milton Amaral e Jerônimo Cabral
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.951-A, matriz 4529
Gravado em 20 de outubro de 1932 e lançado em janeiro e fevereiro de 1933




QUANDO TU FORES BEM VELHINHO


Samba de Paulo orlando e Jerônimo Cabral
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.951-B, matriz 4530
Gravado em 20 de outubro de 1932 e lançado em janeiro e fevereiro de 1933





NOSSAS CORES


Samba de Oscar Cardona
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.984-A, matriz 4524
Gravado em outubro de 1932 e lançado em março de 1933






NÃO TERÁS PERDÃO


Choro de Oscar Cardona
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.984-B, matriz 4525
Gravado em outubro de 1932 e lançado em março de 1933

















Agradecimento a Dijalma Candido e ao Arquivo Nirez











Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...