Já enfocamos sua vida e carreira em uma série de artigos.
Sempre vale a pena conferir e lembrar Aracy.
Um Sorriso Samba canção de Benedito Lacerda
Acompanhamento da Orquestra Odeon Gravado em 17 de julho de 1934, lançado em agosto de 1934. Disco Odeon 11.144-B, Matriz 4880
Ótima marcha carnavalesca da autoria do maestro Eduardo Souto.
As interpretações de Norma Bruno e Francisco Alves estão impagáveis!
O autor brinca com um episódio da política de 1930.
O saudoso amigo e pesquisador Abel Cardoso Junior em seu livro Francisco Alves - As Mil Canções do Rei da Voz, explica a música: "Mais uma sátira política. Julinho, Júlio Prestes, aluno da escola, estava de 'castigo na casa do português', ou seja, exilado em Portugal. Washington Luís, o Barbado, 'raspado', em dois sentidos: deposto e exilaod em Paris, simbolicamente sem sua barba.
No futuro dessa conjugação, que ainda se conserva moderna, o menino (o povo?) vaticina que seria 'gozado' (tapeado) na sua expectativa de novos tempos".
Verbo Ser
(Conjugação Moderna)
Marcha Carnavalesca
(Eduardo Souto) c/ Norma Bruno
com Orchestra Copacabana
Disco 10748 - A, matriz 4073 - 02/12/30 - 01/31
Cenário: sala de aula de uma escola primária. Francisco Alves imita voz de menino. Norma Bruno é a professora. Tumulto na sala.
Entra a mestra, com os alunos recitando:
B a Bá! B e Bé! B o Bó! B u Bú! 2+2, 4! 2+3, 5! 2+4,6!
Profª (NB) Silêncio!
Aluno (FA) A fessora! A fessora! A fessora! A fessora aí!
NB Estão todos presentes e portanto vamos começar a lição!
FA Fessora, o Julinho não veio?
NB Cale a boca, atrevido! Eu já não lhe disse que o Julinho não vem mais?
FA Me desculpe, D. Oswaldina! Eu tinha esquecido que a fessora mandara o Julinho de castigo lá pra casa do português!
NB Bem, bem, não se fale mais nisso! Vamos agora ao ponto de hoje, a saber: Verbo Ser, conjugação moderna!
Entra a música:
NB Antigamente?
FA Eu era, tu eras, ele era!
NB O quê?
FA Barbado!
NB Atualmente?
FA Eu sou, tu és, ele é!
NB O quê?
FA Ah! Raspado!
Seu sordado não me prenda
Não me mande pro estrangeiro
pois se eu formei batalão
foi só pra ganhar dinheiro
NB Primeiramente?
FA Eu fui, tu foste, ele foi!
NB O quê?
FA Muita gente tapeado!
NB Futuramente?
FA Serei, serás, será!
NB O quê?
FA Ai, ai, gozado!
Seu sordado não me prenda
Não me mande pro estrangeiro
pois se eu formei batalão
foi só pra ganhar dinheiro
Na partitura vinha escrito: "Verbo Ser (Conjugação Moderna). Marcha carnavalesca. Letra e música de Eduardo Souto. Ao prezado amigo, e talentoso trovador brasileiro, Francisco Alves. Edição Guanabara s/nº"
O Jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, no dia 01 de fevereiro de 1931, pág. 07, publicou que Verbo Ser "é fino humorismo, que ninguém deixa de achar espirituoso. Tem profunda psicologia... É perfeitamente do gosto do povo e no entanto não descamba para a chalaça grosseira e pesada. Sua música tem muita vida, é original e brilhante".
Francisco Alves, 1930
Norma Bruno, 1925
Atriz do teatro de revista muito estimada nos anos 20/30 do séc. XX. Fazia impagáveis imitações de Aracy Côrtes, Mesquitinha e também da novata Carmen Miranda, em 1930.
Fontes:
Fotos de Francisco Alves e Norma Bruno (21/02/1925) - Revista Para Todos, site da Biblioteca Nacional (www.bn.br).
Mp3 Verbo Ser - Arquivo Nirez
Francisco Alves - As Mil Canções do rei da Voz, de Abel Cardoso Junior. Edição Revivendo, Curitiba, 1998.
Os dias 23 e 24 de dezembro assinalam o aniversário de minhas pesquisas musicais.
Tudo começou há 22 anos quando, no Natal de 1988, fui escolher um disco como presente. Naquela época, eu tinha uma vaga noção de como era a "música de antigamente". Através de novelas e minisséries eu via aqueles rádios antigos no cenário e ficava fascinado com a música que saia deles. Um som melodioso e abafado, evocando o passado.
Na loja Francinet Discos, no Center Um, em Fortaleza, eu fiquei dividido entre dois LPs. Um da Carmen Miranda e outro de Dalva de Oliveira. Eu tinha a noção básica e estereotipada sobre Carmen: uma mulher bonita vestida de baiana, com frutas na cabeça e cantando Mamãe eu Quero. Afinal, era essa imagem que a mídia sempre divulgava... Porém, as músicas do disco eram do seu início de carreira, gravações do começo dos anos 1930 e, naquela ocasião, ainda eram estranhas para mim. (Mal sabia eu que, com o tempo, me tornaria um fã incondicional desse período e gravações).
Optei pelo LP da Dalva e não me arrependi. O da Carmen eu iria adquirir no ano seguinte. (Mas essa é umanova história).
O disco da Revivendo trazia músicas como Kalu, Ai Ioiô, Folha Morta...
Foram essas músicas, Dalva e, posteriormente os outros artistas dos anos 40, 30, 20, 10... de nossa música que embalariam minha adolescência. Por tudo isso, posso dizer que fui um privilegiado em ter como ídolos os grandes nomes da MPB de outrora, como Dalva de Oliveira, Francisco Alves, Aracy Côrtes, Mário Reis, Carmen Miranda...