quinta-feira, 2 de novembro de 2017

CARMEN MIRANDA canta Como Eu Chorei, samba de 1936

Arquivo Nirez


Hoje, trago um samba da autoria de Benedito Lacerda e Herivelto Martins, gravado por Carmen Miranda em 1934, Como Eu Chorei. O acompanhamento ficou a cargo do Grupo da Odeon. 


COMO EU CHOREI
Samba de Benedito Lacerda e Herivelto Martins
Gravado por Carmen Miranda
Acompanhamento do Grupo da Odeon
Disco Odeon 11.440-B, matriz 5466
Gravado em 25 de novembro de 1936 e lançado em janeiro de 1937



Chorar como eu chorei
Penar como eu penei
Jamais no mundo
Alguém procurou te querer bem
Talvez adivinhando o que eu passei
Eu choro porque não adivinhei

O arrependimento,
cedo ou tarde sempre vem
E tu hás de sofrer
como eu sofri também
Então, eu te perdoarei
Porque, afinal de contas,
por quem foi que eu chorei?







Agradecimento ao Arquivo Nirez









domingo, 1 de outubro de 2017

ZAÍRA CAVALCANTI E SUAS GRAVAÇÕES

ZAÍRA CAVALCANTI, 1929
Livro Viva O Rebolado
de Salvyano Cavalcanti de Paiva
Aqruivo
Marcelo Bonavides


Há 104 anos nascia a cantora e atriz ZAÍRA CAVALCANTI, uma das mais belas e talentosas artistas de nosso teatro de revista e nossa música popular brasileira.

Zaíra Baltazar Cavalcanti nasceu em Santa Maria (Rio Grande do Sul), em 01 de outubro de 1913. Era filha do militar pernambucano Otávio Cavalcanti e de Conceição Baltazar.

Iniciou sua carreira artística muito cedo, ainda em Porto Alegre, descoberta pelo empresário Mário Ulles (ou Hulles), que a convidou para ir ao Rio de Janeiro. Antes de embarcar, ele a testou no Teatro Guarany, de Porto Alegre. Zaíra cantou Luar do Sertão, de João Pernambuco e Catullo da Paixão Cearense, agradando em cheio e confirmando o convite ao Rio.

Em 1927, vamos encontra-la no Rio de Janeiro como estrela do filme Flôr do Pântano (inacabado), da Artistas Unidos do Brasil. Ela tinha mais ou menos treze anos.

No Rio de Janeiro ela estrearia no Alcazar (a segunda casa de espetáculos com esse nome), na Rua do Passeio. O célebre compositor e cabaretier De Chocolat a apresentou como “a nova estrela que o Rio iria conhecer”.

Com a Companhia Arruda, viajou para Santos. De volta ao Rio, sem ter vaidades de estrela, foi ser corista na Companhia Tró-ló-ló, de Jardel Jércolis, no Teatro Glória, na Cinelândia.

Sua grande oportunidade veio em 24 de janeiro de 1930, com a estreia da revista Dá Nela!, no Theatro Recreio. Cabia à Zaíra cantar a marchinha de Ary Barroso que dava nome à peça e que havia ganhado o concurso de músicas da Casa Edison. Quando a jovem de dezesseis anos surgiu no palco com as coristas, cantando os versos, vestida de calças compridas e lenço vermelho ao pescoço, o público exultou, consagrando-a como grande estrela. Ela precisou repetir a música três vezes, a pedido da plateia. O crítico teatral Lafayette Silva afirmou que ela era “a mais séria ameaça do teatro popular”. Assim, nascia uma nova estrela brasileira.

Ainda em 1930, ela começou a gravar discos. Seu primeiro disco, gravado na Parlophon, trazia os sambas Pedaço de Mau Caminho, de Eduardo Souto e Osvaldo Santiago, e Gongá, de José Luís da Costa (Príncipe Pretinho). Ela também gravaria na Odeon, ao todo quatorze músicas em sete discos, entre 1930 e 1932. Alguns de seus sucessos no teatro foram gravados, como Por Que?, samba de Olímpio Bastos (Mesquitinha), que ela cantou na revista Pau Brasil, de 1930. Gravaria ainda a belíssima Canção dos Infelizes, em 1930, de Ernesto dos Santos (Donga), Luís Peixoto e Marques Porto. Essa canção seria regravada em 1931 pela soprano Zaíra de Oliveira, esposa de Donga. Zaíra Cavalcanti traz uma parte declamada. Em Sem Querer, samba-canção de Ary Barroso, Marques Porto e Luís Peixoto, gravado no final de 1930, Zaíra nos dá uma dolente interpretação.

"Usando o Iodosan conservo os meus dentes assim,
Zaíra Cavalcanti, 20-12-32"
Revista A Noite Illustrada, 1932
Propaganda de Iodosan.


Zaíra Cavalcanti seguiu com êxito no teatro musicado, participando de filme no Brasil e na Argentina, excursionando pelo Brasil e exterior, levando nossa música através de seu grande talento de interpretar nossos ritmos.

Um de seus últimos filmes foi ao lado de Mazzaropi, seu amigo e admirador, em Uma Pistola Para Djeca, de 1970.

Ela faleceria no Retiro dos Artistas, do Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1981, pouco antes de completar 68 anos.

Zaíra Cavalcanti foi uma de nossas mais belas atrizes-cantoras e vedete, além de possuir um talento ímpar, sendo reconhecida por sua bonita voz e sua forma especial de cantar a nossa música.


Trago novamente, dessa vez reunida em uma postagem, todas as suas gravações, feitas na Parlophon e na Odeon. Agradeço aos amigos pesquisadores e colecionadores Dijalma Cândido e Nirez (Miguel Ângelo de Azevedo) pelas gravações. Dijalma ainda nos enviou gentilmente as fotografias dos selos dos discos.



PEDAÇO DE MAU CAMINHO


Samba de Eduardo Souto e Osvaldo Santiago
Acompanhamento de Simão Nacional Orquestra
Disco Parlophon 13.114-A, matriz 3317
Gravado em 1930 e lançado em março




GONGÁ



Samba de José Luís da Costa (Zé Pretinho)
Acompanhamento de Simão Nacional Orquestra
Disco Parlophon 13.114-B, matriz 3318
Gravado em 1930 e lançado em março




DIGA


Samba canção de Gonçalves de Oliveira e Lamartine Babo
Acompanhamento da Orquestra Pan American, sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 10.611-A, matriz 3548-1
Lançado em junho de 1930




CANÇÃO DOS INFELIZES


Canção de Ernesto dos Santos (Donga), Luís Peixoto e Marques Porto
Acompanhamento da Orquestra Pan American, sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 10.611-B, matriz 3547-1
Lançado em junho de 1930




ORGIA


Samba de A. Neves e Luís Peixoto
Acompanhamento de Simão nacional Orquestra
Disco Parlophon 13.200-A, matriz 3733
Gravado em 1930 e lançado em setembro




POR QUE?


Samba Olímpio Bastos
Acompanhamento de Simão nacional Orquestra
Disco Parlophon 13.200-B, matriz 3739
Gravado em 1930 e lançado em setembro
Lançado por Zaíra Cavalcanti na revista musical Pau Brasil, de 1930.




TEM MUAMBA


Samba de Eduardo Souto e João de Barro
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Parlophon 13.218-A, matriz 3898
Gravado em 1930 e lançado em outubro





VOU PEDIR À PADROEIRA


Samba da Penha
De Américo de Carvalho
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Parlophon 13.218-B, matriz 3899
Gravado em 1930 e lançado em outubro






CARANGUEJO TAMBÉM SOBE NO ARVOREDO


Samba de Mário Barros
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Parlophon 13.255-A, matriz T-17
Lançado em janeiro de 1931





SEM QUERER...


Samba canção de Ary Barroso, Marques Porto e Luís Peixoto
Acompanhamento da Orquestra Guanabara
Disco Parlophon 13.255-B, matriz T-16
Lançado em janeiro de 1931





QUANDO ESCUTO VOCÊ CANTAR


Fox de Milton Amaral e Jerônimo Cabral
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.951-A, matriz 4529
Gravado em 20 de outubro de 1932 e lançado em janeiro e fevereiro de 1933




QUANDO TU FORES BEM VELHINHO


Samba de Paulo orlando e Jerônimo Cabral
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.951-B, matriz 4530
Gravado em 20 de outubro de 1932 e lançado em janeiro e fevereiro de 1933





NOSSAS CORES


Samba de Oscar Cardona
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.984-A, matriz 4524
Gravado em outubro de 1932 e lançado em março de 1933






NÃO TERÁS PERDÃO


Choro de Oscar Cardona
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.984-B, matriz 4525
Gravado em outubro de 1932 e lançado em março de 1933


















quinta-feira, 28 de setembro de 2017

FELICIDADE É QUASE NADA - POR ROBERTO VILMAR, 1933

ROBERTO VILMAR
Revista Careta, 1927
http://memoria.bn.br


Roberto Vilmar foi um cantor e ator muito popular nos anos 20 e 30. Ele era barítono e foi galã em algumas companhias teatrais, além de ter cantado ópera pelo Brasil e no exterior, sempre com sucesso. Gravou várias músicas, inclusive no processo mecânico.

Hoje, trago sua gravação da bonita canção rumba Felicidade é Quase Nada, da autoria de Joubert de Carvalho e Gilberto de Andrade. O acompanhamento ficaria a cargo da Orquestra Victor Brasileira, dirigida por João Martins.

No mesmo ano da gravação, 1933, havia uma peça chamada Felicidade é Quase Nada, também de Gilberto de Andrade, de onde, provavelmente, surgiu a música. Fora Roberto Vilmar, tomavam parte na peça Zezé Fonseca (que estreava), Laura Suarez e Dulce de Almeida.

Jornal Correio da Manhã
04 de abril de 1933
http://memoria.bn.br


Essa composição seria regravada por Carlos Galhardo em 1950, como samba-canção, com versos adicionais.

Uma beleza!



FELICIDADE É QUASE NADA

Canção Rumba de Joubert de Carvalho e Gilberto de Andrade
Gravada por Roberto Vilmar
Acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira, sob a direção de João Martins
Disco Victor 33.695-B, matriz 65712-2
Gravado em 20 de julho de 1933 e lançado em setembro




Há nos seus olhos a canção
Que acalenta, com meiguice, meu amor
Há em minh´alma floração encantada
de um jardim multicor
Quem minha vida fez assim
Tão suave, abençoada
Foi só você, foi
Mas ao longe, a madrugada,
já se vê minando ao colo a saudade.

Felicidade é quase nada.
Felicidade é quase nada.










Agradecimento ao Arquivo Nirez











quarta-feira, 27 de setembro de 2017

FRANCISCO ALVES - 65 ANOS DE SAUDADE

FRANCISCO ALVES
Arquivo Nirez




Há 65 anos falecia FRANCISCO ALVES, O Rei da Voz.

Nascido em 19 de agosto de 1898 (no Rio de janeiro), ele foi o maior cantor que o Brasil conheceu durante o final dos anos 20 até o início da década de 1950, quando faleceu (em Pindamonhangaba, São Paulo) vitimado em um acidente automobilístico, em 27 de setembro de 1952.

Francisco Alves iniciou sua carreira em 1919, gravando algumas músicas de Sinhô (José Barbosa da Silva). Atuou no teatro de revista e também era compositor e bom violonista. Era irmão da atriz Nair Alves e esposo da atriz Célia Zenatti (sua segunda esposa). 


Trago 21 gravações feitas por ele, algumas de sua autoria, dentro do período de 1927 a 1933, todas feitas na Odeon.



FOI VOCÊ QUEM ME DEIXOU
Samba de Luís Nunes Sampaio (Careca)
Acompanhamento da Orquestra Jazz Band Pan Americana do Cassino Copacabana
Disco Odeon Record 123.275, matriz 1123
Lançado em 1927



SONHEI CONTIGO
Tango canção de Lamartine Babo e Gáudio Viotti
Acompanhamento da Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
Disco Odeon Record 123.311, matriz 1142
Lançado em 1927



MORENA
Canção de Eduardo Souto e Eduardo Pequeno
Acompanhamento da Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
Disco Odeon 10.013-A, matriz 1218
Lançado em agosto de 1927



MALANDRINHA
Modinha Brasileira de Freire Jr.
Acompanhamento de violões
Disco Odeon 10.159-B, matriz 1592
Lançado em abril de 1928



A VOZ DO AMOR
Tango Brasileiro de Ernesto Nazareth, Marina Stella e S. dos Santos
Acompanhamento da Orquestra Rio Artists
Disco Odeon 10.192-A, matriz 1669
Lançado em 1928



A VOZ DO VIOLÃO
Canção Brasileira de Francisco Alves e Horácio de Campos
Acompanhamento da Orquestra Rio Artists
Disco Odeon 10.509-B, matriz 3016
Gravado em 01 de outubro de 1929 e lançado em dezembro



DÁ NELA
Marcha de Ary Barroso
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.558-A, matriz 3258-1
Lançado em janeiro de 1930



NO REINADO DA ALEGRIA
Marcha de Eduardo Souto e Oswaldo Santiago
Acompanhamento da Orquestra Pan American
Disco Odeon 10.558-B, matriz 3257
Lançado em janeiro de 1930



BEM TE VI
Modinha de Miguel Emídio Pestana e Melo Marais Filho
Acompanhamento de Tute (violão) e Luperce Miranda (Bandolim)
Disco Odeon 10.709-B, matriz 3926
Gravado em 28 de agosto de 1930 e lançado em novembro



FREVO PERNAMBUCANO
Frevo de Luperce Miranda e Oswaldo Santiago
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.757-A, matriz 4108
Lançado em janeiro de 1931



A VIDA É BOA
Marcha Rancho de Luperce Miranda e Oswaldo Santiago
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.757-B, matriz 4109
Lançado em janeiro de 1931



NUVEM QUE PASSOU
Samba de Noel Rosa
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 10.927-B, matriz 4471
Gravado em 02 de julho de 1932 e lançado nesse mesmo ano



MEU COMPANHEIRO
Canção de Francisco Alves e Orestes Barbosa
Acompanhamento de Conjunto
Disco Odeon 10.032-A, matriz 4514
Gravado em 28 de setembro de 1932 e lançado nesse mesmo ano



DIVINA DAMA
Samba de Angenor de Oliveira (Cartola)
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 10.977-B, matriz 4575-1
Gravado em 03 de janeiro de 1933 e lançado em janeiro/fevereiro desse mesmo ano



GARIMPEIRO DO RIO DAS GARÇAS
Samba Canção de João de Barro
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.034-A, matriz 4688
Gravado em 13 de junho de 1933 e lançado em julho



AMOR IMORTAL
Valsa de Zequinha de Abreu e João de barro
Acompanhamento da Orquestra Copacabana
Disco Odeon 11.044-B, matriz 4701
Gravado em 25 de julho de 1933 e lançado em setembro



ABELHA DA IRONIA
Fox Trot de Francisco Alves e Orestes Barbosa
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.065-A, matriz 4718
Gravado em 01 de setembro de 1933 e lançado em outubro



PÁLIDA MORENA
Canção de Freire Jr.
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.067-A, matriz 4717
Gravado em 31 de agosto de 1933 e lançado em novembro



OUVE ESTA CANÇÃO
Rumba de Francisco Alves e Orestes Barbosa
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.067-B, matriz 4728
Gravado em 13 de setembro de 1933 e lançado em novembro



HÁ UMA FORTE CORRENTE CONTA VOCÊ
Marcha de Francisco Alves e Orestes Barbosa
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.080-A, matriz 4749
Gravado em 13 de novembro de 1933 e lançado em dezembro



CABOCA
Samba Canção de Ary Barroso
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.115-A, matriz 4740
Gravado em 31 de outubro de 1933 e lançado em maio de 1934








Agradecimento ao Arquivo Nirez








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