O cantor e
compositor Bahiano (Manuel Pedro dos Santos) foi o mais popular intérprete de nossa
música popular nas primeiras décadas do século XX.
Nascido em
Santo Amaro da Purificação (BA), em 05 de dezembro de 1870, ele faria carreira
como cantor e cançonetista no Rio de Janeiro, no final do século XIX.
Foi um dos
cantores pioneiros, ao lado de Cadete (Manuel Evêncio da Costa Moreira), que em
1897 gravaram os primeiros cilindros a convite de Fred Figner, empresário que,
a partir de 1902, lançaria pela Casa Edison os discos dos dois cantores.
Manuel
Pedro dos Santos nasceu em Santo Amaro da Purificação (BA), em 05 de dezembro de
1870.
Uma
vez morando no Rio de Janeiro, tornou-se no final do século XIX em um dos mais
populares cantores de nosso país. Seu sucesso multiplicou-se através de
cilindros gravados a partir de 1897 e do disco, tecnologia chegada ao Brasil em
1902, onde ele foi um dos intérpretes pioneiros nos dois casos.
Pela
Casa Edison, nossa primeira gravadora, Bahiano lançou centenas de discos, com
vários sucessos, atravessando décadas com sua popularidade. Só pararia de
gravar em 1924.
Ele
faleceria no Rio de Janeiro em 15 de julho de 1944, aos 73 anos de idade.
Já
o homenageamos em nosso Blog, comentando sobre sua vida e carreira e trazendo
suas gravações:
Manuel
Pedro dos Santos nasceu em Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 05 de dezembro
de 1870.
Trago
novamente um texto que escrevi em 2013 sobre Bahiano, com algumas adaptações:
“Há
74 anos, em um sábado 15 de julho de 1944, falecia no Rio de Janeiro o mais
popular cantor do começo do século XX, Manuel Pedro dos Santos, mais conhecido
como BAHIANO.
Bahiano foi, provavelmente, o primeiro cantor a gravar discos no Brasil e na
América Latina, em 1902.
O célebre lundu Isto é Bom, do
ator e compositor Xisto Bahia, foi gravado juntamente com dezenas de outras
músicas na primeira sessão de gravação para discos em nosso País. Isto é Bom foi a primeira música a
ser lançada, em disco Zon-O-Phone 10001.
De 1902 até meados da década de 1920, Bahiano gravou centenas de músicas dos
mais variados estilos, fazendo antológicos duetos com vários (e também
lendários) artistas de sua época.
Cançonetista do tempo dos chopes berrantes, cafés concertos, Bahiano logo ficou
popular no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sua fama o levou às gravações em
cilindros e nos discos (chapas), tornando sua popularidade maior ainda.
Versátil, ele estava sempre muito à vontade em suas gravações; assumindo
personagens, brincava e implicava com Senhorita Consuelo e Júlia Martins,
levando delas divertidas respostas.
Braga, Escudeiro, O. de Azevedo, Cadete, Eduardo das Neves, Mário Pinheiro,
entre outros, fizeram desafios ou duetos com ele. Assim, como Risoleta, Maria
Roldan, Maria Marzulo, Isaltina e, até arrisco, Medina de Sousa, também
gravaram em sua companhia. Aliás, Medina o levou a soltar sua voz em uma
interpretação lírica.
Isso sem falar com os novos talentos de uma nova era, pós Belle Époque, como
Vicente Celestino e Januário.
Além do pioneirismo, ele gravou muitos sucessos em discos, dos quais vários se
tornaram clássicos de nosso cancioneiro: Perdão Emília, A Mulata, O Angú do Barão, O Sino da Tarde, Ai Philomena, Pelo Telephone... a lista, só dos clássicos, é imensa.
Digo mais. Bahiano, assim como mais tarde Aracy Côrtes, participou da transição
de épocas marcantes. Ele, até mais que Aracy.
Começando a gravar em 1897 (cilindros) e depois em 1902 (discos), juntamente
com o início da indústria fonográfica brasileira, ele trazia toda a bagagem
cultural e modismos do século XIX. Até então, a única forma de se divulgar a
música eram as partituras, teatro musical e bandas de músicas. As composições ficavam
um pouco presas em cada cidade, principalmente no Rio de Janeiro, onde eram
propagadas entre os moradores. Como vantagem, haviam as partituras para piano e
canto, que rodavam o país (e mundo); também,
as heroicas excursões feitas pelas trupes teatrais e, não menos
importantes, os cantadores, boêmios, e os amantes da música popular, que saiam
espalhando as melodias e letras por onde conseguissem chegar. O povo era também
um grande divulgador.
Com a chegada da gravação em disco, isso mudou. Ficou mais fácil levar as
chapas para as várias regiões do Brasil, onde seriam ouvidas por muitas
pessoas, entre um misto de espanto e prazer.
Havia um detalhe: os inúmeros sucessos dos tempos do Brasil Colônia, do Império
e início da República, não poderiam cair no esquecimento. Muitos estavam
fresquinhos na memória da população graças ao teatro de revista e suas atrizes,
e aos cançonetistas que entretinham o público dos cafés concertos. Dessa forma,
Bahiano e seus colegas gravaram muitos sucessos de peças teatrais, modinhas e
poesias de grandes e saudosos talentos; bem como precisavam ir registrando os
sucessos da atualidade e seus modismos.
Dessa forma, ele viveu vários personagens em suas gravações. Saindo do Império,
com suas modinhas em cançonetas, ingressou na República, com os lundus que
faziam as delícias das plateias teatrais, afinal, ninguém esquecera da Sabina e
o fazendeiro Euzébio; ingressou na Belle Époque, cantando o Art Nouveau e sua interessante
moda, como também registrou acontecimentos marcantes de sua atualidade, afinal,
"A Europa curvou-se ante o Brasil" e entre o clamor de parabéns em
meio tom, ‘apareceu Santos Dumont’. Engraxou, foi abanador apaixonado
por uma Vassourinha e, até, Feiticeiro, onde partiu com sua Cigana para encontrar a buena dicha nas linhas do coração. Veio
a Primeira Grande Guerra e ele cantou para os soldados que partiam. Nesse meio
tempo, gravou modinhas lindíssimas e, ele mesmo, também registrou suas
impiedosas paródias. Com o sucesso teatral de sua amiga Julinha Martins, colocou
a Philomena na história de tal
forma que, no futuro (muito futuro) iam incluir um coelhinho no meio,
em uma paródia muito sem-vergonha (para usar um termo de outrora). Ai, Philomena, seu eu fosse como
tu...
E assim ele foi gravando, sempre animado e inspirado. Se haviam acabado as
cançonetas, havia o samba. Por onde? Pelo
Telephone mesmo! Afinal, tudo podia ser motivo para um samba ou uma
marcha, até um Pé de Anjo.
Sempre reencontrando os colegas, gravou com o coro do Theatro São José, onde
sua velha amiga Julinha Martins se sobressai no coro. Aliás, esses dois
gravaram nada menos que a Cabocla de
Caxangá. Nas palavras de hoje, Júlia Martins e Bahiano tinham uma química incrível
nas gravações.
Mas, os anos 20 já vinha com seus jovens e novos astros. Mesmo assim, o sr.
Manuel Pedro ainda emplacou sucessos, antes de se afastar. Nesse fase final de
sua carreira, nada menos que Luar de
Paquetá; Ai, Seu Mé; Sai da Raia; De Bam Bam Bam; Vida
Apertada...
Mas, ele se afastou. Nosso querido País, ao mesmo tempo em que acolhia os novos
talentos da década de 30, esquecia-se de seus antigos intérpretes. Os meios de
comunicação, a mídia e as informações aumentavam e se propagavam de forma
assustadoramente rápida, mas isso em nada ajudava a lembrar dos pioneiros. E
olha que haviam se passado apenas três décadas.
Nesse esquecimento ele faleceu. Nascido na Bahia (05 de dezembro de 1870), na
cidade de Santo Amaro da Purificação, Manuel Pedro dos Santos, faleceu meses
antes de completar 74 anos.
Para os pesquisadores, amantes da boa e pioneira MPB, ele será sempre lembrado.
Nunca sairá de moda.
Em nossos assuntos musicais ele nunca precisará de permissão para fazer parte,
basta repetirmos euforicamente a exclamação de Júlia Martins em uma de suas
gravações: ‘Entra, Bahiano!’”.