quarta-feira, 21 de julho de 2021

PEPA DELGADO - ESTRELA DE NOSSO TEATRO MUSICADO

Pepa Delgado, 1918.
http://memoria.bn.br




A atriz-cantora PEPA DELGADO foi um dos importantes nomes de nosso Teatro de Revista de da Indústria Fonográfica brasileira das primeiras décadas do século XX. Ela lançaria nos teatros e nos discos alguns dos sucessos musicais que embalariam os tempos da Belle Époque no Brasil.




Maria Pepa Delgado nasceu em Piracicaba (SP), em 21 de julho de 1886, falecendo no Rio de Janeiro aos 58 anos de idade, em 11 de março de 1945.

 

Filha de um toureiro espanhol, Lourenço Delgado, e da paulista Ana Alves, Pepa Delgado estreou no teatro em 1900, atingindo o sucesso como atriz-cantora em 1904, quando passou a gravar discos na Casa Edison, pelo selo Odeon Record. Também gravaria na Columbia Record e faria cinema.

 

Sua carreira se estendeu até 1924. Em 1925, nascia Heitor, seu filho com o companheiro Almerindo Álvaro de Moraes.

 

Em homenagem aos 135 anos do nascimento de Pepa Delgado, trago mais um trecho de minha monografia abordando sua vida e carreira. Hoje, falarei um pouco sobre sua passagem pelo Theatro São José e a peça A Sertaneja, de Viriato Correia, com música de Chiquinha Gonzaga.

 

Boa leitura!  




"3.3 ESTRELA DO THEATRO SÃO JOSÉ


A tática de usar sua fotografia em cartaz foi usada por ocasião de seu benefício artístico, ocorrido em 30 de setembro de 1912, com a representação de Manobras do Amor (FIG.28). Sua imagem também era utilizada para divulgar sua carreira e as peças em que participava, como fez o periódico Fon Fon em fevereiro de 1913 o qual apresentava em uma de suas páginas a fotografia de Pepa Delgado caracterizada como o personagem Reco Reco na revista Dengo Dengo (FIG.29) e o Jornal de Theatro & Sport, de 1915, onde a atriz aparece caracterizada como Innocencia na representação de Z. B. D. U. (FIG.30), por conta de seu benefício, sempre ocorrido em 30 de setembro. Por ocasião da festa de setembro de 1912, o Correio da Manhã dedicou-lhe uma nota com um grande retrato:

 

Pepa Delgado, a querida e popular actriz da companhia do theatro S. José, faz hoje sua festa artistica, com a deliciosa opereta original de Osorio Duque-Estrada, Manobras do Amor, um dos grandes successos do genero de espetaculos por sessões.Nome bastante conhecido no nosso meio teatral, Pepa Delgado occupa um logar de destaque, no qual se vem mantendo, com geraes sympathias do publico (Correio da Manhã, 30 de setembro de 1912, p.4).


 

 

Figura 28 – Cartaz da representação de Manobras do Amor.


Fonte: Correio da Manhã, 14 de setembro de 1912, p.12.
Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional. 
Disponível em <http://memoria.bn.br>. Acesso em: 02 mar. 2018.




Figura 29 – Pepa Delgado interpretando o personagem Reco Reco na revista Dengo Dengo.


Fonte: Fon Fon, 01 de fevereiro de 1913, p.55.
Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional.
Disponível em <http://memoria.bn.br>. Acesso em: 02 mar. 2018.





Figura 30 – Pepa Delgado caracterizada como Innocencia em Z.B. D. U.

Fonte: Jornal de Theatro e Sport, 26 de setembro de 1914, p.5.
Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional.
Disponível em <http://memoria.bn.br>. Acesso em: 02 mar. 2018.



Para divulgar a peça A Viúva da Alegria, paródia da opereta A Viúva Alegre, de Franz Lehar, o jornal O Imparcial publicou meia página com a fotografia de alguns artistas do elenco (FIG.31), entre eles Pepa Delgado, que interpretava a protagonista Anninhas de Charivari (versão de Anna Glavarry) e a Lavadeira. Cecília Porto, Laura Godinho e seu esposo, o ator Alfredo Silva, também participavam do elenco, sendo alguns dos principais nomes da Empresa de Pascoal Segreto.



Figura 31 – Parte do elenco de A Viúva da Alegria.


Da esquerda para a direita, ao alto: Pepa Delgado, Belmira de Almeida e Luiza Lopes.
Ao centro: Franklin Almeida e João Mattos.
Na linha de baixo: J. Pedroso, Alfredo Silva e Lola Denegri.

Fonte: O Imparcial, 18 de fevereiro de 1913, p.5. Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional. Disponível em <http://memoria.bn.br>. Acesso em: 03 mar. 2018.




Antes da estreia O Imparcial publicou uma curiosa nota sobre o desaparecimento de Pepa Delgado em um dos ensaios, aproveitando para descrevê-lo. A nota sobre o ensaio e desaparecimento de Pepa Delgado tem o título de “Na Hora do Ensaio – A proposito dos nossos clichés de hoje”:

- Pepa! oh! Pepa. Onde se metteu a Pepa?! Ninguem a viu?!

Assim gritava o sr. Domingos Braga, agitado e pallido, não de raiva, mas de esforço, quando entrámos ha dias no theatro S. José. Ensaiavam a parodia “A viuva da alegria”. Haviam dado a deixa para a actriz Pepa Delgado e ella não estava presente. O trabalho cessou durante alguns minutos e todos começaram a gritar pelo nome da artista desapparecida. Não tardou que ella surgisse naquelle seu andar mansamente bamboleante de meiga patinha (O Imparcial, 18 de fevereiro de 1913, p.6).

 

O artigo continua descrevendo o ensaio, voltando o ensaiador Domingos Braga à calma e o elenco seguindo um trecho cantante. Os artistas e coristas iam bem nas músicas, porém, algumas vezes, o piano ia para um lado e as vozes para outro, uma “pandega”. Tudo feito sem esforço, sem zanga, “pois o pessoal do theatro é por natureza alegre”. Nas áreas do teatro alguns artistas estavam às voltas com “espumantes copos de cerveja”, conversando geralmente sobre um assunto “caracteristicos dos meios teatrais – a intriga”. Em algazarra, os coristas acabavam o ensaio e “sahiam satisfeitos como meninos de collegio ao terminar as aulas”. Mas o ensaio prosseguia para os artistas e, não tardou que o ensaiador novamente empalidecesse e começasse a gritar outra vez: “Pepa! oh! Pepa!...”. Novamente a atriz Pepa Delgado havia fugido e, dessa vez, não apareceu: “Ao terminar a sua „fala, no mesmo andar mansamente bamboleante de meiga patinha com que acudiu ao primeiro chamado fez-se caminho da rua e bateu azas. (O Imparcial, 18 de fevereiro de 1913, p.6). O fotografo tirou as poses dos outros artistas e precisou retornar em outro dia para fazer as fotos de Pepa Delgado, uma das estrelas do São José, e dessa vez ele não havia perdido a viagem. Esse artigo, assim como outros analisados em nossa pesquisa, mostra uma má vontade para com o pessoal do teatro, destacando as fofocas e intrigas em detrimento da atuação dos artistas. Não sabemos o porquê do “desaparecimento” da atriz principal, os motivos que a levaram a se afastar do ensaio, mas se isso realmente aconteceu não prejudicou o resultado final da peça, que foi bem recebida pelo público e pela imprensa.

O mesmo O Imparcial elogiava os autores que “foram muito felizes, pois a parodia está bem feita, tem graça a valer e não tem pornografia”, informando que o Pepa Delgado havia apresentado um bom trabalho, cantando bem em várias partes (O Imparcial, 19 de fevereiro de 1913, p.8). A Epoca destacava o lado feminino do elenco: “Pepa Delgado na Anninhas do Charivari, uma mulata sympathica e pernóstica, a que ella emprestou uma graça natural [...]” (A Epoca, 19 de fevereiro de 1913, p.3, grifos do autor).

Mesmo interpretando um personagem europeu, a atriz terminava por também interpretar um tipo brasileiro característico do teatro de sua época, a mulata, no qual ela vinha se especializando. Ao fazer a paródia os autores inseriam ingredientes associados à cultura brasileira de então e o público aceitava de bom grado. A essa altura, Pepa Delgado era considerada a primeira atriz da companhia do Theatro São José, segundo o jornal A Epoca, comentando sua atuação na paródia, por ocasião da aproximação das cem representações da peça (A Epoca, 09 de março de 1913, p.7). Nesse ano, a 30 de setembro, acontecia o tradicional benefício da atriz (FIG.32 e 33).



Figura 32 – Nota sobre o tradicional benefício de Pepa Delgado.


“Pepa Delgado – Distincta actriz brazileira que faz hoje a sua récita anual, motivo, sem duvida, para que lhe seja dado avaliar o quanto é querida pelo publico”.

Fonte: A Epoca, 30 de setembro de 1913, p.5.
Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional.
Disponível em <http://memoria.bn.br>. Acesso em: 03 mar. 2018.





Figura 33 – Cartaz da peça Pomadas e Farofas


Peça exibida pelo benefício de Pepa Delgado. Fonte: A Epoca, 30 de setembro de 1913, p.8.
Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional. Disponível em <http://memoria.bn.br>. 
Acesso em: 03 mar. 2018.



O benefício da atriz era sempre uma festa concorrida, a cada ano divulgado com destaque pela imprensa. Em 1913 a atriz Cinira Polonio não fazia mais parte da Empresa do Theatro São José. Considerada uma grande atriz e estrela, ela servia de referências para outras atrizes por sua elegância e talento, sendo também compositora e empresária. Nesse ano, Pepa Delgado passa a ser a estrela da companhia. Nesse posto interpretou mais um tipo popular, a criada Doninha na opereta Por Traz da Cortina60. A imprensa destacava a “belíssima canção por Pepa Delgado”, Petropolitana, de Adalberto de Carvalho, “um dos maiores sucessos teatraes destes ultimos tempos”. (A Imprensa, 25 de março de 1914, p.5). Interpretada no segundo ato da opereta, Petropolitana tinha seus versos estampados em uma das capas do Jornal de Theatro & Sport em 1914, acompanhada de um grande retrato de Pepa Delgado (FIG.34).



Figura 34 – Retrato de Pepa Delgado.

“Pepa Delgado – Distincta e festejada actriz brazileira, estrella do Theatro São José, que com tanta naturalidade canta a popular „Petropolitana‟”.

Fonte: Capa do Jornal de Theatro & Sport, 02 de maio de 1914. Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional. Disponível em <http://memoria.bn.br>. Acesso em: 03 mar. 2018.



A letra da canção Petropolitana era uma homenagem à cidade de Petrópolis, situada na região serrana do estado do Rio de Janeiro, onde se desenrola a opereta: 


Petropolis linda é brasileira
Oh! minha terra
Tu és tão bella e tão faceira
E ahi na serra
Moram Cnpido (sic) e Deusa Flóra
Que ruido chora
Com os perfumes e mil odores
Que se exaltam d´entre as flores.
Petropolitana
És a flôr mais gentil
Tão linda serrana
Ai, só tem o Brasil
Petropolis santa és peregrina
Tu és rainha
Tens alma pura e christalina
Qual cascatinha
Em que deslisa amor fecundo
Pedro segundo
Deu-te vida e realeza
Poetizou co´a natureza”.



[...]

 

“3.3.3 A Sertaneja

Após meses de excursão por São Paulo e pelo Nordeste, a companhia do Theatro São José chegava ao Rio de Janeiro em meados de setembro e já apresentava novas peças, reservando para fins de outubro um grande sucesso. A burleta A Sertaneja seria o primeiro trabalho do escritor Viriato Correia, sendo musicada por Chiquinha Gonzaga, tendo estreado em 28 de outubro de 1915 no Theatro São José. O autor concedeu uma entrevista ao jornal A Epoca, onde explicava a peça, que retomava o estilo regional cuja parte ação se passava no sertão: 

- “A sertaneja” – diz-nos elle – é apenas uma burleta de costumes nacionaes. Nada mais, nada menos que isso. Eu quiz trazer para o palco um pouco da alma matuta, que, infelizmente, não tem sido aproveitada pelos nossos theatrologos. Os nossos sertanejos têm habitos, ridiculos, cantigas e danças que me parecem ser de um sabor novo no nosso theatro. Escrevi “A sertaneja” para isso – para mostrar á nossa gente um aspecto brasileiro que o proprio Brazil pouco conhece (A Epoca, 26 de outubro de 1915, p.4).

 

Notemos o teor preconceituoso do autor para com os sertanejos, que ele mesmo procurava retratar e fazer com que o país conhecesse sua cultura. A peça tinha três atos, os dois primeiros passados no Rio de Janeiro e o último no sertão. Viriato Correia procurava mostrar “uma modalidade curiosa da alma da mulher matuta”, que seria matuta por onde andasse sem se esquecer de seus campos, seus sambas, de sua cultura. O seu coração, segundo ele, ficou plantado no sertão, “vicejando e florindo pelo amor de um moço camponio qualquer, que a embriaga de trovas ao som da viola”. Na cidade, ela guardava-se para o seu moço. O autor colocava a sertaneja no Rio de Janeiro, onde ela era seguida por muitos admiradores, brincava com todos, mas não se entregava a nenhum, pois, só o faria ao homem do seu meio, “o mais ardente cantador á viola de sua aldeia”, aquele que, segundo ela, “tóca o coração da gente”. Através desse enredo, ele ia mostrando os ridículos da cidade e do sertão, com seus caricatos coronéis, que mandavam na cidade, fazendo passar pelo ato do campo “os aspectos alegres dos costumes matutos, as danças, as cantigas, a alegria viçosa que existe nos meus mattos nortistas”. Era lá que se encontrava o cantador de viola, que ia da expressão do amor mais doce até “a mais tragica attitude do punhal”.


O autor informava não ser uma peça literária e elogiava a atuação dos artistas até “o ultimo figurante”, cuja boa vontade se manifestava. Sobre a atriz principal, ele afirmava: “Pepa Delgado, a protagonista, tem-se mostrado uma creatura estudiosa, conscienciosa. O papel é dificil, mas já as dificuldades foram por ella vencidas”. Ainda elogiava a música de sua amiga Chiquinha Gonzaga que “compreendeu as menores subtilezas da alma sertaneja”. (A Epoca, 26 de outubro de 1915, p.4). O personagem Sertaneja era vivido por Pepa Delgado, Alfredo Silva dava vida a Janjão, e ainda no elenco Laura Godinho (Veridiana) e Vicente Celestino (Jandaia) (A Epoca, 28 de outubro de 1915, p.4, grifos nossos). Na peça aparecia a “graciosa actriz” Júlia Martins (Chica Pica-Fogo), cuja volta ao elenco foi destacada no cartaz63 (O Paiz, 28 de outubro de 1915, p.4, grifos nossos). Ao assistir aos ensaios, o jornal A Rua publicou: “Pepa Delgado, a protagonista da peça, a „Sertaneja‟, manifestou-nos o seu contentamento: - O meu papel é um papel. O autor está satisfeito commigo” (A Rua, 22 de outubro de 1915, p.5). A crítica recebeu bem a interpretação do elenco:  

Na “Sertaneja” todos os personagens são apanhados do natural, não ha exageros nem deficiencias. Assim, Pepa Delgado, na protagonista, Laura Godinho, na Veridiana, Julia Martins, na Chica, enfim, todo o conjunto, soube, magistralmente, comprehender e interpretar a idéa magnifica de Viriato Correia, dando-nos verdadeiros typos brasileiros, cheios, soberanamente cheios de cunho nacional (A Epoca, 29 de outubro de 1915, p.4).

 O esforço dos artistas foi reconhecido pelo O Paiz que, antes teceu críticas e elogios ao autor da peça e à música, respectivamente: 

[...] A nova peça do nosso collega é legitimamente nacional e póde-se mesmo dizer regional, principalmente no seu 3º acto, passado em uma villa do interior. O autor, que procurou da a sua peça, um entrecho, se não foi feliz na escolha, por ser de pouco interesse, ainda assim conduziu-o habilmente e conseguiu tirar alguns effeitos. Os dois primeiros actos da peça são de uma observação fantasista, o terceiro, porém, denota mais verdade nas observações e nos typos postos em scena. Em toda a peça, porém, ha uma musica, que vem confirmar a reclame ha muito usada pela empreza Paschoal Segreto: aquella de facto é uma linda musica e outra coisa não éra de esperar em se tratando de uma partitura nacional, da inspiração da maestrina brazileira Francisca Gonzaga. Dos principaes personagens se encarregaram Pepa Delgado , Laura Godinho, Alfredo Silva, Torres e Figueiredo, tendo os demais se conduzido muito bem [...]. Julia Martins, que fez a sua estréa no S. José, teve a seu cargo um pequeno papel e como sempre, mostrou o excellente elemento que é nas peças nacionaes. Bem posta em scena, A sertaneja agradou e isso ficou provado nas palmas com que foram saudados os artistas e nos chamados á scena dos autores, unanimemente aclamados. – Hoje, repete-se a interessante burleta, em tres espetaculos (O Paiz, 29 de outubro de 1915, p.4, grifo do autor). 

 

Da trilha sonora de A Sertaneja somente uma música foi gravada e chegou aos nossos dias. Com o título homônimo, os versos da canção nos dão uma ideia do clima romântico do sertão que a peça queria retratar:

Prateia a serra, tudo prateia
O luar branco de minha aldeia
Em minha serra
Quando a lua sobre a serra
A saudade se descerra
Nos confins do coração
A natureza fica muda, fica presa
Enlevada na beleza
Do luar do meu sertão
Em minha aldeia
Quando brilha a lua cheia
A matuta sapateia
Nos requebros do baião
E ao som do pinho
Da viola e cavaquinho
Tudo baila à luz de linho
Do luar do meu sertão.


O Imparcial também elogiava o retrato das pessoas do sertão através da pena do autor: 

[...] Viriato, o conhecido escritor nortista, poz em relevo, e com felicidade, a mulata dos nossos sertões, que a actriz Pepa Delgado viveu a contento geral. [...] Cumpre ressaltar o trabalho bem cuidado de Julia Martins, que embora só entrasse no 3º acto, fazendo uma personagem com o nome de “Chica Pica-Fogo”, arrancou muitas palmas do publico que enchia o popular theatro da praça Tiradentes (O Imparcial, 30 de outubro de 1915, p.6).


Já A Noite fez uma crítica desfavorável, elogiando Chiquinha Gonzaga, porém, chegando a ser machista com as atrizes: 

[...] A apreciada maestrina patricia D. Francisca Gonzaga cooperou grandemente na peça, dando-lhe, com a sua musica original, o cunho verdadeiramente brasileiro, que foi desvirtuado pela prosa do escriptor. Procurando apresentar scenas engraçadas, o autor da <<A sertaneja>> fez uma pela illogica, com um enredo mais fantasista que real, e com umas criticas despropositadas. [...] <<A sertaneja>> tem, porém, um final de acto (o do segundo) e um acto (o terceiro) bem theatraes, que justamente agradaram, sobretudo pela factura dos versos e harmonia da musica dos descantes sertanejos. O desempenho, <<A sertaneja>> poderia tel-o melhor, si da parte feminina houvessem papeis conseguido as interpretações que alcançaram do sexo forte. Alfredo Silva, Torres, João de Deus, Pedroso, Vicente Celestino, Figueiredo, Mattos, Franklin e Fineco estiveram a contento do publico. Na parte feminina, deante da interpretação das demais, só se puderam destacar Julia Martins, Pepa Delgado e Laura Godinho (A Noite, 30 de outubro de 1915, p.5).

 

O Jornal do Brasil foi mais receptivo:


A companhia que funcciona no theatro S. José, da empreza Paschoal Segreto, teve hontem duas formidaveis enchentes, com a primeira representação da nova peça do jornalista maranhense, Sr. Viriato Correia, um dos redactores d´”A Rua”. [...] A circumstancia de ter sido a “burletta” musicada pela maestrina Francisca Gonzaga, uma das mais afamadas creadoras de trechos musicaes que mais se popularisam, pela technica e inspiração que são seu apanagio [...]. As Sras. Pepa Delgado, Julia Martins e Laura Godinho tiveram os mais fortes papeis [...]. A peça está cuidadosamente montada e é natural que a previsão do “Jornal do Brasil” seja uma realidade: a burleta fará carreira (Jornal do Brasil, 29 de outubro de 1915, p.10).

 

O jornal informava que não houve as três habituais sessões, pois o público pedia a repetição de várias cenas, fazendo com que a segunda sessão terminasse as 23h45. 

A Sertaneja seria uma das principais peças do repertório de Pepa Delgado, atingindo um grande sucesso e sendo remontada, anos depois, com outros elencos. No auge de sua carreira, ela explorava um novo tipo popular na figura da moça simples dos sertões, em peças que explorariam a vida e os personagens sertanejos. Depois de anos investindo em sua carreira artística, era chegado o momento da consagração. Porém, sua posição de estrela não impedia que outras atrizes se destacassem, como Júlia Martins”.



Trecho da monografia “PEPA DELGADO: A TRAJETÓRIA DE UMA ATRIZ-CANTORA (1886-1945)”, de Marcelo Bonavides de Castro, autor deste Blog.
 
Vocês podem baixar minha monografia completa em: https://bit.ly/3BtUaxE


Mais postagens sobre Pepa Delgado:
PEPA DELGADO E SUA PARTICIPAÇÃO EM DISCOS: https://bit.ly/3bC6qBC
RELEMBRANDO PEPA DELGADO - 134 ANOS: https://bit.ly/2OWmmTb
 
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Atriz-cantora Júlia Martins


Fonte: Centro de Documentação e Informação (Cedoc) – Fundação Nacional de Arte (Funarte).




Fotografia da atriz Pepa Delgado


Fonte: Fon Fon, 14 de setembro de 1912, p.62.
Hemeroteca Digital Brasileira da Biblioteca Nacional.
Disponível em 
. Acesso em: 19 jul. 2017.




NO SAMBA
De José Nunes, mesma melodia de “A Pimentinha”, lançada em 1913 por Risoletta e Eduardo das Neves.
Gravado por Pepa Delgado e Mário Pinheiro
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia Record 11.646
Lançado em 1910



NÃO PERGUNTES
Canção de Chiquinha Gonzaga com versos de Catulo da Paixão Cearense


É a mesma melodia de O Que é Simpatia?,também de Chiquinha Gonzaga.
Gravada por Pepa Delgado
Acompanhamento de piano
Disco Columbia Record 11.732
Lançado em 1910



SERESTA
Dueto de José Nunes
Gravado por Pepa Delgado e Mário Pinheiro
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia Record 12.303
Lançado em 1910



O VATAPÁ (DO MAXIXE)
Maxixe de Paulino Sacramento
Gravado por Pepa Delgado e Mário Pinheiro
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia B-31, matriz 11.644
Lançado em 1912
Da Revista “O Maxixe”



A COZINHEIRA
Cançoneta
Gravada por Pepa Delgado
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia Record B-31, matriz 11.626
Lançado em 1912



A VIUVINHA
Cançoneta
Gravada por Pepa Delgado
Acompanhamento de piano
Disco Columbia Record B-39, matriz 11.716
Lançado em 1912



A LAVADEIRA
Cançoneta
Gravada por Pepa Delgado
Acompanhamento de piano
Disco Columbia Record B-39, matriz 11735
Lançado em 1912
Da Revista “Só pra Homens”



PETROPOLITANA
Canção de Adalberto de Carvalho
Gravada por Aracy Côrtes
Acompanhamento do Jazz Band Sul Americano Romeu Silva
Disco Odeon Record 122.885
Lançado em 1925













Agradecimento a Sandor Buys e ao Arquivo Nirez


 

 

 

 

 


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