quinta-feira, 8 de julho de 2021

RELEMBRANDO O GRANDE PROCÓPIO FERREIRA

PROCÓPIO FERREIRA
O Malho, 1948
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O ator Procópio Ferreira foi um dos mais importantes nomes de nosso teatro. Ao longo de mais de sessenta anos de carreira ele se fez aplaudir por várias gerações, interpretando dramas e comédias. Também atuou cinema e deixou sua interpretação em alguns discos.


João Álvaro de Jesus Quental Ferreira nasceu no Rio de Janeiro em 08 de julho de 1898. Foi casado com a atriz e bailarina Aída Izquierdo, sendo pai da atriz e cantora Bibi Ferreira (Abigail Izquierdo Ferreira). Anos depois, Procópio Ferreira se casaria com a atriz Norma Geraldy.


Bibi Ferreira, Procópio Ferreira e Aída Izquierdo.
Revista Vida Domestica, maio de 1930.
Arquivo Nirez


 
Ainda jovem, iniciou o curso de Direito, porém, resolveu abandoná-lo para ingressar no teatro, matriculando-se em segredo na Escola Dramática Municipal. Ao tomar conhecimento, seu pai o expulsou de casa.
 
Procópio Ferreira estreou no teatro na Companhia Brasileira de Comédias, com o vaudeville em três atos, Amigo, Mulher e Marido, tradução de F. Martins do original L'Ange du Foyer, de Robert Flers e Gaston de Caillavet. A peça estreou no Theatro Carlos Gomes do Rio de Janeiro em 21 de março de 1917, como noticiou o jornal O Imparcial. Algumas fontes dão como Procópio tendo estreado na Companhia Lucília Peres e, realmente, em 1916 são anunciadas as apresentações desse espetáculo por uma companhia formada pela atriz, mas o nome de Procópio Ferreira não aparece nas notas. Já na estreia da peça, em 1917, aparece o nome de Procópio, mas não o de Lucília Peres. O Imparcial, de 22 de março de 1917, p. 05, informa que os diretores da Companhia Brasileira de Comédias eram João Barbosa e o ator Francisco Marzullo. Na peça, Procópio Ferreira interpretava o personagem Pedro, segundo o jornal O Paiz, de 08 de março de 1917, p. 04.
 
Atuando em comédias e revistas, Procópio Ferreira foi contratado em 1918 para atuar na Companhia Dramática Nacional, de Itália Fausta (1879-1951). No ano seguinte, passou para a Companhia de Operetas do Theatro São Pedro, indo em 1920 para a companhia de comédias dirigida pelo ator Alexandre Azevedo e Antônio Serra, formada por atores portugueses.
 
Em 1921, Procópio estava no Theatro Trianon, estreando na reabertura desse teatro com a comédia Nossos Papás, de Ribeiro Couto, ao lado de Abigail Maia, Gabriela Montani, Natalina Serra, Manoel Durães e Arthur de Oliveira. A peça era repertoria da Companhia Brasileira de Comédias, dirigida por Oduvaldo Vianna e Viriato Correia.


Cartaz de Nossos Papás
Correio da Manhã, 28 de maio de 1921, 04
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Em 1921, atuou em Onde Canta o Sabiá..., de Gastão Tojeiro, onde interpretava Hernani. Ainda esse ano, atuou em Manhãs de Sol, de Oduvaldo Vianna. Nas duas peças, contracenava com a atriz Abigail Maia, que foi homenageada por Procópio Ferreira quando batizou sua filha Abigail Izquierdo Ferreira, nascida em 1922. Abigail Maia foi a madrinha de Bibi.




Cartaz de Onde canta o Sabiá
O Paiz, 08 de junho de 1921, p.10
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Cartaz de Manhãs de Sol
O Paiz, 22 de outubro de 1921, p.12
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Fundou sua própria companhia em 1924, estreando em São Paulo com a peça Dick, de Max Dearly e dirigida por Christiano de Sousa. No Rio de Janeiro a Companhia Procópio Ferreira estreou ainda em 1924, com O Tio Solteiro, de Ricardo Hichen.
 
No cinema, Procópio Ferreira fez sua estreia em 1917, no filme A Quadrilha do Esqueleto, dirigido por Eduardo Arouca, que também atuava, e que contava com Yolanda Fronzi, mãe da atriz Renata Fronzi, no elenco. Em 1925, atuou em Um Senhor de Posição, dirigido por Irineu Marinho, com um elenco formado, entre outros, pela veterana Estefânia Louro e a jovem Belmira de Almeida.
 
Sua popularidade se estendia entre Rio de Janeiro e São Paulo. Isso o levou a ser convidado para atuar em Coisas Nossas, nosso primeiro filme musical, de 1931, dirigido por Wallace Downey. O filme reunia estrelas e astros do rádio e disco paulistano, como Helena Pinto de Carvalho, Zezé Lara, Stefana de Macedo Corita Cunha, Paraguassú, Sebastião Arruda, Baptista Júnior, entre outros grandes nomes.


Cena de Coisas Nossas
Da esquerda para a direita: Baptista Júnior, Cléo, Procópio Ferreira e Sebastião Arruda.
O Cruzeiro, 1931
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Atuaria ainda em vários outros filmes, como Pureza (1940), Berlim na Batucada, (1944), onde contracena com o cantor Francisco Alves, O Comprador de Fazendas (1951), Quem matou Anabela? (1956), Titio não é sopa (1959), entre outros títulos.
 
Seria, no entanto, através do teatro que Procópio Ferreira se expressaria melhor para seu público e colheria seus maiores êxitos, como o grande sucesso que fez com a peça de Joracy Camargo, Deus lhe Pague, estreada nos últimos dias de 1932, em São Paulo, em que ele interpretou Mendigo. No elenco estavam as atrizes Elza Gomes e Luiza Nazareth (mãe das atrizes Zilka Salaberry e Lourdes Mayer). O sucesso foi tanto que, ao longo de sua carreira, ele representaria esse texto em mais de 3.600 apresentações. Nessa peça, Procópio lançou a atriz e futura cantora e rádio atriz, Zezé Fonseca. Lançaria também, em outras peças, Regina Maura, Déa Selva, Mário Salaberry (esposo de Zilka Salaberry), Rodolfo Maia e Wanda Marchetti.



Cartaz de Deus lhe pague
A Gazeta, 30 de dezembro de 1932, p.06
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A Noite Illustrada, 1933
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Cena de Deus lhe pague
Procópio Ferreira à esquerda
A Noite Illustrada, 1933
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Elenco de Deus lhe pague
A Noite Illustrada, 1933
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Carioca, 1935
Arquivo Nirez




Batalha, 1933
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Correio da Manhã, 1933
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Deus lhe Pague também seria interpretada por Procópio Ferreira na televisão por duas vezes, em 1952, no Grande Teatro Tupi, exibido pela TV Tupi de São Paulo. No cinema, foi realizado o filme de mesmo nome em 1948, rodado na Argentina, dirigido por Luis César Amadori e estrelado por Arturo de Córdova, no papel de criado por Procópio.
 
Entre 1928 e 1930, Procóprio Ferreira fez 16 gravações em discos, todas interpretando versos, poesias e monólogos. Vale destacar A Fundação do Rio de Janeiro, de sua autoria, onde ele junta em um mesmo cenário, Aracy Côrtes, Dr. Jacarandá, Paulo de Magalhães, Mem de Sá, Dom Pedro I e Dona Leopoldina, ao som de Ai Yoyô e do Hino Nacional,
 
Interpretou O Avarento, de Molière, em 1940.


Procópio Ferreira como O Avarento, de Molière
Comoedia, 1946
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Contracenou com sua filha Bibi Ferreira em mais de uma peça, como em Mirandolina, de 1947.


Procópio Ferreira e Bibi Ferreira em Mirandolina
A Cigarra, 1947
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A Companhia Procópio Ferreira esteve em atividade até o final da década de 1950, quando Procópio a desfez e passou a trabalhar como ator convidado em vários espetáculos, remontando O Avarento, de Molière, em 1969.
 
Ao todo, foram 62 anos de carreira, atuando em 461 peças e ainda publicando quatro livros abordando a interpretação, tendo por base a sua experiência de ator e empresário.
 
Procópio Ferreira faleceu no Rio de Janeiro em 18 de junho de 1979, menos de um mês antes de completar 81 anos de idade.



Bibi Ferreira e Procópio Ferreira
A Cigarra, 1948
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PROCÓPIO FERREIRA
Vamos Lêr!, 1942
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RECORTES SOBRE PROCÓPIO FERREIRA



Comédia Jornal de Theatro, 1919
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Jornal de Theatro & Sport, 1920
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O Malho, 1925
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Jornal de Theatro & Sport, 1925
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Fon Fon, 1930
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Excelsior, 1930
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Fon Fon, 1931
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Fon Fon, 1931
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O Malho, 1933
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Carioca, 1936
Arquivo Nirez





Carioca, 1936
Arquivo Nirez






INTERPRETAÇÕES DE PROCÓPIO FERREIRA EM DISCOS


 
 
KREMESSE
Versos de Olegário Mariano
Gravados por Procópio Ferreira
Disco Odeon 10.259-A, matriz 1942
Lançado em outubro de 1928


 
O FLIRT
Versos de Olegário Mariano
Gravados por Procópio Ferreira
Disco Odeon 10.274-A, matriz 1943
Lançado em novembro de 1928


 
A FUNDAÇÃO DO RIO DE JANEIRO
Monólogo de Procópio Ferreira
Gravado por Procópio Ferreira
Disco Odeon 10.397-A, matriz 2608
Lançado em junho de 1929


 
O MEU NARIZ
Monólogo de Paulo de Magalhães
Gravado por Procópio Ferreira
Disco Odeon 10.397-B, matriz 2609
Lançado em junho de 1929


 
COMPENSAÇÕES
Monólogo de Gilberto de Andrade
Gravado por Procópio Ferreira
Disco Odeon 10.415-A, matriz 2535
Lançado em junho de 1929














Agradecimento ao Arquivo Nirez










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