Marlene Dietrich em 1937. Foto de George Hurrell. http://www.pinterest.com
Há 113 anos, em 27 de dezembro de 1901, nascia a atriz e cantora Marlene Dietrich.
Nascida em Berlim e naturalizada americana nos anos 30, ela foi uma das maiores lendas do cinema, sendo um dos ícones da sétima arte. Fora seu glamour, Marlene participou ativamente durante a Segunda Guerra Mundial, entretendo soldados na Europa, visitando campos de batalhas (mesmo sua correndo risco), e se opondo ao nazismo.
Com uma bem sucedida carreira de cantora, ela excursionou pelo mundo cantando belas músicas, inclusive várias que falavam de paz, pedindo às pessoas que nunca repetissem os horrores da Segunda Guerra.
Em 1959 ela esteve no Brasil onde, ensinada por Cauby Peixoto, cantou perfeitamente Luar do Sertão em seu show.
Marlene Dietrich faleceu em Paris, onde morava, em 06 de maio de 1992, aos 90 anos.
Marlene Dietrich no filme Morroco, 1931. http://www.doctormacro.com/
Há cem anos, no dia 25 de dezembro de 1914, acontecia a Trégua de Natal.
Era ainda o início da Primeira Guerra Mundia.
De um lado da trincheira dos aliados, e do outro lado, os alemães.
A Guerra já corria intensa, fazendo baixas.
Porém, nesse dia 25 de dezembro de 1914, um milagre aconteceu no campo de batalha de Saint-Yvon, território belga.
O cabo Albert Moren, da 2º Regimento da Rainha escreveu: “Era uma linda noite de luar, o chão gelado, branco por quase toda parte, e, por volta das 7, 8 horas, havia muita comoção nas trincheiras alemãs e muitas luzes – não sei de onde vinham. De repente, começaram a cantar Noite Feliz – Stille Nacht. Nunca vou esquecer de música tão bonita.”
As luzes vinham das velas que os alemães ornavam sua arvore de natal improvisada.
Fazia oito graus negativos.
Nisso, os aliados começaram a cantar O Come, All Ye Faithful, de acordo com o fuzileiro Graham Williams, da 1ª Brigada de Fuzileiros de Londres.
Os alemães responderam se unindo e cantando em coro a versão em seu idioma de Adeste Fideles.
"Que coisa extraordinária – duas nações inimigas entoando o mesmo cântico no meio da guerra”, escreveu Williams.
O capitão Josef Sewald, do 17º Regimento Bávaro, tomou coragem e gritou ao inimigo que não queriam atirar e que fariam uma trégua de Natal. Disse ainda que iria do seu lado e que poderiam conversar entre eles na região em meio as trincheiras.
Depois de um silêncio um inglês gritou, "Parem os tiros!".
Um deles saiu das trincheiras e o capitão Josef fez o mesmo, aproximaram-se e trocaram um aperto de mão, mesmo que cauteloso.
Os apertos de mão se multiplicaram ao longo de todo o front ocidental, segundo o site Carta Capital.
Trocas de Feliz Natal eram ouvidas pelo campo de batalha, agora em paz. Logo, todos conversavam como se conhecessem há anos, segundo o cabo John Ferguson, do 2º Regimento dos Highlanders.
Uma missa bilíngue foi realizada na manha de Natal por um padre escocês e um seminarista alemão, selando o momento. O tenente Arthur Pelham Burn, do 6º Regimento dos Highlanders lembrava, "um espetáculo extraordinário". "Os alemães alinhados de um lado, os britânicos de outro, os oficiais à frente, todos de cabeça descoberta.”, acrescentava.
O tenente inglês Bruce Bairnsfather admirava uma cena inusitada: Um cabeleireiro amador, em trajes civis, cortava os cabelos de um Boche dócil, ajoelhado no chão duro, enquanto a máquina operava, nos conta o site Carta Capital.
O tenente Kurt Zehmisch, do 134º Regimento Saxão de Infantaria, disse que os ingleses trouxeram a bola. E, no meio da paz, aconteceu uma partida de futebol. “Como foi estranho e como foi maravilhoso. O Natal, celebração do Amor, conseguiu unir como amigos, por um instante, inimigos mortais.”, relembrava Zehmisch.
A partida só terminou porque a bola bateu em uma cerca de arame farpado e furou.
Esse acontecimento, ocorrido há 100 anos, é relembrado e até comemorado nos dias de hoje.
Durou seis dias e foi acontecendo em alguns campos de batalha.
Após isso, o conflito voltou.
Até o término da Guerra, em 1918, 14 milhões de pessoas perderiam a vida.
Esse episódio foi tema de um filme em 2005, Feliz Natal (Joyeux Noël), dirigido por Christian Carion e estrelado por Diane Kruger, Benno Fürmann e Guillaume Canet.
Há 09 anos, em 22 de dezembro de 2005, falecia no Rio de Janeiro a cantora Aurora Miranda, um dos grandes nomes da MPB durante os anos 30. Aurora estava com 90 anos e faleceu em sua casa, de causas naturais.
Nascida no Rio de Janeiro em 20 de abril de 1915, Aurora Miranda da Cunha, começou cedo a ter contato com o meio artístico acompanhando sua irmã, Carmen Miranda, quando esta iniciava sua carreira de cantora. O ano era 1929 e a jovem Aurora tinha apenas treze para quatorze anos.
Em 1933, com a irmã Carmen já famosa, chegou a vez de Aurora se lançar como cantora. Foi um sucesso!
Mesmo sendo irmã de Carmen Miranda, Aurora Miranda não ficou devendo nada quanto ao talento e popularidade. Tornou-se cantora consumada, com uma belíssima voz e estilo próprio. E não pensem em rivalidades entre as irmãs. Nunca houve, muito pelo contrário. Cada vez mais conquistavam o sucesso e mais amigas e confidentes ficavam.
Aurora Miranda
Durante a década de 1930, Aurora Miranda tornou-se uma das mais respeitadas e admiradas cantoras. Interpretando composições de grandes compositores, como Assis Valente, Ary Barroso, André Filho, entre outro, ela gravou clássicos como Cai, Cai, Balão, Se a Lua Contasse, e a eterna Cidade Maravilhosa, que viria a se tornar o hino oficial da cidade do Rio de Janeiro.
Aliás, em seu primeiro disco, que trazia Cai, Cai, Balão, de Assis Valente, Aurora tem por companheiro o cantor Francisco Alves.
Em 1940, aos 25 anos, casou-se com o comerciante Gabriel Richaid. Carmen foi a madrinha e, como já estava nos EUA, deu ao casal a lua de mel em Hollywood. E porque não juntar o útil ao agradável? Aurora era belíssima, talentosa e... estava em um lugar de grande oportunidades. Vieram algumas excursões como cantora e participações em filmes. O mais conhecido é Você Já Foi à Bahia (The Three Caballeros) , de 1944, produzido pela Disney, onde ela contracena com Pato Donald e Zé Carioca. Foi a primeira vez em que atores e desenho animado atuaram juntos. A cena em que ela canta Os Quindins de Iaiá, de Ary Barroso, é antológica, tendo ainda a participação de Zé Carioca (o músico, também conhecido por Zezinho), tocando lápis nos dentes.
Ao fim dos anos 40 e início dos 50, Aurora tinha se destacado em seu trabalho, feito muito sucesso, tinha uma marido dedicado e companheiro e dois filhos. Era uma mulher completamente realizada. Em 1955 veio um grande golpe, a perda da irmã Carmen. A partir de então, mesmo tendo esporádicas aparições como cantora, Aurora passou a se dedicar à memória de sua querida irmã, não deixando que o sucesso de Carmen se apagasse, mesmo esquecendo de sua própria trajetória como cantora.
Ao longo dos anos ela fez amizade com vários fãs de Carmen Miranda, que também tornavam-se seus fã. Simpática e muito atenciosa, sempre contribuía com importantes entrevistas e testemunhos aos que a procuravam para saber mais sobre sua irmã famosa.
Aos 90 anos e já debilitada fisicamente, Aurora Miranda faleceu em seu apartamento, no Rio de Janeiro. Sua irmã, Cecília, ainda viveria mais alguns anos e seria a última Miranda a acompanhar os passos das irmãs cantoras nos anos 20, 30 e 40.
Carmen e Aurora Miranda
Algumas músicas cantadas por Aurora Miranda
CAI, CAI, BALÃO
Trata-se do primeiro disco gravado por Aurora Miranda
Marcha de Assis Valente
Aurora Miranda canta com Francisco Alves
Acompanhamento da Orquestra Odeon sob a direção de Simon Bountman
Disco Odeon 11.018-A, matriz 4674
Gravado em 22 de maio de 1933 e lançado em junho desse mesmo ano
SE A LUA CONTASSE
Marcha de Custódio Mesquita
O cantor João Petra de Barro faz participação no coro
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco Odeon 11.074-B, matriz 4733
Gravado em 21 de outubro de 1933 e lançado em novembro desse mesmo ano
CIDADE MARAVILHOSA
Marcha de André Filho
Gravada por Aurora Miranda e André Filho
Acompanhamento da Orquestra Odeon
Disco 11.154-A, matriz 4901
Gravado em 04 de setembro de 1934 e lançado em outubro desse mesmo ano
NÃO TEM RIVAL
Samba de Amaro Silva
Disco Odeon 11.199-B, matriz 4984
Gravado em 29 de dezembro de 1934 e lançado em fevereiro de 1935
CHOREI POR TEU AMOR
Samba de André Filho
Acompanhamento do Grupo da Odeon
Disco Odeon 11.568-B, matriz 5739
Gravado em 15 de dezembro de 1937 e lançado em fevereiro de 1938
Já está tudo pronto e amanhã, dia 22/12
será o grande dia.
Estou falando da reinauguração do Cine
São Luiz, um dos mais belos cinemas do Brasil e o maior cinema da cidade de
Fortaleza (CE), com capacidade atual para 1.100 pessoas.
Com a reforma, o local
passará a funcionar como um cine-teatro.
O evento de reinauguração acontecerá segunda, dia 22/12, às 19h.
Na programação, cantores líricos interpretarão canções de natal e ainda haverá a apresentação da Orquestra Eleazar de Carvalho interpretando peças Alberto Nepomuceno.
E, mantendo a aura de glamour que envolve o cinema, em seguida será exibido o mesmo filme de sua inauguração, ocorrida em 26 de março de 1958, Anastácia, a Princesa Esquecida, estrelado por Infrid Bergman, Yul Brynner e Helen Hayes.
Os ingressos para a reinauguração podem ser adquiridos gratuitamente a partir das 9h da manha dessa segunda-feira, dia 22/12, na bilheteria do próprio Cine São Luiz, que fica na Praça do Ferreira. Será entregue um ingresso por pessoa.
A História
A construção do Cine São Luiz se
iniciou em 1939, sob projeto de Humberto Justa Menescal, no local onde antes
ficava o Cine Polytheama. Devido a Segunda Guerra Mundial, a construção do
Edifício São Luiz, que abrigaria o cinema em seu térreo, foi interrompida e só
voltaria a ser retomada em 1952.
Finalmente, no dia 26 de março de 1958,
Fortaleza ganhava a mais bela casa de espetáculos cinematográficos do Brasil,
segundo a imprensa da época.
Com um hall, cujas escadarias são
revestidas por mármore de Carrara, três grandes lustres de cristais importados
da antiga Tchecoslováquia, o Cine São Luiz marcou gerações e permaneceu no
imaginário popular. Muitos ainda lembras do tempo em que, para se entrar no
cinema, os homens deveram usar paletó.
http://www.fortalezanobre.com.br/
www.fortalezaemfotos.com.br/
http://www.fortalezanobre.com.br/
Seu proprietário era o cearense Luiz
Severiano Ribeiro, que tinha a maior cadeia de cinemas existente no País.
Confira o noticiário feito pela Cinematográfica São Luiz da inauguração do Cine São Luiz em 1958.
O
Filme
Poster de Anastasia http://www.chantrellposter.com/
Anastácia, a Princesa Esquecida (Anastasia, 1956) foi o filme de
estréia oficial do Cine São Luiz, no dia 26 de março de 1958. Dirigido pelo
ucraniano Anatole Litvak, era estrelado por Ingrid Bergman, em sua volta
triunfal à Hollywood, e ainda Yui Brynner e a veterana Helen Hayes. O filme
conta a história de uma possível sobrevivente da família Romanov, do czar
Nicolau II da Rússia, assassinada em 1917.
Dois dias antes, em uma sessão para a
imprensa, foi exibido o filme Suplício de uma Saudade, com Jennifer Jones
e William Holden.
Ingrid Bergman e Helen Hayes. http://www.doctormacro.com/
Os outros filmes da programação
inaugural eram O Príncipe Encantado, com Marilyn Monroe e Laurence
Olivier; Meus Dois Carinhos, com Frank Sinatra, Rita Hayworth e Kim Novak;
Juventude Transviada, com James Dean, e Trapézio, com Gina Lollobrigida e Burt
Lancaster.
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A reinauguração
As obras restauração e recuperação
foram iniciadas em dezembro de 2013.
Com a reforma, veio melhorias nos
sistemas de iluminação, acústica, climatização, piso, revestimentos e novos
assentos, que continuam na tradicional cor vermelha, além de equipamentos de
projeção. Segundo o site do Governo do Ceará, "o investimento de R$
15.287.832,21 feito pelo Governo do Estado, através da Secult, possibilitará
que o equipamento histórico-cultural seja devolvido à sociedade como um dos
mais modernos da atualidade".
A memória e características
arquitetônicas originais do Cine São Luiz, em suas qualidades estéticas e
históricas, foram mantidas. Na adaptação, agora como cine-teatro, devido às
normas técnicas e de acessibilidade, sua capacidade original de 1.500 lugares
foi reduzida para 1.100. No piso superior do cinema ficam 300 lugares.
O cinema foi tombado pelo Governo do
Estado em 1991.
O site ainda informa que "além da abertura de um amplo palco, com
capacidade para grandes espetáculos, também foram feitos reparos em outros
espaços, como camarins, o fosso para receber músicos de orquestra".
A Secult (Secretaria de Cultura) entregou o equipamento pronto , tendo a
finalização da restauração do espaço sido "um trabalho em conjunto
realizado pela equipe de restauro, coordenada pelo restaurador José Luiz Motta,
sob a supervisão de profissionais como o engenheiro Paulo Renato, da Secult, o
arquiteto Robledo Duarte, do Departamento de Arquitetura e Engenharia (DAE), do
Governo do Estado, e o engenheiro José Cardoso, da Construtora Granito,
responsável pela execução da obra".
Dessa forma, Fortaleza recebe um de suas mais queridas referências histórias,
uma joia que fez e fará ainda parte de várias gerações, o Cine São Luiz
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Prédio do Cine São Luiz, vendo-se à esquerda a Coluna da Hora, na Praça do Ferreira. Fortaleza (CE). Foto de Francisco Edson Mendonça. http://www.panoramio.com/