sábado, 5 de dezembro de 2020

BAHIANO, O PIONEIRO - 150 ANOS

BAHIANO
Arquivo Nirez

 


Há 150 anos nascia o pioneiro cantor BAHIANO.
 
Manuel Pedro dos Santos nasceu em Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 05 de dezembro de 1870.
 
Trago novamente um texto que escrevi em 2013 sobre Bahiano, com algumas adaptações:
 
 
“Há 150 anos, em uma segunda-feira, 05 de dezembro de 1870, nascia em Santo Amaro da Purificação, Bahia, o mais popular cantor do começo do século XX, Manuel Pedro dos Santos, mais conhecido como BAHIANO.

Bahiano foi, provavelmente, o primeiro cantor a gravar discos no Brasil e na América Latina, em 1902.
O célebre lundu Isto é Bom, do ator e compositor Xisto Bahia, foi gravado juntamente com dezenas de outras músicas na primeira sessão de gravação para discos em nosso País. Isto é Bom foi a primeira música a ser lançada, em disco Zon-O-Phone 10001.

De 1902 até meados da década de 1920, Bahiano gravou centenas de músicas dos mais variados estilos, fazendo antológicos duetos com vários (e também lendários) artistas de sua época.

Cançonetista do tempo dos chopes berrantes, cafés concertos, Bahiano logo ficou popular no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sua fama o levou às gravações em cilindros e nos discos (chapas), tornando sua popularidade maior ainda.

Versátil, ele estava sempre muito à vontade em suas gravações; assumindo personagens, brincava e implicava com Senhorita Consuelo e Júlia Martins, levando delas divertidas respostas.

Braga, Escudeiro, O. de Azevedo, Cadete, Eduardo das Neves, Mário Pinheiro, entre outros, fizeram desafios ou duetos com ele. Assim, como Risoleta, Maria Roldan, Maria Marzulo, Isaltina e, até arrisco, Medina de Sousa, também gravaram em sua companhia. Aliás, Medina o levou a soltar sua voz em uma interpretação lírica.
Isso sem falar com os novos talentos de uma nova era, pós Belle Époque, como Vicente Celestino e Januário.

Além do pioneirismo, ele gravou muitos sucessos em discos, dos quais vários se tornaram clássicos de nosso cancioneiro: Perdão EmíliaA MulataO Angú do BarãoO Sino da TardeAi PhilomenaPelo Telephone... a lista, só dos clássicos, é imensa.

Digo mais. Bahiano, assim como mais tarde Aracy Côrtes, participou da transição de épocas marcantes. Ele, até mais que Aracy.
Começando a gravar em 1897 (cilindros) e depois em 1902 (discos), juntamente com o início da indústria fonográfica brasileira, ele trazia toda a bagagem cultural e modismos do século XIX. Até então, a única forma de se divulgar a música eram as partituras, teatro musical e bandas de músicas. As composições ficavam um pouco presas em cada cidade, principalmente no Rio de Janeiro, onde eram propagadas entre os moradores. Como vantagem, haviam as partituras para piano e canto, que rodavam o país (e mundo); também, as heroicas excursões feitas pelas trupes teatrais e, não menos importantes, os cantadores, boêmios, e os amantes da música popular, que saiam espalhando as melodias e letras por onde conseguissem chegar. O povo era também um grande divulgador.

Com a chegada da gravação em disco, isso mudou. Ficou mais fácil levar as chapas para as várias regiões do Brasil, onde seriam ouvidas por muitas pessoas, entre um misto de espanto e prazer.

Havia um detalhe: os inúmeros sucessos dos tempos do Brasil Colônia, do Império e início da República, não poderiam cair no esquecimento. Muitos estavam fresquinhos na memória da população graças ao teatro de revista e suas atrizes, e aos cançonetistas que entretinham o público dos cafés concertos. Dessa forma, Bahiano e seus colegas gravaram muitos sucessos de peças teatrais, modinhas e poesias de grandes e saudosos talentos; bem como precisavam ir registrando os sucessos da atualidade e seus modismos.

Dessa forma, ele viveu vários personagens em suas gravações. Saindo do Império, com suas modinhas e cançonetas, ingressou na República, com os lundus que faziam as delícias das plateias teatrais, afinal, ninguém esquecera da Sabina e o fazendeiro Euzébio; ingressou na Belle Époque, cantando o Art Nouveau e sua interessante moda, como também registrou acontecimentos marcantes de sua atualidade, afinal, ‘A Europa curvou-se ante o Brasil’ e entre o clamor de parabéns em meio tom, ‘apareceu Santos Dumont’. Engraxou, foi abanador apaixonado por uma Vassourinha e, até, Feiticeiro, onde partiu com sua Cigana para encontrar a buena dicha nas linhas do coração. Veio a Primeira Grande Guerra e ele cantou para os soldados que partiam. Nesse meio tempo, gravou modinhas lindíssimas e, ele mesmo, também registrou suas impiedosas paródias. Com o sucesso teatral de sua amiga Julinha Martins, colocou a Philomena na história de tal forma que, no futuro (muito futuro) iam incluir um coelhinho no meio, em uma paródia muito sem-vergonha (para usar um termo de outrora). Ai, Philomena, seu eu fosse como tu...

E assim ele foi gravando, sempre animado e inspirado. Se haviam acabado as cançonetas, havia o samba. Por onde? Pelo Telephone mesmo! Afinal, tudo podia ser motivo para um samba ou uma marcha, até um Pé de Anjo.

Sempre reencontrando os colegas, gravou com o coro do Theatro São José, onde sua velha amiga Julinha Martins se sobressai no coro. Aliás, esses dois gravaram nada menos que a Cabocla de Caxangá. Nas palavras de hoje, Júlia Martins e Bahiano tinham uma química incrível nas gravações.

Mas, os anos 20 já chegavam com seus jovens e novos astros. Mesmo assim, o sr. Manuel Pedro ainda emplacou sucessos, antes de se afastar. Nessa fase final de sua carreira, nada menos que Luar de PaquetáAi, Seu MéSai da RaiaDe Bam Bam BamVida Apertada...

Mas, ele se afastou. Nosso querido País, ao mesmo tempo em que acolhia os novos talentos da década de 30, esquecia-se de seus antigos intérpretes. Os meios de comunicação, a mídia e as informações aumentavam e se propagavam de forma assustadoramente rápida, mas isso em nada ajudava a lembrar dos pioneiros. E olha que haviam se passado apenas três décadas.

Nesse esquecimento ele faleceu. Nascido na Bahia (05 de dezembro de 1870), na cidade de Santo Amaro da Purificação, Manuel Pedro dos Santos, faleceu em um sábado, 15 de julho de 1944, no Rio de Janeiro, meses antes de completar 74 anos.

Para os pesquisadores, amantes da boa e pioneira MPB, ele será sempre lembrado. Nunca sairá de moda.
 
Em nossos assuntos musicais ele nunca precisará de permissão para fazer parte, basta repetirmos euforicamente a exclamação de Júlia Martins em uma de suas gravações: ‘Entra, Bahiano!’”.




O jornal O Echo Phonographico fez uma homenagem a Bahiano
por seu aniversário, em 1904.




BAHIANO
Revista Musical, 1924
http://memoria.bn.br/


 
 

Em sua homenagem, trago vinte e cinco gravações feitas por ele na Casa Edison entre 1902 e 1920.




BOLIMBOLACHO
Lundu
Gravado por Bahiano
Disco Zon – O – Phone 10.002
Gravado e lançado em 1902



ESPECOLONDRÍFICO


Selo de Especulondrífico
Arquivo Nirez

Monólogo
Gravado por Bahiano
Disco Zon – O – Phone 1.535
Gravado em 1902




TUDO PODE ACONTECER

Selo de Tudo Pode Acontecer
Arquivo Nirez

Monólogo
Gravado por Bahiano
Disco Zon – O – Phone 1.655, matriz 1655
Gravado em 1902 e lançado em 1903




AMENIDADE

Selo de Amenidade
Arquivo Nirez

Serenata de Catullo da Paixão Cearense
Gravada por Bahiano
Disco Zon – O – Phone X-639
Gravado em 1903




O ANGÚ DO BARÃO

Selo de O Angu do Barão
Arquivo Nirez

Cançoneta de Ernesto de Souza
Gravada por Bahiano
Disco Zon – O – Phone X-670
Gravado em 1903




PRA EXPOSIÇÃO

Selo de Pra Exposição
Arquivo Nirez

Cançoneta
Gravada por Bahiano
Disco Zon – O – Phone X-697, matriz X-697
Gravado em 1903




VALSA DOS SINOS DE CORNEVILLE

Selo de Valsa dos Sinos de Corneville
Arquivo Nirez
Valsa de Roberto Planquete
Gravada por Bahiano
Disco Zon – O – Phone X-701
Gravado em 1903




JURAMENTO ESQUECIDO

Selo de Juramento Esquecido
Arquivo Nirez

Modinha
Gravada por Bahiano
Disco Odeon Record 10.234
Lançado em 1906




A ROSA
Modinha de Bernardo Cunha
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de Violão
Disco Odeon Record 10.284, matriz R-1359
Lançado em dezembro de 1912





MINGAU BEM MEXIDO

Selo de Mingau Bem Mexido
Arquivo Nirez

Lundu
Gravado por Bahiano
Disco Odeon Record 10.320, matriz R-1491
Lançado em dezembro de 1912




O MAXIXE BRASILEIRO

Selo de Maxixe Brasileiro
Arquivo Nirez

Lundu de Luiz Moreira e Aurélio Cavalcante
Gravado por Bahiano
Disco Odeon Record 120.172, matriz XR-1721
Gravado em 18 de setembro de 1911 e lançado em fevereiro de 1913




TELEFONANDO
Cançoneta
Gravada por Bahiano
Disco Odeon Record 120.305, matriz XR-1867
Gravado em 21 de setembro de 1911 e lançado em fevereiro de 1913




CACHORRO IDEAL

Selo de Cachorro Ideal
Arquivo Nirez

Cançoneta Paródia de Sam Marshall e Gustavo Tjader
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de Orquestra
Disco Odeon Record 120.570
Gravado em 16 de abril de 1913 e lançado em 1913




O PASSARINHO

Selo de O Passarinho
Arquivo Nirez

Canção de Francisco Teles
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.033
Lançado em 1915




VALSA DA PRIMAVERA

Selo de Valsa da Primavera
Arquivo Nirez

Valsa
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.059
Lançado em 1916




BAHIANO VAIDOSO

Selo de Bahiano Vaidoso
Arquivo Nirez

Cançoneta Alegre
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.060
Lançado em 1916




MEIA NOITE
Modinha
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.062, matriz R-517
Lançado em 1916




DESPEDIDA DO MARUJO

Selo de Despedida do Marujo
Arquivo Nirez

Canção
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.306, matriz R-521
Gravado e lançado em 1917




OS PEIXINHOS DO MÁ
Canção Sertaneja
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de Orquestra e Coro
Disco Odeon Record 121.317
Gravado e lançado em 1917




PELO TELEPHONE

Selo de Pelo Telephone
Arquivo Nirez

Samba de Ernesto dos Santos (Donga) e Mauro de Almeida
Gravado por Bahiano
Acompanhamento de Conjunto e Coro
Disco Odeon Record 121.322, matriz 121332-3
Gravado e Lançado em 1917




A ROLINHA DO SERTÃO (ASSIM É QUE É)

Selo de A Rolinha do Sertão
Arquivo Nirez

Samba Carnavalesco de Mirandella e J. Rezende
Gravado por Bahiano
Acompanhamento de Violão
Disco Odeon Record 121.531
Lançado em 1919




O SABIÁ

Selo de O Sabiá
Arquivo Nirez

Canção de José Francisco de Freitas
Gravado por Bahiano
Acompanhamento de Flauta, Cavaquinho e Violão
Disco Odeon Record 121.532
Lançado em 1919




FOI ENGANO
Schottisch de Anacleto de Medeiros
Gravado por Bahiano
Disco Odeon Record 121.642
Lançado em 1919




FATALIDADE DE UM BEIJO

Selo de Fatalidade de um Beijo
Arquivo Nirez

Schottisch de Américo Jacomino (Canhoto)
Gravado por Bahiano
Acompanhamento de Américo Jacomino (Canhoto) ao Violão
Disco Odeon Record 121.645
Lançado em 1919




NA VALSA
Valsa
Gravada por Bahiano
Acompanhamento de Violão
Disco Odeon Record 121.800
Lançado em 1920













Agradecimento ao Arquivo Nirez










Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...