sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

HELENA PINTO DE CARVALHO - CARREIRA E ENTREVISTAS

HELENA PINTO DE CARVALHO
Cena do filme Coisas Nossas, de 1931.
O Cruzeiro, 1931
Arquivo Nirez



Continuando nossa homenagem à HELENA PINTO DE CARVALHO, vamos conhecer um pouco sobre sua carreira.

Na postagem anterior, falamos sobre sua vida: http://bit.ly/2AV8wZJ

Nessa postagem trago as gravações Columbia feitas por ela.


No final de 1929 já encontramos citações sobre Helena Pinto de Carvalho se apresentando em programas de rádio, com a palavra gentilmente trazida entre parênteses; ou seja, ela fazia suas apresentações sem cobrar nada, pois na época, pessoas da “boa sociedade” não cobravam cachês.

Em 05 de dezembro de 1929 (exatamente oito anos antes de sua morte) Helena Pinto de Carvalho participava da inauguração dos novos estúdios da Sociedade Rádio Educadora Paulista. Também participaram Lila Dias, Sônia Veiga, Januário de Oliveira, Arnaldo Pescuma, Plínio Ferraz, entre outros.

Em 1930, suas apresentações em programas de rádio eram intensas, atuando ao longo de sua carreira na Sociedade Rádio Educadora Paulista e na Rádio Record. Seu repertório trazia sambas e canções de sucesso, entre elas: Caboclo Enciumado (de Eduardo), Sapo sapinho (de Ary Kerner), Madrugada na Roça e Na praia do Leblon (de Vicente de Lima), Dor de Recordar (de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano), Canção da Felicidade (de B. Netto). Lua Cheia (de Hekel Tavares e Luís Peixoto), Teus Olhos, Dedo mindinho (de Hekel Tavares), Balaio (de Marcelo Tupynambá), Aquele cantinho (de Joubert de Carvalho), É com você que eu queria (de Joubert de Carvalho), entre outras mais.

Às 16 horas da tarde de 12 de maio de 1930 eram inaugurados os novos estúdios da Victor Talking Machine Company do Brasil, em São Paulo. Várias pessoas compareceram, ouvindo as palavras do diretor-gerente da Victor no Brasil, o sr. Lothar Voz Ziegazer, e também saboreando champanhe. Em seguida, segundo o jornal Diário Nacional, de 13 de maio de 1930 p. 7, Helena Pinto de Carvalho gravou um disco, cantando Morena Cor de Canela, de Ary Kerner, “que momentos após era ouvida na gravação da ‘matriz’ em cêra, do referido disco”. A data não “bate” com a da Discografia Brasileira, que informa o dia 20 de maio para a referida gravação. De todo o caso, mencionamos o ocorrido.


Diário Nacional, 13 de maio de 1930, p.7.
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Segundo a Discografia Brasileira e o Catálogo Victor, o primeiro disco de Helena Pinto de Carvalho trazia samba canção de Gaudio Viotti, X. Y. Z. e J. Canuto, Teus Olhos Me Contam Tudo, numa deliciosa interpretação da cantora. Do outro lado vinha Morena Cor de Canela, samba de Ary Kerner Veiga de Castro. Na Victor, ela gravou oito músicas em quatro discos. A única gravação que não conseguimos foi Vamo Se Casá, samba de João e Raul Valença (Irmãos Valença) que ela gravou com Vicente Cunha. 


Na edição de 20 de dezembro de 1930 p.62, a revista O Cruzeiro trazia algumas críticas sobre os discos lançados nesse mês. Sobre um dos discos de Helena Pinto de Carvalho, a nota dizia: “O samba Não chora, de João da Gente, tem vivacidade cacteristica, rythmo excitante e encontrou em Helena de Carvalho uma interprete brilhante; completa o disco (nº 33.390) a marchinha Nhá Carola, dueto pela mesma artista e Pilé”.


Correio da Manhã, 1930.
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O Cruzeiro, 1930.
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REVISTAS PHONO-ARTE, 1930
(ARQUIVO NIREZ)






















Na Columbia, Helena Pinto de Carvalho gravaria seis músicas em três discos. Entre as músicas, destaco Esse Jeitinho Que Você Tem, toada brejeira de Marcelo Tupinambá, que ela também cantaria no filme Coisas Nossas, de 1931, e Num Sorriso Dos Teus, lindo samba canção de Napoleão Tavares e Jayme Redondo, que Helena soube dar uma interpretação ímpar; a melodia traz uma surpresa ao passar de sentimental para animação total. Ambas foram lançadas em outubro de 1931.





A Gazeta, 23 de abril de 1932, p.5.
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A Gazeta 20 de maio de 1931, p.2.
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No rádio, Helena Pinto de Carvalho não só cantava, mas também atuava. Em 25 de julho de 1930, participou do esquete Inverno do Homem só, de Brasil Gerson, ao lado de Albano de Castro, irradiado pela Rádio Educadora Paulista.


Correio Paulistano, 25 de julho de 1930
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Entrevistas

Por ocasião do lançamento do filme Coisas Nossas que, além de Helena Pinto de Carvalho, trazia grandes figuras do rádio e teatro paulistano e carioca como Zezé Lara, Stefana de Macedo, Corita Cunha, Paraguassú, Jararaca, Jayme Redondo, Procópio Ferreira, entre outros, a imprensa reservou muitos espaços para saudar a produção e homenagear os artistas. Helena e outros integrantes do filme foram ao Rio de Janeiro para o lançamento nesta cidade, no cine Eldorado, em dezembro de 1931.

O jornal Diario da Noite fez uma entrevista com Helena Pinto de Carvalho, publicando-a no dia 14 de dezembro de 1931 p.15. A cantora recebeu a reportagem na casa de uns parentes, onde estava hospedada, em Copacabana. Elogiando a figura da cantora, o jornal afirmava ser Helena uma romântica moderna. Ela informava como entrou para o cinema (mas, na verdade, ela descreveu como começou sua carreira artística): “Eu ia uma noite para assistir Procópio Ferreira, mas como tivesse perdido a sessão, concordei em deixar-me levar até á estação de radio, para ver como são organizados os programmas. La encontrei Jayme Redondo, que já foi produtor de films e agora dirige e organiza os numeros a irradiar para o publico. Ele elogiou a minha voz e perguntou-me se eu não queria experimental-a. [...], não sei porque, gostou. E depois enthusiasmou-me muito, dizendo que eu poderia fazer successo... [...] Mais tardetomei parte num festival de caridade no Theatro Municipal de São Paulo e finalmente fui convidada para posar no film de Byington, que o publico tem recebido com tanto enthusiasmo e benevolencia”. Helena falava também sobre seu casamento, sendo muito feliz ao lado do marido. Ela fazia seus próprios vestidos, não por necessidade, mas, segundo ela por achar “que uma dona de casa deve tratar desde a arrumação até a roupa de sair”, afirmando que em São Paulo quase não tinha tempo para nada, “senão para cuidar da casa, cozer os meus vestidos, fazer meus chapéos”, andando sempre na moda.


Diario da Noite, 14 de dezembro de 1931, p.15.
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O Jornal, de 17 de dezembro de 1931 p.5, trazia a matéria intitulada O Prestígio de uma Linda Voz, apresentando uma entrevista com Helena Pinto de Carvalho, “da alta sociedade paulistana”, que falava sobre o filme. Após elogiar o filme e a atuação de Helena, o jornal destacava seu relato ao falar sobre ver a si mesma na tela: “[...] confesso que foi intensa e estranha a emoção que experimentei, deante da téla do Eldorado, ouvindo-me e vendo-me a mim mesma!...”. E ainda complementava: “Aliás, devo declarar que canto um pouco melhor do que cantei no film... Além disto, a objectiva tambem não me protegeu physicamente... deu-me um ar fantasma e rigido que não tenho. Deu talvez a illusão de estar contrafeita, e com mêdo da objectiva. Entretanto, a verdade é outra: eu estava cansada, e o mêdo era apenas do vestido que estava todo pregado de alfinetes...”.



Diário Nacional, 13 de maio de 1930, p.7.
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O Jornal 17 dezembro de 1931, p.5.
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O Cruzeiro também publicou uma nota sobre a passagem de Helena Pinto de Carvalho e do filme Coisas Nossas pelo Rio de Janeiro.




O Cruzeiro, 26 de Dezembro de 1931, p.40.
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Em 20 de dezembro de 1931, os cantores Mário Reis e Francisco Alves estavam em São Paulo para uma série de apresentações, divulgando os sucessos da dupla. Eles se apresentariam no Teatro Sant´Ana e haviam levado no repertório músicas como Marchinha do Amor e Sofrer é da Vida. Em entrevista ao jornal A Gazeta, Mário Reis falava sobre a excursão, o programa e afirmava que haviam convidado “para abrilhantar o sarau a sra. Helena Pinto de Carvalho, que todo São Paulo conhece”. Também faziam parte da apresentação, Procópio Ferreira, Lamartine Babo, Tute e Luperce Miranda.

Helena Pinto de Carvalho também deu recital, onde era a atração principal. O seu primeiro recital aconteceria em 03 de fevereiro de 1932 no palácio Teçayndaba, em São Paulo. No repertório, canções de Villa-Lobos (Nozani-ná e Xangô), Mário de Andrade (Maria, Sapo-Cururu e Sôdade) e Luciano Gallet, na primeira parte. A segunda parte contaria com canções de Hekel Tavares (Navio Negreiro, Mamãe Preta, Escoteiro Pequenino, Você, e outras). Já a terceira parte contaria com cantos regionais e o acompanhamento de gruo regional. Ao piano, acompanhando Helena Pinto de Carvalho, estava o maestro José Torres.




Diário Nacional, 30 de janeiro de 1932, p.4.
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No dia 23 de abril de 1932, Helena Pinto de Carvalho tomava parte em uma revista teatral, em uma única apresentação no Teatro Apollo, em São Paulo. Tratava-se da peça Feira de Vaidades, da autoria de Alfredo Thomé, Ary Kerner e Rubens de Assis. Também participavam, entre outros, Raphael de Freitas, Corita Cunha, Branca Ortega, Arnaldo Pescuma e Paraguassú.



Diário Nacional, 26 de abril de 1932.
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Em passagem pelo Rio de Janeiro, em março de 1935, Helena Pinto de Carvalho falava sobre o carnaval em São Paulo ao jornal Diario da Noite (edição de 13 de março de 1935, p.2). Após falar sobre o carnaval paulistano, ela informava que havia cantado durante os festejos na Rádio S. Paulo, acompanhada pelo grupo Mosqueteiros da Garôa.








Diario da Noite, 13 de Março de 1935, p.2.
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Helena Pinto de Carvalho, ao contrário do que uma vez afirmara, não era somente dona de casa. Aliando aos afazeres domésticos, ela tinha sua carreira de cantora onde se apresentava em rádios e recitais, e ainda trabalhava como funcionária pública ao lado de seu marido, Paulo Pinto de Carvalho, como chefe na Seção de Contabilidade e Departamento de Municipalidades de São Paulo.

Nascida em 05 de outubro de 1908, em São Paulo, ela pertencia à chamada alta sociedade paulistana. Poderia ter sido uma moça fútil e esnobe, mas seguiu o caminho contrário sendo uma pessoa simples e interessada na cultura popular de sua cidade e de seu país, e ajudando a divulgar essa cultura através de seu canto.

Helena Pinto de Carvalho foi uma estrela cadente na música popular do Brasil e na vida das pessoas que privaram de sua companhia, pois exatamente dois meses após completar 29 anos de idade, em 05 de dezembro de 1937, ela falecia repentinamente, vitimada por um enfarte fulminante.


Correio Paulistano, 08 de dezembro de 1937.
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Correio Paulistano, 12 de dezembro de 1937.
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Graças à pesquisa de Thais Matarazzo e Abel Cardoso Júnior, ao acervo de pesquisadores como Nirez e Leon Barg (selo Revivendo) e ao arquivo da Biblioteca Nacional online a carreira de Helena Pinto de Carvalho pode ser relembrada e apreciada. Sua voz, através de suas gravações, nos encanta, comove e desperta uma saudade daquele jeitinho que só ela tinha.




GRAVAÇÕES DE HELENA PINTO DE CARVALHO NA COLUMBIA


Como Helena Pinto de Carvalho nos selos dos discos Columbia


CARINHOS... CARINHOS...
Marcha de Jayme Redondo
Gravada por Helena Pinto de Carvalho
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia 22.015-B, matriz 380985
Lançado em janeiro de 1931



MELANCIA
Marcha de Sivan Castelo Neto
Gravada por Helena Pinto de Carvalho
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia 22.015-B, matriz 380986
Lançado em janeiro de 1931



JÁ CANSEI DE CHORAR POR VOCÊ
Samba de Conde e Marquês de Zanzibar
Gravado por Helena Pinto de Carvalho
Acompanhamento de Orquestra
Disco Columbia 22.021-B, matriz 380984-2
Lançado em 1931



CHI YAYÁ TA BRAVA
Marcha de Jayme Redondo
Gravada por Helena Pinto de Carvalho
Acompanhamento da Orquestra Columbia
Disco Columbia 22.021-B, matriz 380991-2
Lançado em 1931



ESSE JEITINHO QUE VOCÊ TEM
Toada Brejeira de Marcelo Tupinambá
Gravada por Helena Pinto de Carvalho
Acompanhamento de Orquestra Típica e Coro
Disco Columbia 22.054-B, matriz 380081-2
Lançado em outubro de 1931



NUM SORRISO DOS TEUS
Samba Canção de Napoleão Tavares e Jayme Redondo
Gravado por Helena Pinto de Carvalho
Acompanhamento de Orquestra Típica e Coro
Disco Columbia 22.054-B, matriz 381082-1
Lançado em outubro de 1931











Agradecimento ao Arquivo Nirez









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