domingo, 24 de maio de 2009

Carmélia - 100 anos!!


Hoje uma pessoa muito especial para mim completaria 100 anos.
Ela não foi cantora ou atriz.
Era minha avó.
Minha querida avó Carmélia (1909 - 1995).
Faço esta homenagem a ela com uma música que ela muito gostava: Nós queremos uma valsa.

Aqui em uma gravação de Carlos Galhardo, de 1941.
Esta música tem parte da melodia inspirada na Valsa dos Patinadores, do francês Émile Waldteufel, adaptada e co versos de Nássara e Frazão.



Na segunda foto, ao lado de minha avó está sua amiga Noemia (de vestido branco, à direita). As fotos são do anos 20.






quinta-feira, 14 de maio de 2009

Não há ninguém mais feliz - marcha de 1939


Bela marcha gravada por Aurora Miranda em uma linda interpretação, como só ela sabia fazer.

Simples e maravilhosa ao mesmo tempo.



O estilo romantico de Aurora era notado no samba e na marcha, como esta de Alcy Pires Vermelho.


Não há ninguém mais feliz
Que eu, que eu
Porque o teu coração
É meu, só meu
A vida assim é melhor
Guardo este verso de cor
Não há ninguém mais feliz que eu

É teu, só teu meu sorriso
É teu o meu olhar
Na vida apenas preciso
Amar, amar, amar
Tendo o teu amor
Tenho tudo enfim
Hoje eu sou feliz
Meu viver é assim



Não há ninguém mais feliz
Disco Odeon 11.767-A, Matriz 6122. Gravado em 9 de Junho de 1939, disco lançado em Setembro de 1939. Acompanhamento do conjunto Odeon, sob a direção de Simon Bountman.







Agradecimento à pesquisadora Thais Matarazzo.


sexta-feira, 8 de maio de 2009

TOME MAIS UM CHOPE (MARCHA DE 1934)

Marcha de Nássara gravada por Carmen Miranda.

Segundo o pesquisador Abel Cardoso Jr.: "Instantâneo da casa Nice, com seu café, chope e bife mal passado. Nássara era um dos líderes a animar o ambiente. Carmen não ia ao Nice e era censurada por isso!"

Carmen Miranda gravou na Victor em 10 de Outubro de 1934, sendo acompanhada pelos Diabos do Céo (sob direção de Pixinguinha).  
Disco Victor 33.858-B
Matriz 79721-1
Disco lançado em dezembro de 1934.  




Carmen fala: Já vai tão cedo? Tome mais um chope...

Com você ausente ninguém vai ficar contente
O ambiente num instante vai mudar...
Tome mais um chope, vê se come mais um bife
que ainda é cedo pra você se retirar

Meu amor, por favor, não vá-se embora
Espere ao menos que desponte a aurora

Com você lá fora todo mundo logo chora
e lhe implora pelo menos pra voltar...
Tome mais um chope, vê se come mais um bife
que ainda é cedo pra você se retirar








sexta-feira, 1 de maio de 2009

A Abelha e a Flor - canção de 1904

Canção de W. H. Penn e letra de Catullo da Paixão Cearense, gravado pela Inimitável Risoleta na Colúmbia Record, em 1912.

Mário Pinheiro fez duas gravações dessa canção, em 1904(Odeon Record) e 1910(Victor Record).

Em 1910, Orestes de Mattos faria uma gravação na Brazil Record.

Risoleta era uma das grandes cantoras do início do século XX. Em vários de seus discos vinha gravado no selo: "Pela Inimitável Risoleta".


Letra com um leve duplo sentido, comum entre algumas composições da época.

Junto a um belo jasmineiro
dois felizes namorados
se sentaram bem cuidados
E o cupido traiçoeiro
numa abelha transformado
quer o mel, tirar da flor
que dá o amor
Vendo um lírio perfumado
se introduz, rapidamente
e o amante de repente
faz beber o mel da flor
que embriaga o coração
e, do amante, ouve o amor
esta canção:

Porque não sou eu
a abelha e tu a flor
a flor
Provo os lábios teus
gozar o mel de amor
de amor
Nesta tarde tão ditosa
em que o céu era formoso
e que a fonte, além, cantava
Dizia ao lírio cheiroso
Madrigais de amor à rosa
que tristonha
se inclinava tão formosa
E o amante se abrasava
junto à moça
de repente quer beijar-lhe
o colo ardente
Ela, de olhos baixos, chora
mas, na boca, um beijo implora
E do amante
ouve o amor esta canção:

Porque não sou eu
a abelha e tu a flor
a flor
Provo os lábios teus
gozar o mel de amor
de amor...


A Abelha e a Flor
Canção de W. H. Penn com letra de Catullo da Paixão Cearense
Gravado por Mário Pinheiro em 1904
Disco Odeon Record 40.159
Matriz RX-12
Acompanhamento de piano





Foto: Mário Pinheiro.
Agradecimento ao Arquivo Nirez

terça-feira, 28 de abril de 2009

Sapoty - canção brasileira de 1928

Canção brasileira com letra de Freire Junior e música de Afonso Martinez Grau.

Foi lançada pela atriz Dulce de Almeida na revista Você quer é carinho, de 1928.

Nesse mesmo ano, recebeu gravação do cantor Francisco Alves.

PS. Transcrevi a letra com parte da grafia original.

Gravação de Francisco Alves de 1928
Disco Odeon 10.210-B
Matriz 1738
Acompanhamento Jazz Band Pan American





O sapoty é a mulata brasileira
A trigueirinha faceira
que faz da gente o que quer
É uma fructa rechonchuda, saborosa
é também apetitosa
como a mestiça mulher

Tal qual a fructa
a mulatinha é desejada
Mesmo verde é procurada
pelos 'morcegos' gulosos
É molezinha
e delicada e tão macia
Quem afinal não a aprecia
com os seus requebros maldosos?

Qual a fructa melhor daqui?
Sapoty!
Qual a mulher que a todos mata?
A mulata!
Qual das duas se gosta mais?
São iguais!
Tem, as duas, a mesma cor
e sabor.





domingo, 5 de abril de 2009

Aracy Côrtes, Senhora Rainha

Aracy nasceu em 31 de Março de 1904, no Rio de Janeiro.
Seu nome de batismo era Zilda de Carvalho Espíndola, e ai de quem escrevesse errado sem o “E”...

Era filha de Argemira de Carvalho Espíndola e Carlos Espíndola. Afirmava ser “uma mestiça terrível – filha de brasileiro com espanhol e neta de paraguaio”.

Era a caçula dos irmãos Silvino e Dalva.
O contato de Zilda com a música se deu ainda em sua infância. Seu pai era amante da música e tocava choros em sua flauta.

A amizade com Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna) se iniciou na infância dos dois, quando eram vizinhos (a diferença de idade entre eles era de sete anos).
Nas reuniões musicais na casa do futuro compositor ela e a irmã já ensaiavam os primeiros passos de dança.

Um dia Zilda comunicou aos pais que havia sido convidada para atuar em um grupo amador, os “Filhos de Talma”.

Pouco depois estreava no Democrata Circo ( que também seria chamado de Circo Spinelli, usando o sobrenome de seu dono), onde o célebre Benjamin de Oliveira era a atração principal. Apesar do desmaio na apresentação inicial o publico gostou da garota e, em pouco tempo, já estava com a Companhia Arruda excursionando por São Paulo e Minas Gerais. Genésio Arruda, dono da companhia, era especialista no tipo “caipira”.

Quando seu amigo Pixinguinha formou o conjunto Os Oito Batutas, no qual seu irmão China (Otávio Vianna) também fazia parte, a menina Zilda foi cogitada para fazer umas apresentações com o grupo.

Mas era preciso fazer uma grande mudança.

China e Mário Magalhães, o crítico teatral do jornal “A Noite”, estavam na redação desse vespertino quando resolveram inseri-la ao conjunto. Porém, Mário achava que o nome Zilda não combinava e, após pensarem bastante concordaram que Aracy era algo bem brasileiro.

Mas, Aracy “de quê”? Uma dúvida mais complicada que a primeira, pois teriam de arranjar um sobrenome marcante, que se encaixasse com o nome.

Enquanto pensavam entrou, apressado, o repórter policial Côrtes. Ao ver o colega, Mário encontrou sua resposta. Assim, nascia Aracy Côrtes.

Ela não gostou da mudança e no início só usava somente metade no nome.

Daí para o grande meio de divulgação da música popular, de artistas e compositores, o Teatro de Revista (um poderoso veículo de comunicação que trazia a atenção da população ao que acontecia na política e nos costumes sociais), seria um pulo.

Sua estréia profissional nos palcos das revistas aconteceu em 31 de Dezembro de 1921.

A peça era “Nós, pelas costas!”, de J. Praxedes, com música de Pedro de Sá Pereira, com estréia no Theatro Recreio Dramático (ou Theatro Recreio), onde ela ainda iria brilhar inúmeras vezes.

O Recreio ficava na Praça Tiradentes, onde se encontravam os mais famosos teatros e a concentrava as peças de Revistas. Como já existia outra Zilda no elenco a solução foi usar definitivamente o pseudônimo. E a garota estreou como Aracy Côrtes mesmo.

Sua interpretação da personagem “Vinho do Porto”, na cena “No Domínio de Baco”, apresentava momentos de crua sensualidade pagã, segundo a imprensa. O crítico Mário Nunes a destacava como “figurinha de brasileira petulante”.


Obs: Artigo em 5 partes.

Aracy e as primeiras gravações- Parte 2

O Teatro de Revista tinha em Ottília Amorim um dos grandes nomes da época e, pouco depois, Margarida Max e Lia Binatti. Junto a elas Aracy foi fazendo seu nome e até ser considerada uma de suas Rainhas.

Em breve, seria a figura principal dos palcos da Praça Tiradentes, lançando vários clássicos imortais de nossa MPB em primeira mão e lançando novos compositores como: Ary Barroso, Lamartine Babo, Noel Rosa, Assis Valente...

Segundo a revista Noite Illustrada, de 19 de Outubro de 1938, Aracy era “a decisão da vida de um compositor”.

E, para um iniciante ter uma de suas composições inseridas em algum teatro da Praça Tiradentes já era um grande passo... ter essa música interpretada por Aracy Côrtes era a consagração!

Gravou suas primeiras músicas em 1925, ainda na lendária Casa Edison.
Até 1926 podemos ouvir, na grande maioria dos discos, um locutor anunciando o título da música, o intérprete e algumas informações adicionais.

Em seu primeiro registro sonoro, a jovem cantora recebeu o título de “Graciosa Estrela Brasileira”. Nesse ano, gravou A Casinha (também conhecida como A Casinha da Colina, de Pedro de Sá Pereira e Luís Peixoto), Petropolitana (autor ignorado) e Serenata de Toselli (de E. Toselli).

Volta a gravar no final de 1928. A gravadora era a Parlophon.

Em seu primeiro disco elétrico já trazia um clássico: o samba de Sinhô (José Barbosa da Silva) Jura...! , lançada pela própria Aracy na revista Microlândia, estreada no Teatro Fênix em 28 de Setembro de 1928.

O pesquisador Abel Cardoso Junior informava que Aracy precisou repetir a música sete vezes no primeiro dia da apresentação e, segundo a própria cantora, “Isso deixou Sinhô tão emocionado que ele subiu no palco chorando”.

O disco seguinte seria igualmente histórico e marcaria Aracy pelo resto de sua vida por causa da música do lado A.

Ela gravava pela primeira vez Yayá .

Essa composição já havia sido gravada, com títulos e versos diferentes, por Vicente Celestino (Linda Flôr, com versos de Cândido Costa) e Francisco Alves (Meiga Flôr, com letra de Freire Júnior), sem o sucesso desejado. Nem a competente atriz Dulce de Almeida conseguiu que emplacasse quando lançou, antes de todos, na peça A Verdade ao Meio-Dia, em 1928.

Com novos versos, de Luis Peixoto e Marques Porto, a melodia do maestro Henrique Vogeler entraria para a história não com o nome que Aracy lançou na revista Miss Brasil (Theatro Recreio em 20 de Dezembro de 1928), mas rebatizada pelo público como Ai Yoyô.

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