quarta-feira, 1 de julho de 2026

ZIZINHA – UMA MARCHINHA CENTENÁRIA (1925)

 
OTÍLIA AMORIM
Arquivo Marcelo Bonavides




ZIZINHA – UMA MARCHINHA CENTENÁRIA

 
Lançada em 1925, pela estrela Otília Amorim, na Revista (peça) “Se a Moda Pega”, a marcha Zizinha, de José Francisco de Freitas (Freitinhas) foi um dos grandes sucessos do Carnaval de 1926. A gravação da marcha, realizada em 1925, coube ao cantor Fernando, cujo disco foi lançado em 1926.
 
Vamos conhecer um pouco da Revista e da canção.


Na edição de 01 e 02 de julho de 1925, o jornal O Paiz informava que no dia 31 de maio, desse mesmo ano, a atriz e cantora Otília Amorim havia assinado contrato com a empresa Paschoal Segreto, fazendo parte do elenco da companhia do Theatro São José.
 
No dia de sua admissão, Otília Amorim já ensaiava seus papéis com o elenco a peça “Se a Moda Pega”, de Carlos Bittencourt e Cardoso de Menezes. O Paiz, em 04 de junho de 1925, informava que Otília Amorim reapareceria após dois anos sem interpretar “um papel de fantasia”.


Jornal do Brasil, 02 de junho de 1925, p.20
https://memoria.bn.gov.br/ 

 
A empresa de Paschoal Segreto iria estrear “Se a Moda Pega” no Theatro João Caetano (ex-Theatro São Pedro). Como diretor artístico do espetáculo (ou ensaiador, ou ainda metteur-em-scene) estava o ator Alfredo de Torre, sendo bastante elogiado por seu currículo. A empresa comemorava o 14º aniversário de sua fundação.
 
Fora Otília Amorim, a empresa também havia contratado para a peça a atriz Sarah Nobre, além de duas bailarinas clássicas, Giulia Solaro e Marchi Irene. Giulia Solado, em entrevista ao Jornal do Brasil, informou que dançaria também com Alfredo de Torre que, além de diretor artístico, era bailarino. Ela também teceu elogios à Otília Amorim, que considerava “uma estrela de revista”, afinal ela “representa (va) com muita vivacidade e quando tem que fazer marcações choreographicas apprehende, com espantosa facilidade, o rythmo das musicas e a executa logo depois do segundo ensaio” (Jornal do Brasil, 25 de junho de 1925, p.12).
 
Os cenários ficaram a cargo de Jayme Silva, Ângelo Lazary e H. Collomb. Havia ainda “uma cortina pintada por quatro artistas europeus, entre os quaes duas senhoras) (O Paiz, 29 e 30 de junho de 1925, p.05). Bráulio Vianna assinava os croquis, aproveitando todos os motivos nacionais. O maestro Henrique Vogeler assinava a parte musical que, ao que parece, tinha também músicas de outros autores.
 
Em uma entrevista ao Jornal do Brasil, Otília Amorim afirmava ter oito papéis na peça, todos de seu agrado. Mas destacava dois: “Zizinha”, que cantaria em uma passarela, com o concurso da plateia, e “Zazá” (Jornal do Brasil, 27 de julho de 1925, p.14).
 
“Se a Moda Pega” estreou em 01 de julho de 1925, uma quarta-feira, no Theatro João Caetano. O vigésimo segundo quadro do primeiro ato se intitulava “Zizinha”, interpretada por Otília Amorim.
 

ZIZINHA
De José Francisco de Freitas (Freitinhas)
Cantada por Fernando (1925)



O Paiz, 05 de agosto de 1925, p.04
https://memoria.bn.gov.br/


 
O elenco era formado por artistas conhecidos e queridos do público. Entre as atrizes, estavam Nair Alves, Dulce de Almeida, Antônia DeNegri, Cândida Rosa, Marietta Field, Ângela Lisboa e Almerinda Brazil. Entre os atores, figuravam Alfredo Silva, Grijó Sobrinho, Chaves Filho e Franklin d´Almeida.


Correio da Manhã, 01 de julho de 1925, p.07
https://memoria.bn.gov.br/


 
O jornal O Paiz, de 02 de julho de 1925 (p.02), afirmava que o prestígio da parceria dos autores Bittencourt-Menezes era um fato e que Revista da autoria dos dois era “enchente” certa. Nas duas seções da peça, o teatro lotou.
 
A crítica afirmava que a peça não era melhor nem pior dos que as outras que os autores fizeram anteriormente, mas se destacava na montagem. Havia elogios aos cenários (“bonitos a valer”) e ao guarda-roupa (“muito vistoso”), sendo toda a indumentária de “primeira ordem”. Havia um alto investimento econômico da empresa na peça, pois a Companhia do Theatro São José voltava a apresentar-se após algum tempo parada.
 
Uma cortina, que fazia parte do cenário, sendo elaborada com “verve” pelos artistas Lelio Landucci, E. de Saigne, Gonot e Battaglia, foi apontada como uma das novidades da montagem. Elogiava-se o tema brasileiro nos desenhos da cortina, destacando araras reproduzidas em tons quentes.
 
Otília Amorim recebeu elogios, se destacando e sendo notado que ela reaparecia em cena “mais roliça e mais trefega”, causando uma “ruidosa alegria” entre seus admiradores. Antônia DeNegri e Nair Alves também receberam elogios. Na parte masculina, coube menções de destaque a Chaves Filho, Grijó Sobrinho e José Loureiro.
 
Vale lembrar que Otília Amorim desempenhava oito papéis na peça e que, segundo O Paiz, de 03 de julho de 1925 (p.05), que lhe valiam “por oito ‘bis’”.
 
A crítica do Jornal do Brasil, de 02 de julho de 1925 (p.15), afirmava que a companhia contava com Otília Amorim, “uma estrella grandemente querida do publico”. A atriz, segundo o jornal, em sua primeira entrada estava “um pouco constrangida”, porém, nos números seguintes “reconquistou sua posição” e, totalmente à vontade, fez os outros papéis. Foi aplaudida nas coplas de “Zizinha”, onde aparecia maliciosa e provocante, indo até o meio da plateia, através de uma passarela. A crítica encerrava a menção à Otília Amorim: “Um pouco amis forte quanto a sua carnação, dansando e pisando com graça e elegancia bem brasileira é bem a atriz do genero capaz de enthusiasmar sem esforço o publico alias muito inflamavel do theatro ligeiro”.
 
O jornal Correio da Manhã, de 02 de julho de 1925 (p.06), informava aos leitores que Otília Amorim, “tantas vezes chamada a rainha do genero (Revista)”, há dois anos não se apresentava em uma peça de Revista, reaparecendo neste espetáculo “dando toda a graça aos vários papeis que lhe foram distribuídos e nos quaes chegou a electrizar a platéa, que a chamou á scena nos finais de acto, justo premio de seu esforço”.
 
Cândida Rosa também recebeu elogios do jornal, tendo reaparecido igualmente “galante”, principalmente em dois números, “Camisinha” e “Chauffeur”, “feitos ambos com bregeirice e graça” (Correio da Manhã, 02 de julho de 1925, p.06).
 
O Paiz, de 04 de julho de 1925 (p.02), apontava que os números principais de “Se a Moda Pega” eram desempenhados por Otília Amorim, Nair Alves, Antônia DeNegri, Alfredo Silva, José Loureiro, Chaves Filho e Grijó Sobrinho, entre outros. Quadros como “Os Garotos” e “Zizinha’ eram muito aplaudidos e bisados. Esses dois quadros, segundo o jornal, constituíam o “clou” dos espetáculos. Alfredo de Torre era muito elogiado pelas marcações coreográficas.
 
O espetáculo foi bem recebido pelo público e crítica. Esta, afirmava que era uma peça “de moralidade”, não havendo um “double sens”, sendo, por isso, um espetáculo para as famílias. O Paiz ainda informava que, em 10 de julho de 1925, a Companhia do Theatro São José, voltava a ocupar seu antigo (e homônimo) teatro.
 
A peça chama atenção também pelo fato de A União das Coristas do Brasil, encabeçada pela secretária geral Idalina Ferraz, elogiar a empresa Paschoal Segreto, pelo aumento dos salários das coristas, que a União há tempos lutava. Alfredo de Torre, o diretor artístico do espetáculo, também recebeu das coristas uma extensa carta de agradecimento, sendo reconhecida a maneira distintas que ele as conduziu em “bailados de fantasia”, ocasionando um “verdadeiro triumpho” na peça. (O Paiz, 09 de julho de 1925, p.02).
 
Em 23 de julho, a peça comemorava meio centenário de apresentações. O Paiz, de 17 de julho de 1925, (p.05), informava que a revista tinha quadros que eram verdadeiras “fabricas de gargalhadas”, como “Enterros no papo” ou “Morto vivo”, mantendo durante sua representação, “a platéa em constante hilaridade”. Ainda mencionava a canção “Zizinha”, interpretada por Otília Amorim, que todas as noites era trisada, sendo também acompanhada pelo público.
 
O sucesso de “Se a Moda Pega” aproveitava também para homenagear jogadores de futebol. A Liga Mineira de Desportos Athleticos, representada por todos o scratch (time ou seleção) mineiro, que estava no Rio de Janeiro para o terceiro campeonato brasileiro de futebol. O “illustre sportman” Horácio Verne, saudou os jogadores. Logo após, subiu à cena a famosa Revista.
 
Outro fato interessante aconteceu em 30 de julho de 1925, “O Dia da Corista”. Nessa noite, ao subir à cena “Se a Moda Pega”, os papéis das atrizes seriam desempenhados pelas coristas. Na ocasião, brilharam: Idalina Ferraz, Beatriz Santos, Gertrudes Quiroz, Annita Sylvestre, Celestina Durães, Anna de Souza, Maria de Oliveira, Cecília Faria, Arminda Fernandes, Ângela Beirão, Clotilde Fernandes, Rosa Assumpção, Ângela Lisboa. “Zizinha” era interpretada por Albertina Miranda.
 
Um júri composto por Mário Magalhães, de A Noite, Alvarenga Fonseca, Sbat, e Francisco Marzullo, da Casa dos Artistas, iria conferir o título de atriz para a corista que demonstrasse mais aptidão para a cena. O empresário José Segreto entregaria uma medalha de ouro à agraciada.
 
Em outubro de 1925, chegava ao público um maxixe de José Luiz de Moraes, o Caninha, intitulado “Se a Moda Pega”. Não sabemos se fazia parte da Revista homônima, mas é provável que tenha alguma ligação. Seria também sucesso no Carnaval de 1926, sendo gravado pelo cantor Fernando.
 
Em novembro de 1925, “Se a Moda Pega” voltava aos palcos do Theatro São José, no espetáculo “Revista das Revistas”, que reunia peças que haviam feito sucesso. No mês de dezembro, dia 11, no Festival de Otília Amorim trazia de volta a peça de sucesso.
 
Mais uma curiosidade: Em 18 de julho de 1925, Otília Amorim se apresentava ao microfone da Rádio Club do Brasil, diretamente dos estúdios da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Ela cantava “Zizinha”, a famosa marcha de José Francisco de Freitas, o Freitinhas, sendo acompanhada do coro da Companhia do Theatro São José (Correio da Manhã, 18 de julho de 1925, p.07).
 
 
 
 
ZIZINHA
 
https://discografiabrasileira.com.br/


Marcha da Folia
De José Francisco de Freitas (Freitinhas)
Gravada por Fernando
Acompanhamento de Coro e da Jazz-Band Sul Americano Romeu Silva
Disco Odeon Record 122.942
Gravado em 1925 e lançado em 1926

 
 
Por ser, deveras, conhecida
Palavra, eu ando aborrecida
Em qualquer lugar
Quando a passear
Sou muito perseguida
O meu tormento não tem fim
Nunca pensei sofrer assim
Velhos e mocinhos pede-me beijinhos
Dizendo, enfim, pra mim:
 
Zizinha, Zizinha
Zizinha, Zizinha
Oh, vem, comigo, vem
Minha santinha
Também quero tirar uma casquinha.
 
Noutro dia, num bondinho
O coronel, já bem velhinho,
Deu-me um beliscão
Pegou-me na mão
Tais coisas fez enfim
E quando olhei, admirada,
Até parece caçoada
Ainda suspirou,
Os olhos revirou,
Dizendo, assim, pra mim:
 
Zizinha, Zizinha
Zizinha, Zizinha
Oh, vem, comigo, vem
Minha santinha
Também quero tirar uma casquinha.


Jornal do Brasil, 23 de outubro de 1925, p.17
https://memoria.bn.gov.br/


Correio da Manhã, 29 de outubro de 1925, p.06
https://memoria.bn.gov.br/


 
 
 
SE A MODA PEGA
 
https://discografiabrasileira.com.br/


Maxixe
De José Luiz de Moraes (Caninha)
Gravado por Fernando e Coro
Acompanhamento da Jazz Band Romeu Silva
Disco Odeon Record 123.025
Gravado em 1926 e lançado em 1926

 
Se a moda pega
Minha querida
Não queres outra vida
Não queres outra vida
 
Para ter o meu cabelo cortado
Procurei um barbeiro mui gentil
Que me olhava de todos os lados
Pela frente, por trás e de perfil
(À La Garçonne!)
 
Eu não disse a Chiquito, confesso
Que a cortar-me o cabelo o tal moço
Ao olhar-me através do espelho
Me coçava, com jeito, o pescoço
(À La Garçonne!)
 
Fui ficando nervosa e com medo
Que lá dentro me entrasse o Chiquito
Que não gosta que eu corte o cabelo
Na cadeira do moço bonito.
(Mas por que?)



O Paiz, 11 de outubro de 1925, p.06
https://memoria.bn.gov.br/




Jazz Band Sul Americano Romeu Silva
Illustração Moderna, 04 de outubro de 1924, p.39
https://memoria.bn.gov.br/


 
Partitura de "Zizinha", de José Francisco de Freitas (Freitinhas)
Arquivo Marcelo Bonavides


Partitura de "Zizinha", de José Francisco de Freitas (Freitinhas)
Arquivo Marcelo Bonavides



Partitura de "Zizinha", de José Francisco de Freitas (Freitinhas)
Arquivo Marcelo Bonavides



Partitura de "Zizinha", de José Francisco de Freitas (Freitinhas)
Arquivo Marcelo Bonavides






RECORTES SOBRE "SE A MODA PEGA"
 
 
Otília Amorim
Correio da Manhã, 01 de julho de 1925, p.06 
https://memoria.bn.gov.br/




Otília Amorim
Illustração Moderna, 18 de julho de 1925, p.29 
https://memoria.bn.gov.br/


 
 
Otília Amorim
Jornal do Brasil, 27 de junho de 1925, p.14 
https://memoria.bn.gov.br/

 
 
 
Antônia DeNegri
Para Todos, 08 de agosto de 1925, p.21
https://memoria.bn.gov.br/

 

 

Ângela Lisboa
Illustração Moderna, 18 de julho de 1925, p.29 
https://memoria.bn.gov.br/


Giulia Solaro
Jornal do Brasil, 25 de junho de 1925, p.12 
https://memoria.bn.gov.br/


Alfredo de Torre
Jornal de Theatro & Sport, 20 de novembro de 1920, p.10
https://memoria.bn.gov.br/



Cardoso de Menezes e Carlos Bittencourt
Jornal do Brasil, 30 de junho de 1925, p.13
https://memoria.bn.gov.br/



Otília Amorim e Coristas
Jornal do Brasil, 07 de julho de 1925, p.16 
https://memoria.bn.gov.br/


Antônia DeNegri e Coristas
Jornal do Brasil, 09 de julho de 1925, p.11 
https://memoria.bn.gov.br/


Nair Alves e Coristas
Jornal do Brasil, 15 de julho de 1925, p.18 
https://memoria.bn.gov.br/


Otília Amorim no quadro "Morto Vivo"
Jornal do Brasil, 19 de julho de 1925, p.11 
https://memoria.bn.gov.br/


Jornal do Brasil, 27 de junho de 1925, p.14 
https://memoria.bn.gov.br/



Correio da Manhã, 01 de julho de 1925, p.06 
https://memoria.bn.gov.br/



Jornal do Brasil, 30 de junho de 1925, p.13 
https://memoria.bn.gov.br/



Jornal do Brasil, 01 de julho de 1925, p.28 
https://memoria.bn.gov.br/



O Paiz, 09 de julho de 1925, p.07 
https://memoria.bn.gov.br/


O Paiz, 10 de julho de 1925, p.08 
https://memoria.bn.gov.br/


O Paiz, 18 de julho de 1925, p.11 
https://memoria.bn.gov.br/



Jornal do Brasil, 19 de julho de 1925, p.30 
https://memoria.bn.gov.br/









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