sábado, 2 de janeiro de 2010

Elisa Coelho - 100 Anos!

Elisa Coelho


A “Criadora de um cantar todo seu”, segundo Orestes Barbosa, foi um dos jovens talentos que surgiram no ano de 1930, como Yolanda Osório, Laura Suarez, Ita Cayubi e Sylvio Caldas.

Elisinha, como era carinhosamente chamada, nasceu em Urugaiana, no Rio Grande do Sul, em 01 de março de 1909 e era filha de militar. Começou a gravar em 1930 e, nesse mesmo ano, excurcionou pelo Nordeste ao lado do compositor Hekel Tavares, interpretando suas composições.

Eu começei a falar com Elisinha, por telefone, por volta de 1998, e, até 2001, mantivemos um gratificante contato. Ela me contava as histórias do tempo em que era cantora e lembrava personalidades que havia conhecido e que eu era admirador. Várias vezes me emocionei, chegando às lágrimas, quando ela, mesmo aos 91 anos, cantava especialmente para mim. Eu escolhia o repertório e D. Elisinha (como eu a chamava) ia cantando: No Rancho Fundo, Praga, O que foi que eu fiz?...

Ela foi a primeira pessoa a gravar No Rancho Fundo, em 1931. Ary Barroso, que era muito seu amigo, foi até sua casa exigir que ela fizesse a gravação, segundo o pesquisador Abel Cardoso Junior.

Ela era muito atenciosa e cativante.

Perdemos contato em meados de 2001. Em agosto, soube que ela havia falecido nesse mesmo mes.





Ouça Elisa Coelho:

Yayazinha - Samba de Plínio Brito. Elisinha Coelho gravou na Victor em 1930, sendo acompanhada por Rogério Guimarães e Jacy Pereira, nos violões.




Ciúme de Cabôca
- Toada de Josué de Barros. Elisa Coelho gravou em 1930 na Victor, sendo acompanhada por Rogério Guimarães e Jacy Pereira, nos violões.




No Rancho Fundo

- Samba-Canção de Ary Barroso e Lamartine Babo. Elisa gravou em 1931 na Victor, sendo acompanhada por piano e violões.





Agradecimento ao Arquivo Nirez.






Olga Praguer Coelho - 100 Anos!


OLGA PRAGUER COELHO
O Violão, 1929
Arquivo Nirez




Em 2005, tive a grata satisfação de conhecer pessoalmente Olga. Foi um momento mágico, sem ter medo de parecer piegas com essa afirmação.

Ao ver, frente a mim, aquela senhora de cabelos brancos e porte elegante eu perdi a voz, literalmente. Fiquei de boca aberta e hipnotizado, tendo consciência de que eu estava diante de uma lenda viva da música mundial e que estava fazendo um papel esquisito.

Ela me olhava sem entender nada, sem saber o porquê de minha mudez. Depois, recuperei os sentidos e tivemos uma gostosa conversa sobre música popular brasileira e suas personalidades dos anos 20.





Olga foi uma das principais intérpretes de nossa música brasileira e uma das melhores pesquisadoras/cantoras de nosso folclore. Ao lado de Elsie Houston, Stefana de Macedo, Helena de Magalhães Castro, Amélia Brandão Nery, Celeste Leal Borges e Jesy Barbosa foi uma das pioneiras pesquisadoras e divulgadoras do folclore brasileiro no Brasil e no Mundo ainda nos ano 20 do século passado.
Olga Praguer Coelho nasceu em 12 de agosto de 1909, em Manaus, Amazonas, e faleceu em abril de 2008, meses antes de completar 99 anos de idade.





Na década de 1940, Olga Praguer Coelho foi considerada a maior violonista do mundo. Nessa época ela estava casada com seu segundo marido, o também violonista Andrés Segovia.



Ouçam Olga Praguer Coelho:



Róseas Flores - Modinha Popular. Arranjo e adaptação de Olga Praguer Coelho. 
Acompanhamento de Rogério Guimarães e João Nogueira (Violões). 
Olga gravou na Victor em 1935.




Tyrana - Canção Popular. Arranjo e adaptação de Olga Praguer Coelho. 
Acompanhamento do Conjunto Típico RCA Victor. 
Olga gravou em 1936, na Victor.




Mulata - Modinha do Século XIX, autoria de Gonçalves Crespo. 
Olga Praguer Coelho adaptou essa versão. 
Acompanhamento de Pereira Filho e Luiz Bittencourt (Violões) 
Gravação Victor de 1936. 
Essa modinha foi muito gravada a partir de 1902, devido o seu grande sucesso.




Estrela do Céu
- Macumba do Norte, tema popular. Adaptação e arranjo de Olga Praguer Coelho. Acompanhamento do Conjunto Típico Victor. gravação Victor de 1936. 
Embora Católica Apostólica Romana (como ela mesma me afirmou), Olga era uma grande estudiosa das Religiões Afro-Brasileiras. 
Como Elsie Houston, Conjunto Tupy (e depois J. B. de Carvalho sozinho) e Moreira da Silva, ela gravaria lindos Pontos de Santos.




Azulão
- Canção Popular, adaptação de Jayme Ovalle. 
Olga Praguer Coelho gravou essa linda canção nos anos 1940, em Nova Yorque.








Agradecimentos:
Arquivo Nirez e Thais Matarazzo.
Foto de Olga já idosa: Acervo Marcelo Bonavides.






Laura Suarez - 100 Anos!

Laura Suarez



A carioca Laura Suarez foi eleita Miss Ipanema em 1929. O acontecimento foi filmado e ainda existe o registro. Apesar de ser uma das mulheres mais bonitas de seu tempo, Laura buscou outros caminhos e também abraçou as carreiras de atriz, cantora e compositora. Foi feliz em todas elas. Já em janeiro de 1930 seu primeiro disco chegava às lojas com duas toadas de sua autoria: Moreno, meu bem e Coco de Pagu. Ao lado do maestro Henrique Vogeler, autor de Linda Flor (Ai, Yoyô), compôs quatro composições, entre elas as belas Os olhos de você e Romance.






Sua discografia foi feita toda na gravadora Brunswick entre 1930 e 1931.

Atuou no teatro em peças como Yára, de 1933, ao lado de Zezé Fonseca e Roberto Vilmar.

Nesse mesmo ano ela se casou com Willian Melniker, diretor geral da Metro-Goldwyn-Mayer na América do Sul.

O acontecimento foi de forma simples, voltado para a intimidade da família.


Em 1933 a revista Vida Moderna assim descrevia Laura: “Uma voz branda e quente, com qualquer coisa de preguiçoso, voz que parece provocar lassidões, que tem a virtude de perturbar e que desperta a vontade de sonhar.”.

Laura Suarez nasceu em 21 de novembro de 1909 e faleceu em 1990, no Rio de Janeiro.

Entre seus filmes, está 24 Horas de Um Sonho (1941), onde aparece ao lado de Sarah Nobre (a direita). Elas foram dirigidas por Chianca de Garcia.

Laura também participou da telenovela Te Contei?, direção de Dennis Carvalho e escrita por Cassiano Gabus Mendes. Foi exibida em 1978 pela Rede Globo de Televisão.


Ouça Laura Suarez.

Você... você - Samba da autoria de Laura Suarez, gravado por ela em 1930, na Brunswick.




Velha Canção - Canção da autoria de Laura Suarez e Henrique Vogeler.
Laura gravou em 1930, na Brunswick.




Os Olhos de Você - Canção da autoria de Laura Suarez e Henrique Vogeler.
Laura gravou em 1930, na Brunswick.




Viver é Isso - Canção da autoria de Laura Suarez e Henrique Vogeler.
Laura gravou no final de 1930, na Brunswick.




Romance - Canção da autoria de Laura Suarez e Henrique Vogeler.
Laura gravou em 1931, na Brunswick.




Agradecimentos:
Arquivo Nirez, Adilson Marcelino e Thais Matarazzo






segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Amélia Lopiccolo - 140 anos!



Em 24 de setembro de 1869 nascia a atriz Amélia Lopiccolo, em Roma, Itália.

Amélia veio ao Brasil em 1888 e fez uma brilhante carreira em nossos palcos, atuando no teatro de revista, em burletas, dramas... Foi um dos ícones da virada do século XIX para XX.

Chiquinha Gonzaga dedicou a ela uma de suas mais deliciosas composições: Yaya Fazenda, etc... e tal! . Vemos na partitura : "À exímia artista Amélia Lopiccolo". É apresentada como canção brasileira. F. P. Almeida Junior foi o autor da letra.

Essa música seria gravada em 1907 pela cantora Nina Teixeira, em dueto com Geraldo Magalhães, com o título de Baiana e Capadócio, sendo adicionados novos versos. Em 1912, a Inimitável Risoletta gravou a versão original, mantendo o título Yayá Fazenda, etc... e tal! .

Ouça a versão de A Baiana e o Capadócio, gravada em 1907 pelos cançonetistas Os Geraldos, formado pelos gaúchos Nina Teixeira e Geraldo Magalhães.

Disco Odeon Record.









domingo, 27 de dezembro de 2009

Dia 19 de Agosto!

O dia 19 de agosto marca o aniversário de nascimento de doi grandes intérpretes de nossa música. Aracy de Almeida e Francisco Alves. Aracy, "A Dama do Encantado", completaria 95 anos (nascida em 1914) e Chico, o "Rei da Voz", completaria 111 anos (nascido em 1898).

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

SINHÔ - 79 anos sem o Rei do Samba.

No dia 04 de agosto de 1930 perdíamos nosso Rei do Samba, Sinhô.
José Barbosa da Silva nasceu em 18 de setembro de 1888 no Rio de Janeiro.

Foi um famoso pianeiro nas festas da vida noturna carioca. Além de piano, tocava flauta, violão e cavaquinho. Foi um dos maiores compositores que tivemos. Começando a lançar suas músicas no final dos anos 10, Sinhô teria nos anos 20 a consagração artística.

Gravou a música de sua autoria Fala Baixo, com a Banda da Fabrica Popular.
Nessa gravadora, A Popular, da autoria de João Batista Gonzaga (companheiro da compositora Chiquinha Gonzaga), Sinhô lançou o jovem cantor-ator Francisco Alves em 1919. Chico gravou suas primeiras músicas Oh Pé de Anjo, Fala Meu Louro (Papagaio Louro) e Alivia Esses Olhos. Todas as três músicas fizeram sucesso no teatro de revista, principalmente Oh Pé de Anjo, cuja revista homônima de 1920 colocou nos palcos as estrelas Ottília Amorim, Júlia Martins e Henriqueta Brieba, ao lado de Alfredo Silva.

Sinhô continuou compondo com grande sucesso para o teatro, enquanto tinha suas músicas gravadas pelos grandes nomes da época. Eduardo das Neves, Bahiano, Fernando e o Jazz Band Sul Americano de Romeu Silva, Frederico Rocha, Zeca Ivo, Albertino Rodrigues, Gustavo Silva e Carlos Lima foram alguns dos artistas que gravaram músicas do compositor entre 1919 a 1926.

A gravação elétrica surgiu em 1927 e Francisco Alves voltou a gravar várias de suas composições. Mário Reis passa a ser, a partir de 1928, um de seus melhores intérpretes, na segunda metade da década de 1920.

Em 1927 foi coroado Rei do Samba, em São Paulo, no Teatro da República, durante a Noite Luso-Brasileira. Oswald de Andrade se encarregou da coroação. Era a elite intelectual e artística paulistana reconhecendo o valor da música popular.

O curioso é que a discografia de Sinhô foi em sua maior parte registrada por homens. Poucas mulheres tiveram esse privilégio. No teatro de revista a grande divulgadora de suas músicas foi Aracy Côrtes que, também, lançou clássicos que marcariam a vida do compositor e da própria cantora, como Jura!..., cuja partitura vem com a designação de “O Maior Samba do Mundo”. Sinhô sabia fazer sua propaganda e, à sua forma, fazia bem.

Podemos contar as seguintes mulheres que gravaram Sinhô: as duas sobrinhas de Francisco Alves que em 1919 acompanharam o tio nas histórias gravações, participando do coro. Em 1928 temos Aracy Côrtes e Rosa Negra, duas estrelas do teatro musicado. Rosa era um dos principais nomes da célebre Companhia Negra de Revistas e gravou com Francisco Alves Não Quero Saber Mais Dela. Aracy gravou Jura!... e, em 1930, Mal de Amor. Já em 1930, teríamos Sinhô através das novatas Ita Cayubi, com Canjiquinha Quente, e Carmen Miranda, com Burucuntum e Feitiço Gorado (que só seria lançado em 1932).

Sinhô foi o precursor do samba-choro compondo Meus Ciúmes, que a competente e brejeira Yolanda Osório gravou em 1931.


Em 1989, Sinhô foi interpretado pelo ator Paulo Barbosa na novela Kananga do Japão, exibida pela Rede Manchete. A novela abordava, entre outros temas, a vida musical carioca dos anos 30. No Grêmio Recreativo Familiar Kananga do Japão, que existia na praça XI, no Rio de Janeiro, os personagens dançavam maxixes, sambas, canções e outros ritmos, interpretados por Zezé Motta em sua personagem Lulu Lion. O acompanhamento era feito por piano e uma orquestra ao vivo e muitas composições dos anos 20 e 30 puderam ser conhecidas pelas novas gerações.

Cabeça de Ás, maxixe por Fernando e o Jazz Band Sul Americano de Romeu Silva - 1925





Cauhã, valsa por Januário de Oliveira - 1930







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